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novembro 22, 2004
-História da Canção de Resistência (2 )

... ou "Música de Intervenção, ou "Canto Livre", nos Anos 60 e 70.
...Surge então um jovem que com apenas 17 anos de idade ingressa na Universidade de Direito ( Curso que nunca chegou a concluir ). Era ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA
Tornou-se membro do Orfeão Académico e colaborou em múltiplas demonstrações culturais e, activamente, nos movimentos estudantis dos anos sessenta.
Colaborou em inúmeras serenatas, em manifestações musicais e cultivou,
por gosto e com muita qualidade, a balada (um género de música que José Afonso traz para o campo artístico, de que é, porventura, o melhor intérprete). Ao mesmo tempo, embrenha-se na recolha, na selecção e gravação de canções populares,
desde as ilhas a todos os cantos do continente, onde sobressaem trechos do riquíssimo folclore minhoto, beirão e açoreano.
Gravou variadíssimos álbuns, cantando poemas dos mais variados autores portugueses e melodias que encantaram e prevaleceram como baluartes da canção de intervenção.
No seu repertório aparecem diversas trovas, (esse tipo de música que
na Idade Média os aventureiros da cultura, percorrendo a Europa levavam, de terra em terra, as melodias de origem, vindas, muitas vezes, não se sabia de
onde, mas que era uma forma de dar a outras pessoas as tradições, a cultura,
as lendas, os costumes, os romances, o estilo de vida, que, desta forma, eram apresentados nas localidades a que chegavam e, posteriormente, também daqui transportados para outras terras).
Gravações feitas no antigo regime são um testemunho do seu profundo
amor à causa da Liberdade, para a qual sempre deu o seu melhor, no sentido de levar mensagens e um pouco de conforto aos companheiros exilados, presos ou que tinham de sufocar as ideias democráticas. Ao lado de José Afonso, Manuel Freire, Luísa Bastos, José Jorge Letria, padre Fanhais, José Mário Branco - e outros tan-
tos -, foi, repito, um baluarte na defesa da Liberdade e na implementação da chamada "canção de intervenção, com a tal finalidade de reconfortar e animar os companheiros da vanguarda e da retaguarda e manter bem viva a chama da Esperança e da tão ambicionada Liberdade.
Muito cedo nos deixou, quando estava no auge da sua carreira. Viveu
um pouco da música e do seu posto de trabalho na Embaixada de Angola no Porto. Estava ainda a terminar o curso de Direito. A morte, porém, a 16 de Maio de 1982, com apenas 40 anos, devido a uma doença súbita.
De Adriano-Biografia
Por Mário Correia
Um sério problema escolher uma canção deste companheiro.
A "Trova do Vento Que Passa" é o seu "ex-libris" e por demais conhecida de toda a gente, por isso quase a escolhi automáticamente, no entanto... pensando melhor, decidi escolher uma outra, se calhar não tão conhecida de todos, que dará à gente mais jovem uma melhor ideia do homem/cantor/.
MARGEM SUL ( Canção Patuleia )
Letra: Urbano Tavares Rodrigues
Música: Adriano Correia de Oliveira
Ó Alentejo dos pobres
Reino da desolação
Não sirvas quem te despreza
É tua a tua nação
Não vás a terras alheias
Lançar sementes de morte
É na terra do teu pão
Que se joga a tua sorte
Terra sangrenta de Serpa
Terra morena de Moura
Vilas de angústia em botão
Dor cerrada em Baleizão
Ó margem esquerda de verão
Mais quente de Portugal
Margem esquerda deste amor
Tanto de fome e de sal
A foice dos teus ceifeiros
trago no peito gravada
Ó minha terra morena
Como bandeira sonhada

Continua...
Publicado por Zecatelhado às novembro 22, 2004 10:18 PM