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novembro 27, 2004
-Lá Vem a Nau Catrineta (Nov.II)

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar
D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
P'lo Tejo abaixo zarpara
a Norte virando a proa
a Barcelos já rumara
dizendo adeus a Lisboa
Cumprida a primeira milha
surge à ponte de comando
o chefe da camarilha
o dono-mór desse bando
Logo atrás do Capitão
surgem os oficiais
da Saúde, Educação,
Planeamento e outros tais
Em amena cavaqueira
vão afinando as agulhas
de como acender a fogueira
tentando evitar faúlhas
Ó Senhor D. Santanás!...
não esteja preocupado...
-ouve-se a voz lá atrás
de um distinto convidado-
...Se alguém ousar destoar
leva logo no toutiço
pode você descansar
que eu tomo conta disso!
Mas quem era o galifão
que urrava dessa maneira?
Era o Alberto João
O Vice-Rei da Madeira
Tendo à vista D. Alberto
quem ousaria afrontar?
seria mais do que certo
a morte ali encontrar
Assim com as costas bem quentes
descansava Santanás
no meio das suas gentes
mas não reparou que atrás...
mui sorrateiro seguia
a meia milha se tanto
alguém que a sorrir ouvia
a besta de Porto Santo
Num submarino pequeno
mas equipado a rigor
escutando tudo em pleno
um outro Capitão-Mór
que em tempos já mui distantes
a nossa nau comandara
mas das artes navegantes
nunca ele se olvidara
Fazendo-se acompanhar
de mais dois conspiradores
também se fizera ao mar
com esses dois seguidores
Eram eles: D. Aníbal
D. Mendes e Manuela
que visto ser impossível
seguirem de caravela
lá se tinham arranjado
com um amigo americano
pedindo-lhe emprestado
este esquife bem bacano
Raivoso, de meter medo
diz D. Mendes foribundo:
disparemos um torpedo
que leve a barca pr'o fundo!
maldito D. Santanás
tu vais ver meu safadão
do que Mendes é capaz
apesar de ser anão
Começa já a rezar
D. Santanás, meu estupor
e a alma a encomendar
ao teu bom Deus criador
vou-te já dar o arroz
meu distinto carapau
a ti e a quem te pôs
a comandar essa Nau
Feche lá a cloaca
e pense lá um bocado,
ó seu cabeça de caca
seu anãozinho danado!
ora baixe lá a bola
e não diga mais asneiras
tenha juízo na tola
e parai com as brincadeiras
Só eu o distinto Aníbal
iluminado e sagáz
ditarei como é possível
lixar o D. Santanás...
Ora nem mais, meu senhor!
dizei-nos o que fazer
e tu minorca, por favor
ouve quem sabe a valer
da arte de marear
nas águas politiqueiras
ouve, aprende a pensar
e não digas mais asneiras
Era Dª Manuela
essa velhinha forreta
a mui famosa donzela
que andara na Catrineta
ex-tesoureira da Nau
inimiga até mais não
do distinto carapau
que era agora capitão
...Qual foi a estratégia então,
que haveis vós planeado
p'ra dar cabo do coirão
àquele tratante safado?
perguntava a bruxa velha
sentada sobre um caixote
enquanto punha uma relha
na boca do pequenote
Só temos que estar a pau
é preciso é estar atento
ao rabo do carapau
que nunca pára um momento
vaidoso como ele é
de nariz sempre empinado
p'rápanhá-lo em contra-pé
é só esperar um bocado
Tem a mania que é esperto
o pobre João Ratão
mas no fim é mais que certo
vai cair no caldeirão
foi uma ideia excelente
deixar que este sabujo
pudesse fazer prá gente
o trabalhinho mais sujo
Quando sentir os pés presos
e der o dito por não dito
nós escapamos ilesos
e o carapau fica frito
E os marujos descontentes
só Santanás culparão
e a nós, seus oponentes
os seus salvadores verão
dar-nos-ão de mão beijada
mais uma vez a barcaça!
vêem como não custa nada
enganar a populaça?
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Publicado por Zecatelhado às novembro 27, 2004 03:01 PM