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fevereiro 14, 2004
"Os Laranjíadas" de Durão Vaz de Camões
As damas e os barões alaranjados
que da ocidental praia lusitana
por truques nunca antes experimentados
vão roubando portugal à fartazana
Em contos do vigário especializados
Mais do que permite a força humana
E entre gente crédula edificaram
mentiras que a tantos enganaram
E também as memórias gloriosas
de Abril se foram esfumando
por entre habilidades viciosas
os mais nobres valores foram devastando
E aqueles que por obras valerosas
se vão da lei laranja libertando
desmascarando espalharei por toda a parte
se a tanto me ajudar engenho e arte
Cessem do sábio Grego e do Troiano
as navegações grandes que fizeram
cale-se de Alexandre e de Trajano
a fama das victórias pela estranja
que eu canto a desgraça do lusitano
quando em sorte lhe saiu em tom laranja
Cesse tudo o que a Mussa antígua canta
que outro valor mais alto se alevanta
Invocação às Ninfas do Estoril
E vós tias betinhas, pois criado
tendes no cherne um novo amante ardente
e se em verso de Pessoa celebrado
foi este peixe eleito alegremente
dai-lhe agora um tom alto e sublimado
um estilo grandíloquo e corrente
saído das vossas fuças de plástica como se diz
que fazem inveja às tias de Paris
Dai-lhe uma fúria grande e sonorosa
e não de agreste avena ou de trombone
mas de tuba canora e belicosa
assim bem ao geitinho das Bobone
prestai igual canto aos feitos da pandilha
gente dele, a quem o capital tanto ajuda
que se espalhe e se cante sempre mais
na linha de Algés até Cascais.
Continua...
( e que trabalhão me espera, mas irei até ao canto X )
Publicado por Zecatelhado às fevereiro 14, 2004 09:38 PM