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janeiro 17, 2004

Lá vem a Nau Catrineta! Jan.III


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar
S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta quadrilha
pronta a passar "ao ataque!"

Sobe à gávea meu marujo
Meu marujinho real
Diz-me lá o que é que vês
No meu querido Portugal

Está cada vez mais opaco
Cada vez mais pantanoso
Estais metido num buraco
Diz o marujo ao Burroso

Ai valha-me Santo Antoninho
Mas o que é que eu faço agora?
Chegai a mim D. Paulinho
acudi-me nesta hora

Assim do pé para a mão
Para fintar o destino
Só vejo uma solução
Fujamos num submarino

Aportemos à Madeira
Até o banzé parar
D. Jardim terá maneira
de nos poder abrigar

Prá Madeira não vou não
tira daí o sentido
Que o D. Alberto João
Ainda me rouba o partido

Mas que fazemos então?
diz D. Paulinho aflito
Chama cá o D. Bagão
Ordena Burrão com um grito

D. Bagão, meu camarada
Tendes vós alguma ideia
De acalmar essa cambada
de calar a verborreia?

Se ideias tivesse um dia
Que me valha Santa Anica
Há muito tempo seria
Presidente do Benfica

Chamai lá D. Manuela
Essa santinha querida
Ai senhores se não fôr ela
É desta que eu vou à vida

D, Manuela salvai-me
cada vez estou mais fraco
Uma outra vez ensinai-me
a sair deste buraco

Acho que existe uma forma...
Diz ela em tom vagaroso
despachai-vos lá então!
grita o capitão Burroso

Criai espectáculos diferentes
Anjos que virem bandidos
Coisas que façam as gentes
Virar pr'á aí os sentidos

E enquanto a populaça
Chafurda nessa nojeira
deixa de haver arruaça
E vós estareis à maneira

Publicado por Zecatelhado às janeiro 17, 2004 04:27 AM