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novembro 22, 2003
O CHEFE
O Chefe pode chegar a chefe vindo da seguinte situação:
1 - Muitos anos de firma e em estado de pré-reforma.
2 - Delator e chibo nato do Patrão ou Gerente.
3 - Acabado de sair da Universidade onde tirou um curso superior - que na grande maioria dos casos não tem nada a ver com o espírito da empresa - e colocado por uma cunha de alguém das relações do Big Boss.
Ao princípio, como anda a " apanhar bonés " tenta passar uma imagem de gente boa e faz sempre um sorriso do tamanho do mundo ao pessoal sob o seu comando, ou então, não sorri mas mascara-se com uma cara de quem está muito atento e é muito compreensivo com os que o interpelam, como se cada coisa que ouve fosse muto importante.
Quando já consegue controlar o barco minimamente, começa lenta e delicadamente a fazer prevalecer a sua opinião.
Quando controla totalmente a situação, não fala, não sorri, e começa a ter modos arrogantes do tipo " quem manda aqui sou eu!".
Anda sempre pelos corredores com um papel na mão para demonstrar que está permanentemente ocupado.
Nas férias, sai sempre de Portugal e fá-lo saber de forma despretenciosa aos subordinados.
Chega sempre depois das dez e sai muito tarde mesmo que não tenha nada para fazer. Tem a chamada isenção de horário, uma invenção do Capitalismo Moderno para mostrar importância e muitos afazeres, mas que permite também aos Patrões terem à mão durante 24 horas por dia se preciso fôr os seus empregados.
Geralmente almoça fora da empresa, mas às vezes toma a refeição com o grupo de trabalho para mostar que é mortal.
Tem ambições a subir ainda mais na hierarquia da firma e gosta de passear pelos corredores com o Gerente ou Patrão, naquelas voltinhas ao perímetro que eles gostam de dar a "cagar postas de pescada", falando de tudo e mais alguma coisa e, na maioria dos casos, dizendo disparates atrás de disparates.
Veste uma camisa e usa uma gravata diáriamente, embora ( o dinheiro não dá para tudo ) o fato seja quase sempre o mesmo ( cinzento escuro de preferência ).
Quando se aposenta, convida os trabalhadores mais chegados para um almoço e diz bem de toda a gente com uma lágrima de crocodilo ao canto do olho. Até aqueles que lhe fizeram a vida negra durante os anos de chefia, são considerados pobres diabos e, afinal, bons rapazes... um bocadinho rebeldes..., mas bons rapazes. É prendado com uma salva de prata com uma dedicatória toda lamechas em nome da ralé e abraça cada um com um obrigado por tudo, desculpe se houve algum momento... etc. Os trabalhadores ficam felizes também porque se livraram de mais um filho da puta, embora saibam que a seguir se repete a cena com o próximo a chegar.
Próximo cromo " O CASTELÃO "
Publicado por Zecatelhado às novembro 22, 2003 06:44 PM