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dezembro 06, 2004

-História da Canção de Resistência ( 4 )


... ou "Música de Intervenção, ou "Canto Livre", nos Anos 60 e 70.
---cont.
É outra das figuras de proa da música da Resistência;

JOSÉ MÁRIO BRANCO

Músico, compositor e cantor, nasceu no Porto em 1942. Estudou História na Faculdade de Letras de Coimbra, e aos 21 anos vai para o exílio em França, onde permanecerá até ao 25 de Abril de 1974.
Em Paris, desenvolve intensa actividade em grupos culturais, participando em vários espectáculos para emigrantes portugueses. Em 1967, lança o seu primeiro com um E.P. intitulado " Seis Cantigas de Amigo ".
É também em Paris que o cantor trabalha com José Afonso, fazendo os arranjos e a direcção musical do disco " Cantigas do Maio ", em 1971. " Foi a experiência mais conseguida que tive com o Zeca. Tenho uma grande admiração pelo seu génio e foi com ele que realmente formei o melhor de mim como arranjador e director musical ".
O ano de 1971 seria decisivo para a carreira do próprio José Mário Branco, pois é o ano de " Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades ", o disco com que se tornou conhecido e que representa uma viragem no panorama da música portuguesa.
José Mário Branco viria a trabalhar mais vezes com José Afonso, nomeadamente em " Venham mais cinco " ( 1973 ).
Depois da revolução, o cantor volta a Portugal. É fundador dos GAC ( Grupo de Acção Cultural ) e percorre o país fazendo espectáculos e participando em dinamizações culturais. Faz música para teatro e para cinema e colabora em diversas iniciativas.
Os anos 80 são os da catarse, a descida aos infernos da desilusão, o ajuste de contas com uma geração e os seus fantasmas. " Ser Solidário " e "F.M.I." são os testemunhos gravados disso mesmo.
É difícil também com o Zé, escolher uma letra que possa pôr em destaque. Mais uma vez escolhi uma das menos trauteadas mas muito, muito bela; Chama-se Fado da Tristeza, com letra e música da sua autoria, que podem apreciar no Álbum " Ser Solidário ". Porque a escolhi? Vocês compreenderão.

FADO DA TRISTEZA

Letra e Música de José Mário Branco
In: " Ser Solidário " 1982

Não cantes alegrias a fingir
se alguma dor existir
a roer dentro da toca
deixa a tristeza sair
pois só se aprende a sorrir
com a verdade na boca

Quem canta uma alegria que não tem
não conta nada a ninguém
fala verdade a mentir
cada alegria que inventas
mata a verdade que tentas
pois é tentar a fingir

Não cantes alegrias de encomenda
que a vida não se remenda
com morte que não morreu
canta da cabeça aos pés
canta com aquilo que és
só podes dar o que é teu

Continua...

Publicado por Zecatelhado às dezembro 6, 2004 08:02 PM