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março 12, 2006
* Lá Vem A Nau Catrineta... Ou a Peregrinação de José Mentes(?!) Sócrates no reino de D. Sebastão de Boliqueime

Lá vem a Nau Catrineta que tem muito que contar esta nau, disse o poeta, Portugal a navegar, D. Jorge a mandou zarpar p'ra uma nova demanda e é D. José quem comanda a barquinha em alto-mar da Odisseia sem par dos loucos navegadores ouvi agora senhores uma estória de pasmar
Estava a Nau engalanada
festões, flores e lacinhos
trique-traques e estalinhos
não estava faltando nada
banda e música afinada
copos, pratos e talheres
dos tenentes aos alferes
dos cabos à marujada
dos porões à amurada
o cheiro a festa no ar
puseram uma vaca a'ssar
e dez leitões da bairrada
A nobreza e o clero
vinham prestar mordomia
a D. Cavaco "O Austero"
que ao trono da Nau subia
quanto à ralé, só queria
era farra, vinho e pão
carne de vaca e leitão
coisas que ela não comia
há bué, Virgem Maria!...
já que aquilo que ganhava
mal p'ra pão e água dava
no penar dia-a-dia
D. Jorge, o rei que cessava
ia ser condecorado
acto vulgar e estafado
a que já ninguém ligava
nem tão pouco se importava
sendo coisa tão banal
houvera besta animal
que não fosse agraciado?
por estar tão vulgarizado
até a'nedota correra
que o medalheiro morrera
completamente estafado
Fraco e avesso à glória
deste rei pouco ficou
dos fracos não reza a história
alguém um dia afirmou
se em algo se destacou
foi no caso de Timor
aí sim teve valor
em tudo o resto falhou
Ah! a malta também gostou
da sua face humanista
e das lágrimas que à vista
de toda a gente soltou
Assim, rei morto - rei posto
e aí vem D. Cavaco
ar austero, que não gosto
olhar cínico e velhaco
tem queixinho de macaco
olhos piscos de toupeira
pernitas de sapateira
pescoço de guanaco
nariz que parece um taco
dos que há no baseball
voz de belfo em si bemol
cujo timbre é muito fraco
É saloio, ponto assente
campónio feito doutor
sem ofensa ou desprimor
para essa honrada gente
que luta galhardamente
pelo pão do dia-a-dia
"campónio" entre aspas, diria
que é muito mais concludente
assim sendo vou em frente
falando deste algarvio
que me causa um arrepio
sempre que passa à tangente
No mau gosto é bem casado
vêde a Cavaca Maria
p'ra ela azul e encarnado
serão cores em sintonia
quanto aos sapatos dizia:
"Quero-os azuis, côr de mar
ficam-me bem, a matar
como à Raínha Sofia"
desta "campónia" algarvia
uns dizem que no passado
o seu marido malvado
lhe dava um estalo por dia
Foram morar em Belém
Possolo virou passado
rei e raínha estão bem
é em palácio murado
mas estou preocupado
sabem vocês com o quê?
com as varandas, já se vê
esperai só mais um bocado
aposto já foi chamado
o bom mestre serralheiro
para as fechar por inteiro
de alumínio anodizado

Publicado por Zé do Telhado às março 12, 2006 12:36 PM
Comentários
A tua Nau Catrineta
está cada vez mais refinada
com estes politicos da treta
dos quais não perde pitada
A nova primeira dama
vai ter muito que apreender
por agora não engana
já nos deu para perceber
Ainda não tem o perfil
das suas antecessoras
vai pois de ter pedir
muita ajuda a professoras
Para poder aprender
boas regras da etiqueta
para depois convencer
não ser 1ª. dama careta
Com um abraço do Raul
Publicado por: congeminações em março 11, 2006 12:49 PM
Maravilhosa sátira:) O que me ri com a descrição dele.lol. beijos
Publicado por: wind em março 11, 2006 03:12 PM
Ehehehe Lembro-me bem, no sábado passado, desta história das varandas em alumínio!!! Beijinhos, bom fim de semana. Responde ao meu email de há pouco, por favor, antes que eu entre em desespero total!!
Publicado por: Paula Raposo em março 11, 2006 05:49 PM
Un abrazo y un buen fin de semana
Saludos de Guerreiro da Luz y Freyja
Publicado por: Guerreiro da Luz & Freyja em março 11, 2006 09:02 PM
Bem... Como gostaria de ser capaz de gerar tamanha dose de poesia... Bem informada, contundente e... oportuna. E esse "fim" no final, espero que encerre tb uma década de sonolência, demissão e passividade. Mas espero tb que agora não se caia no outro extremo de exagero... O do intervencionismo presidencial.
Publicado por: Rui Martins em março 11, 2006 11:30 PM
Genial a transformação em graça poética desta prosaica e obscura realidade. Bem hajas!
Publicado por: Inês em março 12, 2006 02:33 AM
Já tinha saudads tuas...
Um resto de Domingo cheio de Paz
Jinho
BShell
Publicado por: blueshell em março 12, 2006 04:41 PM
Obrigado pelo destaque da semana, não merecia tanto.
Quanto à Nau, a Nau da nossa triste sina, está demais, devias juntar todas num livro, o nome parte surripado, que ficava bem era As farpas náuticas.
Um abraço. Augusto
Publicado por: augustoM em março 12, 2006 05:56 PM