« ENTRE A SEMANA | Entrada | E ASSIM SE FAZ PORTUGAL... »

novembro 11, 2003

FIM DE TARDE, NA CALMA DO SOFÁ

Lendo e ouvindo...

Há um fogo enorme no jardim da guerra
Os homens semeiam faúlhas na terra
Os homens passeiam com os pés no carvão
E os deuses acendem, luzindo, um tição

Ao circo da guerra chegam piromagos
Abrem bem a boca quando são bem pagos
Soltam labaredas pela boca cariada
Fogo que não arde, não queima... nem nada

Para apagar o fogo chegam embaixadores
Trazendo no peito água e extintores
Extinguem a vida dos que caem na rede
E dão água aos mortos que já não têm sede

Senhores importantes fazem piqueniques
Churrascam o frango no ardor dos despiques
Engolem sangria de sangues danados
E enxugam os beiços na pele dos queimados

É guerra de trapos, do pulmão que cessa
É óleo cansado que arde depressa
Os homens maciços cavam-se por dentro
E o fogo penetra, vai direito ao centro

Publicado por Zecatelhado às novembro 11, 2003 08:23 PM