« Um Ano é Muito Tempo... | Entrada | -As Canções da Formiguinha - Out. III »
outubro 16, 2004
-Lá Vem a Nau Catrineta - Out.III

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar
D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
Navegava a Catrineta
por esses mares sem fim
rumo aos Açores do Pauleta
e à Madeira do Jardim
Não queriam perder de vista
essa batalha naval
entre a tropa Socratista
e a tropa do laranjal
Até ali na Madeira
nunca a rosa houvera achar
forma, feitio ou maneira
da Jardim-frota afundar
Nem dava para aquecer
mal o jogo começava
era ver a rosa a arder
e a frota que se afundava
Havia quem afirmasse
fosse qual fosse o bailinho
enquanto o Jardim bailasse
ganhava sempre o joguinho
Quando Alberto disparava
desfazia a rosa em pó
e a pobre só acertava
tiros em "H2o"
Ria o boçal desbragado
da inépcia da rosinha
pois com o jogo viciado
a vitória era certinha
Durante anos e anos
ensinara a sua gente
a gritar morte aos "cuban's"
que moram no "Cont'nente"
De comunas a fascistas
Pides ou K.G.B's
de poltrões a Socialistas
cada qual de sua vêz
tudo servira ao Bokassa
p'ra baralhar sua gente
que lhe acha muita graça
e bate as palmas contente
Tendo mais barcos à mão
quando dispõe sua frota
afundará sem perdão
quem entrar na sua rota
Na terra nas nove ilhas
que a pique emergem do mar
os laranjas e os rosinhas
outra luta vão travar
Joga do lado da rosa
um César bem confiante
numa vitória estrondosa
num jogo emocionante
Do lado da laranjinha
um senhor "de Cruz" chamado
joga esta partidinha
com um ar bem animado
Mas aqui, dizemos nós
ao contrário da Madeira
a roca com menos nós
fia dum'outra maneira
Em tempos de D. João
ou melhor, Mota Amaral
com mais ou menos canhão
era a laranja imperial
D. João Bosco reinava
tremendo a gente de cá
sempre que ele empunhava
a bandeira da F.L.A.
P'ra calar o dirigente
os laranjinhas de então
trouxeram-no p'ró continente
sentaram-no num cadeirão
Aceitando o rendez-vous
como que exorcisado
assim que sentou lá o cú
ficou quieto e calado
Mas se a laranja pensava
que pondo um outro a jogar
nada na terra mudava
e continuava a ganhar
não foi preciso esperar
muito tempo p'ra saber
que a teta estava a secar
e o leite a desaparecer
E a primeira derrota
aí estava num repente
afundada a sua frota
derrotada a sua gente
Arrastada e pesarosa
foi perguntar ao Jardim
como derrotar a rosa
fazê-la perder por fim
Seus nabos "cont'nentais"
"imbora" eu dançe o bailinho
por acaso vós "pinsais"
que eu sou o José Mourinho?
Porque não quero "cum'nistas"
nem rosas na ilha irmã
vou abrir-vos essas vistas
seus meninos da mamã
Arranjai um bom palhaço
que cante e saiba dançar
que toque caixa a compasso
e nas marchas possa entrar
Porque o povo, meus senhores
está-se a cagar p'ró discurso
gosta é de ver os doutores
a fazer figura de urso
Autor: Zecatelhado, em www.jachove.weblog.com.pt
Publicado por Zecatelhado às outubro 16, 2004 11:17 PM