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fevereiro 13, 2004

Noruega; Essa desconhecida dos portugueses

Na Noruega, o horário de trabalho começa cedo (às 8 horas) e acaba cedo
(às 15.00).


( continue a ler; o link, é em baixo desta citação, mas está invisível )

As mães e os pais noruegueses têm uma parte significativa
seus dias para serem pais, para dos proporcionar aos filhos algo mais do que um
serão de televisão ou videojogos. Têm um ano de licença de maternidade e
nunca ouviram falar de despedimentos por gravidez.
A riqueza que produzem nos seus trabalhos garante-lhes o maior nível
salarial da Europa. Que é também, desculpem-me os menos sensíveis ao
argumento, o mais igualitário. Todos descontam um IRS limpo e transparente
que não é depois desbaratado em rotundas e estatuária kitsh , nem em
auto-estradas ( só têm 200 quilómetros dessas «alavancas de progresso»), nem
em Expos e Euros.
É tempo de os empresários portugueses constatarem que, na Noruega, a fuga
ao fisco não é uma «vantagem competitiva». Ali, o cruzamento de dados
«devassa» as contas bancárias, as apólices de seguros, as propriedades
móveis e imóveis e as «ofertas» de património a familiares que, em Portugal,
país de gentes inventivas, garantem anonimato aos crimes e «confundem» os
poucos olhos que se dedicam ao combate à fraude económica.
Mais do que os costumeiros «bons negócios», deviam os empresários
portugueses pôr os olhos naquilo que a Noruega tem para nos ensinar. E, já
agora, os políticos. Numa crónica inspirada, o correspondente da TSF naquele
país, afiança que os ministros não se medem pelas gravatas nem pela alta
cilindrada das suas frotas. Pelo contrário, andam de metro, e não se ofendem
quando os tratam por tu.
Aqui, cada ministério faz uso de dezenas de carros topo de gama, com
vidros fumados para não dar lastro às ideias de transparência dos cidadãos.
Os ministros portugueses fazem-se preceder de batedores motorizados, poluem
o ambiente, dão maus exemplos e gastam a rodos o dinheiro que escasseia para
assuntos verdadeiramente importantes.
Mais: os noruegueses sabem que não se «projecta o nome do país» com
despesismos faraónicos, basta ser-se sensato e fazer da gestão das contas
públicas um exercício de ética e responsabilidade. Arafat e Rabin assinaram
um tratado de paz em Oslo. E, que se saiba, não foi preciso desbaratarem
milhões de contos para que o nome da capital norueguesa corresse mundo por
uma boa causa.
Até os clubes de futebol noruegueses, que pedem meças aos seus congéneres
lusos em competições internacionais, nunca precisaram de pagar aos seus
jogadores quatrocentos salários mínimos por mês para que estes joguem à
bola.

Publicado por Zecatelhado às fevereiro 13, 2004 06:48 PM