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dezembro 21, 2003

O Amigo de Outras Cruzadas

Porque é que os outros se mascaram e tu não?
Porque é que os outros buscam a virtude
para contar o que não tem perdão?

Porque é que os outros se compram e se vendem
e os seus gestos dão sempre dividendo?

Porque é que os outros são túmulos caiados
onde germina calada a podridão?
Porque é que os outros calam e tu não?

Porque é que os outros buscam o abrigo
e tu vais de mãos dadas com o perigo?
Porque é que os outros calculam e tu não?

Estive hoje à conversa com um amigo de há longa data que já não vejo há anos. Conversámos sobre muitas coisas e muitas coisas ficaram por conversar. Vem hoje jantar comigo para pormos a conversa em dia. Vamos lembrar-nos, com alguma inevitável nostalgia à mistura, de um tempo em que nada abalava a nossa esperança num mundo de paz, fraternidade e amor; um mundo em que a igualdade e a solidariedade entre os homens vingaria para sempre. O meu amigo cantor das utopias sonhadas continua o mesmo homem, continua a acreditar nos ideais da juventude. Afinal, embora eu já o soubesse pois fui acompanhando a sua carreira musical, nunca se vendeu ou rendeu às "tentações" do mundo e CONTINUA A ACREDITAR! Lembrei-me de uma cantiga do Francisco Fanhais que, penso, retrata o que acabei de dizer.
Acabo este desabafo com o peito cheio de alegria por um amigo reencontrado- afinal nunca se perdeu, não foi? - citando o Sérgio:
... É que ganhei um amigo
e coisa mais preciosa no mundo não há...

P.S. - Aqui para nós: Vou fazer aquele "bacalhau vermelho" no forno com o qual, lembro-me bem, o meu amigo se deleitava. Estou tão feliz!

Publicado por Zecatelhado às dezembro 21, 2003 01:12 PM