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março 24, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta ( 43)


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Sobe à gávea sem demora
meu marujinho real
e diz-me aqui nesta hora
que se passa Portugal
Assenta bem a luneta
e abre-me esses radares
quero a descrição correta
de tudo o que lobrigares

-...Lobrigo meu capitão
muitas bandeiras vermelhas
e uma grande multidão
de gentes novas e velhas
dão vivas não sei a quem
são para aí seis milhões
vejo mas não ouço bem
qualquer coisa...campeões

Isso são os do Benfica
Já a fazer o "festum"
vendo o final da larica
de dez anos de jejum
Esperemos que essa cegada
não lhes possa dar pr'ó torto
e a marcha vire azulada
nas avenidas do Porto

Mas que vês mais marujinho
que mais ouves, diz-me lá
-...Vejo que chove fininho
e muito pouco por lá
Nem rezas, choros e prantos
Parecem querer convencer
Sáo Pedro e os outros santos
de mandar chuva a valer

Ó gente da Catrineta
mas que seca mais danada
quando abrirmos a agulheta
e não virmos correr nada
Quando o calor fôr tamanho
e a malta suar em bica
água para tomar banho
só se fôr na Caparica

Mas que mais ouves e vês
nesse nosso Portugal?
-...Já entendi de uma vez
porque estou a ouvir mal
Chamai a vós o D. Costa
não me pergunteis a mim
contar-vos-à a marosca
toda tim-tim por tim-tim

Marosca!? Mas qual marosca?
não há som nesse radar?
mas que se passa D. Costa
porque é que o som foi ao ar?
-Foi há algum tempo atrás
meu mui nobre capitão
no mando de Santanás
esse valente aldrabão

Para pagar uns favores
a um Sanches não sei quantos
e uns outros doutores
do altar dos mesmos santos
Trataram de abrir concurso
com mais três fornecedores
p'ra fazer figura de urso
cobrindo a trampa com flores

Acontece que eu, D. Costa
descobri a sacanada
tirei as flores da bosta
e vi a trampa engendrada
Dei logo ordens na hora
p'ra limpar o abcesso
e tratei mesmo 'inda agora
de encetar novo processo

Por isso ó minha gente
vamos ter que aguentar
-...Fizeste bem meu tenente
limpinho se deve andar
Antes surdos que cagados
antes mudos que corruptos
não queremos ser acusados
de sujos pelos Abrupto(s)

D. Pedro, vinde até cá
algo vos quero ditar
D. Augusto anunciará
o que vais escrevinhar:
Quero esta Nau a brilhar
desde a proa até à ré
ai de quem a emporcalhar
que é corrido a pontapé.

Autor: Zecatelhado-in: www.tadechuva.weblog.com.pt - Blogue: Tadechuva II

Publicado por Zé do Telhado às março 24, 2005 09:15 PM