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fevereiro 10, 2004

A versão portuguesa do dilúvio (a não perder!)

Recebi da minha amiga " Calamity Jane" este conto lindo que não resisto a mostrar à irmandade: Atentai:
Um dia, o Senhor, chamou Noé da Silva e ordenou-lhe:
- "Dentro de seis meses, farei chover ininterruptamente durante 40 dias
e 40 noites, até que todo o Portugal seja coberto pelas águas. Os maus
serão destruídos, mas quero salvar os justos e um casal de cada espécie
animal. Vai e constrói uma Arca de madeira".
No tempo certo, os trovões deram o aviso e os relâmpagos cruzaram o céu.
Noé da Silva chorava, ajoelhado no quintal de sua casa, quando ouviu a
voz do Senhor soar, furiosa, entre as nuvens:
-"Onde está a Arca, Noé?"
- "Perdoe-me, Senhor" - suplicou o homem. "Fiz o que pude, mas encontrei dificuldades imensas. Primeiro tentei obter uma licença da Câmara Municipal, mas para isto, além das altas taxas para obter o alvará, pediram-me ainda uma contribuição para a campanha da reeleição do Presidente da Câmara.
Como precisava de dinheiro, fui aos bancos e não consegui empréstimos, mesmo aceitando aquelas taxas de juros. Afinal, nem teriam mesmo como me cobrar depois do dilúvio.
Depois veio o Corpo de Bombeiros e exigiu um sistema de prevenção de incêndios e alguma ajuda para a compra de uns Helicópteros, mas consegui contornar, subornando um funcionário.
Começaram então os problemas com a extracção da madeira, nas áreas ardidas. Eu disse que eram ordens "Suas" mas eles só queriam saber se eu tinha "projecto de reflorestamento" e um tal de "plano de manejo".
Entretanto, a Quercus descobriu também uns casais de animais já guardados em meu quintal (para os embarcar na Arca) e denunciou-me a um dos raros Vigilantes da Natureza que ainda existem. Além da pesada multa, este fiscal falou em "prisão inafiançável" e acabei por ter que o matar, pois para este crime a lei é mais branda.
Quando resolvi começar a obra, apareceu a Fiscalização que me multou porque eu não tinha um engenheiro naval responsável pela construção.
Depois, apareceu o Sindicato exigindo que eu contratasse os seus marceneiros que ficaram desempregados com este Governo e com garantia de emprego por um ano.
Veio em seguida as Finanças, acusando-me em "sinais exteriores de riqueza" e também me multou.
Finalmente, quando o Instituto da Água pediu o"Relatório do Estudo de Impacte Ambiental" sobre a zona a ser inundada, mostrei o mapa de Portugal. Aí quiseram me internar num hospital psiquiátrico!"
Noé da Silva terminou o relato chorando, mas notou que o céu clareava.
"Senhor, então não vais mais destruir Portugal?"
"Não!", respondeu a voz entre as nuvens, "Pelo que ouvi de ti, Noé, cheguei tarde!
Alguém já se encarregou de fazer isso!"

Publicado por Zecatelhado às fevereiro 10, 2004 08:02 PM