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janeiro 30, 2006
* Para onde vais Manel?!
Alegre vai criar «movimento aberto de cidadãos»
O ex-candidato à Presidência da República Manuel Alegre anunciou, este sábado, a criação de um «movimento aberto, plural e transversal de cidadãos», com base na estrutura de apoio à sua candidatura, orientado para a «discussão de grandes temas».
Ora aqui está o que eu estava à espera; As primeiras reacções de quem obteve 20,68% dos votos expressos. Na altura perguntei eu, e perguntou muita gente,: "E agora, o que vais fazer Manel?"
Pois parece que o nosso poeta está com a cabeça feita num molho de bróculos. Arranjou um belíssimo 31 sem dúvida nenhuma.
Não acredito que vá sair daqui nada de importante, e bem gostava de estar enganado, juro. Manuel Alegre não vai ter coragem para romper com trinta anos de SISTEMA a quem serviu nem a abdicar dos previlégios que granjeou ao fim deste tempo. Como soi dizer-se, a montanha vai parir um rato. A maioria que segue o Manel é gente desse SISTEMA e tarde ou cedo iria empurrar algo que se organizasse "à margem" para o carreirinho que a gente sabe. Aceitam-se apostas, embora reafirme, gostava de ser perdedor, a sério.
Publicado por Zé do Telhado às janeiro 30, 2006 10:55 PM
Comentários
Concordo apenas parcialmente contigo. No que toca a muitos dos que apoiaram Alegre, posso esclarecer-te que eu e muitos outros que o fizemos nunca poisamos em nenhum partido razão porque não se aplica a nenhum de nós o mesmo que se aplicará a uns quantos que efectivamente pertencem ou pertenceram a partidos e querem tentar uma nova chance. Quanto à ideia de Alegre que aprovo inteiramente não é mais do que o mesmo que tu, eu Biranta e muita gente da blogosfera tem defendido que é a criação dum forum onde se devem discutir questões de interesse nacional e fazê-las depois chegar ao parlamento, através duma espécie de grupo de pressão. Que aches Alegre a pessoa não indicada para o efeito isso é outra questão. Com
um abraço do Raul
Publicado por: contradicoes em janeiro 30, 2006 08:12 PM
Inteiramente de acordo. Pena é que a ideia não seja nova. Manuela Magno já lançou a primeira pedra para o MAC: Movimento Afirmação de Cidadania. Essa sim, livre de qualquer vínculo partidário. Manuel Alegre, por muito boas e nobres que sejam as suas intenções ao criar este movimento (e acredito que sejam), não deixa de ter associado o estigma da partidocracia. Afinal, o seu protagonismo na nossa sociedade cresceu associado a um partido.
Penso eu...
Publicado por: Periscópio em janeiro 30, 2006 08:49 PM
Interessante ter já pensado nisso... M Alegre acabou por criar um "bico-de-obra" no bom sentido, mas que se transformará numa vaga utopia, não por ser errado o que pensou ou contestou, mas porque só tem dois caminhos:
- contesta frontalmente as estruturas do PS
- torna-se um dissidente
e dissidente já é com muitos milhares de cidadãos...
abç
Publicado por: hammer em janeiro 30, 2006 09:31 PM
Raúl;
Quando me refiro a muitos que gravitam à volta do Manel, obviamente não me refiro a ti nem aos cidadãos anónimos que seriamente se empenharam no apoio ao candidato, refiro-me isso sim os abutres que gravitam à volta do Manel, à espera de uma oportunidade para entrarem no bodo que todos conhecemos.
Quanto ao Manel não ser a pessoa indicada, eu não disse isso, disse que não acreditava que ele conseguisse cortar com 30 anos de SERVIÇO À CAUSA, mas como disse também, espero estar profundamente enganado, e juro que não estou a ser cínico, abomino esse sentimento.
Periscópio;
Tive a oportunidade de dizer isso mesmo à Manuela Nagno no sábado passado. Movimentações dessas são todas bem vindas.
Hammer;
Tocaste na ferida, meu amigo. Pois é.
Um @bração para todos vós
Zecatelhado
Publicado por: zecatelhado em janeiro 30, 2006 10:50 PM
Sempre acreditei na Esquerda dos valores e na utopia de uma sociedade justa e solidária. Mas, desde os tempos da faculdade, em que fui militante do saudoso MES, nunca mais pertenci a qualquer confraria partidária. No entanto, embora ache que os movimentos de cidadãos podem desempenhar um papel importante na formação da consciência democrática e no combate à "partidocracia", julgo que o Estado democrático não pode dispensar a existência de partidos políticos, estes ou outros. Caso contrário, abrir-se-ia caminho a um regime em tudo semelhante ao que já tivemos durante 48 anos!
É preciso reinventar a Esquerda. E a reinvenção da Esquerda passa, inevitavelmente, pela reinvenção do seu maior partido, o PS, que é cada vez mais um partido liberal com laivos de social-democracia!
Apoiei Manuel Alegre. Empenhadamente! E fiquei triste com a sua prematura "derrota" à 1.ª volta!
Mas agora, apesar de independente, entendo que ele não deve demitir-se do PS nem dos cargos para que foi eleito! Pelo contrário, os votos de mais de um milhão e cem mil eleitores, que, independentes ou não, são na sua maioria votos genuinamente socialistas, exigem-lhe, mais do que a fundação de um movimento anódino ou de um epifenómeno partidário condenados ao desaparecimento, que ele se afirme corajosamente como alternativa capaz de recuperar o PS como autêntico Partido Socialista, como pilar insubstituível da Esquerda e de uma política de desenvolvimento que não esqueça nunca a solidariedade e a justiça social!
Publicado por: Maio em janeiro 31, 2006 01:38 AM
Os votos em Manuel Alegre candidato a presidente da república esgotam-se nesse mesmo objectivo e não são passíveis de utilização noutro qualquer desígnio. José Sócrates vale mais que Manuel Alegre dentro do PS. Assim o quiseram as estruturas do PS ao elegerem o seu dirigente com 80% dos votos e assim o ratificou o povo portugês ao dar a primeira maioria absoluta ao PS de Sócrates para um mandato de 4 anos. Nessa altura, se o povo não concordasse com a escolha da direcção do PS não dava a maioria a Sócrates. Recorde-se que alegre disputou essa eleição com Sócrates e João Soares. Goste-se ou não estas são as regras da democracia e há que respeitá-las, sob o risco de subvertermos o sistema que tanto elogiamos qdo os resultados vão ao encontro dos nossos desígnios. Daqui por quatro anos (que já são só 3) teremos novas eleições com novos (ou não) candidatos onde cada um fará o que entender com o seu voto, incluindo abster-se para depois criticar um resultado que não foi ao encontro dos seus interesses.
Publicado por: Luís Machado em janeiro 31, 2006 11:09 AM
Acho piada a alguns comentários, como é o caso do do Luís.
Os votos de Alegre não são passíveis de... quer dizer: Alegre, que foi o votado, aquele a quem as pessoas confiaram o seu voto, não pode interpretá-los como achar melhor, não pode "dar voz" a esses cidadãos, mas quem está de fora, como o Luís (ou como eu) já pode opinar e "decidir" o VALOR e INTENÇÕES dos tais votos...
Agora os própriso cidadãos não podem... Porque houve, antes, um conjunto de palermas que acreditaram nas mentiras de Sócrates e que votaram no PS, apesar de Sócrates ter sido imposto ao PS por manobras mafiosas e conspirativas, envolvendo elementos do PSD...
Mas, segundo estas "análises", uma vez caçado o voto, ele deixa de pertencer aos eleitores. No entanto, Sócrates é que devia ter sido demitido e castigado, por ter mentido e por estar a destruir o País.
Não há como negá-lo: actualmente, Alegre é o deputado do PS mais representativo e Sócrate é que devia "tirar as lições" que se impõem.
Infelizmente não acredito que Alegre não se deixe manipular e assuma a responsabilidade de dar voz aos que votaram nele. Se ele não o fizerem, quem perde é a democracia.
Publicado por: Biranta em fevereiro 8, 2006 02:49 PM
Amigo "Biranta" (alcunha, presumo), analisemos então as suas e as minhas palavras de modo mais fino.
Os votos em Manuel Alegre (MA) candidato a Presidente da República(PR)foram-lhe confiados com esse fim específico, não se podendo daí inferir que as pessoas que entenderam ser MA o mais adequado dos candidatos para PR entendam também que o é para primeiro ministro ou para procurador geral de república ou para presidente da câmara de felgeiras ou para outra função qualquer. Entende então o meu amigo que pode extrapolar os votos em M.A. para P.R. noutra qq função e já agora como não gosta do Sócrates entende utilizar esses votos para o substituir na direcção do P.S. Essa é uma forma curiosa de intrepretar a democracia à qual eu lhe devolvo a piada qua encontra nos meus comentários. Se entende que o Sócrates o enganou (já agora gostaria de saber onde) o que tem a fazer, se é democrata, é esperar pelo tempo próprio ( e pela eleição própria) para votar num canditado que ache que não o vai enganar.
Publicado por: Luís Machado em fevereiro 8, 2006 05:42 PM