« Lá Vem a Nau Catrineta! Mar -I | Entrada | Novidade...Novidade... »

março 13, 2004

"Os Laranjíadas" de Durão Vaz de Camões

...Continuação do Canto I, O Concílio dos Deuses

Belmiro Júpiter de Azevedo

Estava o pai Belmiro ali sublime e digno,
Que vibra os feros raios dos senhores,
Num assento de estrelas cristalino,
Com gesto alto, severo e soberano.
Do rosto respirava um ar divino,
Que divinos tornara os seus seguidores;
Com uma coroa e ceptro rutilante,

De outra pedra mais clara que diamante.

Em luzentos assentos, marchetados
De ouro e de pérolas, mais abaixo estavam
Os outros Deuses todos assentados,
Com a sua razão e ordem concertavam;
Precedem os antiguos mais honrados;
Mais abaixo os menores se assentavam;
Quando Belmiro Júpiter de Azevedo, alto, assim dizendo,
C'um tom de voz começa, grave e horrendo:

Fala de Belmiro Júpiter de Azevedo

"Eternos moradores do reluzente
Estelífero pólo, e claro assento,
Se quereis pôr mão em toda a gente,
do Luso não perdeis o pensamento,
Deveis ter sabido claramente,
Como é de Carvalho da Silva certo intento,
Que por ele se esquecem de um vêz
Que a nós deve obediência ao fim do mês.

Castelhanos e outros donos de Multinacionais

Já lhes foi ( bem o vistes) concedido
Doado a exlorar este quintal pequeno,
Tomar a nós pobres patrões o apetecido
Explorar deste canteiro, que rega o Tejo ameno:
Pois contra o Castelhano tão temido,
Sempre alcançámos favor do Céu sereno.
Assim que sempre, enfim, com fama e glória,
Tivemos os troféus pendentes da vitória.

continua...

Publicado por Zecatelhado às março 13, 2004 04:19 PM