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novembro 12, 2005

* Lá Vem a Nau Catrineta ( 56 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar

Estava o pobre Capitão
no camarote enterrado
e muito preocupado
p'lo estado da embarcação
tudo da gávea ao porão
em risco de sossobrar
por isso urgia encontrar
a tábua da salvação

"Ai de mim que estou metido
num colete de onze varas
ouve Zé, se tu não paras
vais ao fundo, é bem sabido
pois bem, o trunfo escondido
chegou hora de o jogar:
Ó do leme, toca a andar
já estou mais que decidido!
"

"E qual o rumo a tomar
D. José, meu Capitão?"
"Rumo ao Sul, vento Suão
até eu mandar parar
agora vou ordenar
ao contramestre Varela
que suba tudo o que é vela
quero esta Nau a voar!
"

E por sobre o mar voou
a ditosa Catrineta
desde Belém à Fuseta
e o Algarve ultrapassou
sempre a voar não parou
galgou a costa africana
em menos de uma semana
quando D. José bradou:

"Alto aí, toca a travar
que já vejo o Bojador!"
"E agora , meu Senhor?..."
"Ruma p'ra lá, toca a andar!"
"Mas que quereis vós encontrar
nesta latitude agreste?"
"Ainda não entendeste?...
Vou d'encontro'Adamastor!

Ó da furna!... Ó do Penedo!...
onde estás, ser secular?"

-nisto um ronco de aterrar
fez borrar tudo de medo-
"Quem me chama assim tão cedo?
Quem ousa vir-me acordar?"
"Sou eu, ò monstro do mar
porque estás tu tão azedo?"

"De quem são a embarcadura
e as velas onde me roço?!..."

- disse rodando, imundo e grosso
a horrenda criatura-
"Ouve bem, cabeça dura
não armes em carapau
e não te encostes à Nau
que lhe estragas a pintura

Fica a saber que a barquinha
ó monstro horrível de um raio
é de El-Rei Jorge Sampaio
cognome O Cenourinha!..."
"E o cordame, a balsinha
a gávea que agora toco?"
"Mas tu por acaso és mouco?!
são de El-Rei D. Cenourinha!"

"Espera lá...eu já cantei
esta lenga-lenga, ó meu!...
foi com um tal Bartolomeu
a quem com o qual me passei!...
depois disso até fiquei
de cama o Inverno inteiro
ah! maldito marinheiro
mais sem medo nunca achei!...

Assim, p'ra eu não viver
tal cena mais uma vez
diz, Capitão português
que vieste aqui fazer?"
"Ora então não estás a ver
mostrengo grosso e imundo
que vive no fim do mundo?...
vou à Índia abastecer!...

Ouro, pimenta, acafrão
cravo, canela, aloês
e fico rico outra vez
tal como El-Rei D. João
vais ver que a minha nação
da Catrineta encantada
virará menos de nada
próspera e rica como então!"

"Olha este, está chalado
pirou de vez, coitadinho
e daqui a bocadinho
também eu fico pirado
confesso; estou saturado
Portugueses? Ó Deus meu!
primeiro um Bartolomeu
e agora este chanfrado!...

Ouve lá ó meu estarola
vê se fazes marcha a ré
e pára de ser choné
vê se bates bem a bola
arça as velas, dá à sola
que o tempo desses eventos
foi na era de quinhentos
e a malta era de outra escola!...

Sereis sempre uns desgraçados
homens da Nau Catrineta
o baú não leva cheta?...
nem ao menos dois cruzados?...
perguntem aos arvorados
essa súcia de ladrões
roubam milhões e milhões
e nunca estão saciados!"

Autor: Zecatelhado- em: www.tadechuva.weblog.com.pt


Publicado por Zé do Telhado às novembro 12, 2005 12:32 PM

Comentários

Muito bom:) Adoro estes poemas da nau catrineta, a sátira que fazes:-) beijos

Publicado por: wind em novembro 12, 2005 01:10 PM

A NAU DO ZECA TELHADO

E nessa tua Nau Catrineta,
que muita gente anda a gostar
Não tenhas a critica serena,
para a reacção não passar
Se não, ela vem por aí fora,
Nossos espíritos incomodar
Zeca, tua Nau a malta adora,
fica sempre a Naucatrinar
Para tua sátira lhes fazer doer,
grita Abril, até que a voz te doa
Manda os gajos todos comer,
porque a revolução é coisa boa
Obrigado pelas tuas Naus
que rolam como uma esfera
São bonitas e dão tautaus
a muitos da blogosfera

um abraço
de: fernando ramos

vou publicar em
www.meuslivros.weblog.com.pt

Publicado por: fernandoramos em novembro 12, 2005 04:55 PM

Na época de Quinhentos fomos à Índia e ao Brasil ao ouro e à pimenta e o resultado foi o que (não) se viu!
Quinhentos anos depois, a Nau Catrineta demandou a Europa, regressou com os porões atulhados de euros e o resultado é o que (não) se vê!
Desgraçadamente, a história repete-se…

Grande abraço
Maio

Publicado por: Maio em novembro 12, 2005 05:46 PM

Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
se a Razão mesmo vencida,
não deixa de ser Razão?

A.Aleixo...

Publicado por: jgonçalves em novembro 12, 2005 07:03 PM

Sempre oportuno!
Passei para te desejar um bom f de semana.
Beijos.

Publicado por: dulce em novembro 12, 2005 07:10 PM

É sempre neste cantinho
que visito a Nau Catrineta
onde tu, e de mansinho
cascas nos governantes da treta

Com um abraço do Raul

Publicado por: congeminações em novembro 12, 2005 09:07 PM

ó país de marinheiros
já não tem sardinha
foram-se os timoneiros
que raio de marinha!

Publicado por: hammer em novembro 13, 2005 12:04 AM

Sem duvida mais um(a) grande poema (nau)com grande sentido de navegar nestes mares ternebrosos.
Deixo-te o meu grande abraço de amizade.
Paulo

Publicado por: paulo em novembro 13, 2005 08:52 AM

Já que tudo trova, trovo eu, também:

com mil trovas de encantar
cá vem o ZecaTelhado
numa nau vem embarcado
sem trava-línguas nos dar
zarpou na tal Catrineta
goza e grita à tripa-forra
a alma até se desforra
zurzindo em toda esta treta

dá-lhes forte e bem assente
sem nunca perder o norte
que à vileza há que dar forte
em dobro o que dá à gente
houvera mais navegantes
quais Zecas de mãos no leme
e este povo que geme
de anões faria gigantes

por aqui quedo amigão
com meu sorriso à lapela
e embarco na caravela
p'ra te dar um abração
e já agora por cá fico
com afinco sopro as velas
se não fazemos por elas
vamos todos p'ró penico!...

Publicado por: OrCa em novembro 13, 2005 11:50 AM

Boa Zeca, não te faltam motivos e a inspiração não te há-de faltar certamente.
um abraço
graziela

Publicado por: grzl em novembro 13, 2005 04:53 PM

Amigo Zeca! Raio de país este de mares tumultuosos e tempestades sem fim á vista! O mar que antes nos tornou famosos agora não nos salva! Ah, salvem-se pessoas como tu, para que isto de endireite! Ao menos a tua Nau nunca vai ao fundo!

Beijinhos grandes e amigos,
Malae********************

Publicado por: Malae em novembro 14, 2005 01:04 AM

Zeca - eu não quis melindrar ninguem - está lá escrito:
"a Fé é assunto do foro íntimo de cada um e deve ficar dentro das Igrejas"
o problema está na ocupação da via pública, com obras que não as do interesse do bem colectivo, aliás, não tem mesmo nadinha a ver com isso - mas tão só com a eleição da múmia para presidente.
grrrr!

Publicado por: xatoo em novembro 14, 2005 01:53 PM

Força Zé!
Que a tua Nau nunca deixe de navegar.
Que continue a ser a voz que tantos de nós gostaríamos de ser capazes de ter.
Um abraço e uma óptima semana.

Publicado por: Pássaro Azul em novembro 14, 2005 04:17 PM

Mais uma deliciosa nau catrineta.
Zé poeta e trovador, toma cuidado e fica avisado, não vá a tua nau ainda vir a ser timonada, por um capitão de gancho e canracudo, que no comando, segundo ele diz, nunca se engana.
Um abraço. Augusto

Publicado por: augustoM em novembro 15, 2005 02:08 PM

Como viverei sem os teus versos, tuas acutiantes palavras?

É que, se me apanha, a titas mata-me;venho dizer adeus, tenho que 'cavar' daqui para fora!

se eu sobreviver, voltarei...
§(~_~)§ beijo da Afrodite
(uma carinha d'anjo num corpo espectacular, com tudo no sítio, muito dentro do prazo, sem aditivos nem silicones)

Publicado por: afrodite em novembro 16, 2005 07:33 AM

acutilantes...

Publicado por: afrodite em novembro 16, 2005 07:33 AM

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