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dezembro 09, 2005
* Lá Vem a Nau Catrineta ( 57 )

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...
De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar
Subia o sol no horizonte
a noite cedendo ao dia
quando um berro do vigia
p'ró contrameste na ponte
fez saltar a malta em monte
do porão para o convés
embrulhando mãos e pés
que nem sei como vos conte
Mas afinal que razão
originou tal desnorte?
só um motivo assaz forte
justificava essa acção...
"Chamai já o Capitão
porque a coisa cheira a esturro
e eu confesso, sou burro
não acho explicação!"
Ora D. José escutara
os berros no camarote
e as corridas a trote
que a turba inteira encetara
até a barca adernara
sem contrapeso a estibordo
com a molhada a bombardo
que a dita visão juntara
E que topou o vigia
da formosa Catrineta
ao apontar a luneta
para o Sul ou Meio-Dia?
Era isto que ele via:
um'eronave amarada
que parecia abandonada
pois nem vivalma se via
"O que é que se passa aqui?
estão loucos vossemecês?
'Inda adornamos de vez
se se junta tudo aí!..."
"Mas Capitão, olhe ali
a bombordo, mesmo em frente
p'ra onde olha toda a gente
que eu acaso descobri!"
"Realmente bué esquisito
não se vislumbra vivalma
a mais completa calma
dentro do aviãozito...
escuta bem ó marujito
faz-me descer um escaler
vamos já esclarecer
este mistério maldito!"
E no escaler embarcaram
três homens e o Capitão
com um mosquete na mão
ao hidroavião rumaram
P'ra cima deste se içaram
com as armas aperradas
e com seguras passadas
a inspecção começaram
Da cauda até ao focinho
não encontraram ninguém
mas algo estranho porém
estava ali naquele cantinho
era um caixote novinho
daqueles tipo exportação
vai daí o Capitão
sussurrou assim baixinho:
"Que conterá o caixote?..."
"O Capitão quer que o abra?
está ali um pé de cabra..."
"Quieto meu franganote
ou 'inda voltas p'ró bote
pode estar armadilhado
percebes-te pequenote?
Não vês o que ali está escrito?
«Made in Afeganistão
via Iraque e Irão»
logo o caixote é maldito
E aqui está um sobrescrito
com uma carta a dizer...
«Aí te mando o Yasser
pronto a ir p'rá infinito...!
Mandarás, tenho a certeza
o recibo, querida diva
já com o desconto do IVA
tudo legal e em beleza
não é, doce Condollezza?
que plano divinal
esta operação "Pai Natal"
que acertámos à mesa!"
"Macacos me mordam já
se estiver a perceber..."
"Eu cá não estou mesmo a ver!..."
"E eu igualmente, pá!..."
" Pois bem marujos eu cá
percebi perfeitamente!"
"E não vai contar à gente?
"Vá Capitão, diga lá!..."
"O que está aí fechado
é um bombista suicida!..."
"Um bom... ai a minha vida!..."
" Tem lá calma ó meu borrado!...
enquanto estiver trancado
não vai haver perigo algum
de que o tipo faça PUM
e que vire toucinho assado
Calma, deixem-me pensar...
já pensei: Vamos a isto...
que nos valha Jesus Cristo
se o meu plano falhar!...
Muito bem, vou começar:
Ó de dentro, ó do caixão!..."
...estás-me a ouvir bem ou não?...
...Yasser toca a'cordar!"
"Por Alá, alguém me chama?..."
ouviu-se uma voz que vinha
bem do fundo da caixinha
com o sotaque da moirama
"...Sou eu, Yasser Mhoama
podem abrir isso já
a este filho de Alá
da grande AlQueda de Osama!"
Os marujos aterrados
escutavam atentamente
borrados, batendo o dente
com os olhos gaseados
"Por Deus, estamos lixados
o cabrão vai explodir
e não podemos fugir
vamos voar em bocados"!
"Nós vamos agora abrir
a caixa com o pé de cabra
mas dá-me a tua palavra
que assim que possas sair
nos dirás sem nos mentir
e antes de irmos p'lo ar
porque é que nos queres matar
percebeste?... Estás-me a ouvir?!...
Pára de ganir morcão
pega lá na ferramenta
levanta a tampa e aguenta
que eu já agarro esse cão
estarei pronto p'rá acção
vou saltar e enlaçá-lo
dar-lhe um murro e amarrá-lo
antes que prima o botão!"
Tal como planeado
p'lo capitão corajoso
o assassino andrajoso
foi de pronto dominado
"Agora estás desarmado
tirei o cinto com a bomba
e vou-te partir a tromba
meu veri-light frustrado
Fica a saber meu menino
que confessas, olarelas!...
ou meto-te p'las goelas
quilo e meio de suíno
diz lá velhaco assassino
terrorista de um cabrão
meu filhote do Alcorão
meu sarraceno cretino!..."
"Pelas barbas de Maomé
porco não!... vou confessar
o que eu queria era ganhar
o prémio de Alá eh,eh!...
"E esse tal prémio é?..."
Setenta virgens senhor
que são dadas de favor
aos mártires da nossa fé"!
"Ah,ah,ah! ó meu otário
bateste na porta errada
tu aqui não ganhas nada
amostra de dromedário
as tugas meu ordinário
da Fuseta a Guimarães
ficam sem os três vinténs
mal entram no secundário"!

Autor: Zecatelhado- em: www.tadechuva.weblog.com.pt
Publicado por Zé do Telhado às dezembro 9, 2005 05:50 AM
Comentários
Sempre impagável, Zeca!! Beijinhos, bom feriado
Publicado por: Paula Raposo em dezembro 8, 2005 04:24 PM
Continuas na senda de Gil Vicente. Diz contigo!
Um beijo de bom feriado e para quem pode, bom fim de semana!
Publicado por: dulce em dezembro 8, 2005 07:52 PM
Espectacular. Sempre actual e satírico:) beijos
Publicado por: wind em dezembro 8, 2005 11:00 PM
eheheh... Do melhor, meu caro. Esta tua Nau é uma verdadeira Arca do Não É!
Um grande abraço! E de explosões, só as efusivas e com gargalhada.
Publicado por: OrCa em dezembro 9, 2005 01:06 AM
LANÇAMENTO DE LIVRO...
Leitores e Amigos,
Esta sexta-feira (09/12/2005) o poeta Paulo C. Silva, irá fazer o lançamento do seu 1.º Livro Relatos de uma vida, a realizar no Auditório do Diário do Sul (Évora) pelas 18h00.
Neste livro, o autor descreve-nos os encontros e desencontros de uma vida atribulada… Um livro de prosa e poesia…
Vamos lá estar... Não faltem!
Publicado por: Copyright © Nocturna em dezembro 9, 2005 02:58 AM
LANÇAMENTO DE LIVRO...
Leitores e Amigos,
Esta sexta-feira (09/12/2005) o poeta Paulo C. Silva, irá fazer o lançamento do seu 1.º Livro Relatos de uma vida, a realizar no Auditório do Diário do Sul (Évora) pelas 18h00.
Neste livro, o autor descreve-nos os encontros e desencontros de uma vida atribulada… Um livro de prosa e poesia…
Vamos lá estar... Não faltem!
Publicado por: M&D em dezembro 9, 2005 03:19 AM
Por mais mal que corra o dia... chegamos ao tadechuva e tudo passa. Este"HOMEM" é o máximo.
Obrigado pelos bons momentos.
Publicado por: xico manel em dezembro 9, 2005 06:09 PM
O gajo andava era das virgens, mas que pesadelo.Ah grande fibra poetica ó meu amigo como sempre andas contundente.
O meu abraço de amizade.
-Para que saibas este blogue-http://www.rosapreta.blogspot.com/- pertence-me e obrigado pelas tuas visitas, e continua -me a visitar.
As minhas portas estão sempre abertas para receber-te.
Paulo
Publicado por: paulo em dezembro 9, 2005 10:02 PM
O gajo andava era atrás das virgens.
Publicado por: paulo em dezembro 9, 2005 10:03 PM
Afinado e inspirado de há uns tempos a esta parte.
um abraço,
Francisco Nunes
Publicado por: planície Heróica em dezembro 10, 2005 12:23 AM
Eu acho que deviam por a nau catrineta em prosa, assim é uma merda!
Publicado por: margarida pinto em maio 27, 2006 01:19 PM