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setembro 11, 2004
-Lá Vem a Nau Catrineta - Set II

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar
D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
Andava a Nau navegando
à bolina calmamente
a proa as águas sulcando
do mar-chão, suavemente
Mas a doce calmaria
que durava até então
foi quebrada com a histeria
de um berro, por D. Bagão
O homenzito coitado
ja chorava baba e ranho
estava tão descontrolado
que mais parecia o "dianho"
Perante tal burburinho
a um marujo agarrado
eis que surge D. Paulinho
com um ar preocupado
Que se passa D. Bagão?
porque estais tão exaltado?
e porque tendes na mão
um papel amarrotado?
E os mais de cem ouvidos
lá iam esperando em vão
pois só saíam grunhidos
da boca de B. Bagão
Quando já era esperada
a macacua fulminante
eis que vem descendo a escada
Santanás, o Comandante
Estais ligado a alguma ficha?...
o que se está a passar?
mais pareceis uma rabicha
ou bicha de rabear!
Bicha?... isso é comigo?
diz D. Paulinho corado...
Ninguém está a falar consigo...
diz Santanás já irado
Não borre mais a pintura
mantenha a boca calada
não notais que essa postura
é gozo p'rá marujada?
E a turba amontoada
ria à farta de fininho,
de seguida à gargalhada
com a frase de D. Paulinho
Vermelho como um pimento
vendo como era gozado
rápido como um pé-de-vento
retirou-se envergonhado
Fechai lá essas bocarras
acabou-se a reinação
a hora não está p'ra farras
acudamos ao Bagão
Um pouco mais compostinho
do axaque que tivera
aprumou-se o homenzinho
vendo toda a gente à espera
Meu senhor D. Santanás
nosso ilustre capitão
adivinhe se é capaz
o que tenho aqui na mão?
Em qual delas homenzinho?
aquilo que estou a ver...
na direita um papelinho
e na esquerda um fecho eclair
Um fecho?!... ai! não me diga!...
tal foi a raiva, que acho
que se me encheu a bexiga
e mijei calças abaixo!
Perante esta calinada
proferida por D. Bagão
a turba descontrolada
rebolou a rir no chão
Tomai tino pequenote
medi bem o que dizeis
quanto mais abris "o pote"
mais andais vós aos papeis
Ora por exclusão de partes
é então o papelinho
por engenhos e por artes
a origem do "caldinho"
É isso, meu Capitão
então não é que a cambada
de labregos que aí estão
ficou bem mais que "passada"?
Ousaram reivindicar
cinco por cento de aumento!
Pois bem, vou ripostar:
só vos dou meio por cento!
Dinheiro neste batel,
o que resta no baú
nem chega para o papel
com que limpamos o ..!
Protesto, meu Capitão!...
(grita o marujo Carvalho)
meio por cento é que não
isso é gozar com o trabalho
Despeça senhor e já
essa tola de chicharro
meio por cento nem dá
para comprar um cigarro!
CALADOS!...p'ra começar
vamos lá baixar a bola
e aquele que protestar
leva um soco na carola!
Mas que bandalheira é esta?
não sou eu o Capitão?
decreto o fim desta festa
acabou-se a discussão
Pois se achais que não é bom
o meio por cento, então...
digo-vos alto e de bom som
não levais nem um tostão!
E mais, para terminar
acaba aqui o sarilho
vós marujos quereis fumar?
arranjem barbas de milho
In:"Tadechuva"- Autor:Zecatelhado, em www.jachove.weblog.com.pt
Publicado por Zecatelhado às setembro 11, 2004 03:03 AM