março 18, 2006

* Lá Vem A Nau Catrineta... Ou a Peregrinação de José Mentes(?!) Sócrates no reino do D. Sebastão de Boliqueime

PEREGRINO.bmp
Lá vem a nau Catrineta
que tem muito que contar
esta nau, diz o poeta
El-Rei a mandou armar
e de Rosa a fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
a barquinha em alto-mar
dessa odisseia sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra estória de pasmar

Já com a família real
na Catrineta instalada
a Raínha e D. Aníbal
o gato, o cão e a criada
a governanta anafada
o mordomo e o jardineiro
o periquito e o cocheiro
o segurança à entrada
deu a barca uma guinada
com tanta força a estibordo
que os que estavam a bombordo
malharam contra a amurada

"...Ó meu Shumacher frustrado
da caravela real
acaso tu estás drogado
meu estúpido animal?!
deves ter ido ao Casal
à barraca do Vassalo
comprar meia de cavalo
e a meia caiu-te mal?
espera aí ó meu pardal
meu carocho safardana
vou-te tocar a pavana
e fazer o funeral!..."

"...Alto e pára o bailarico
ó Rambo da Serafina
se te armas em manjerico
chupas já uma em surdina
vê lá se essa tola atina
que o homem sabe o que faz
há que fazer marcha atrás
e pôr a nau à bolina
acaso alguém imagina
nenhum de vós eu presumo
qual é o caminho ou rumo
que será dado à "menina"?

O que disse El-Rei Aníbal
quando foi entronizado?
que assim logo que possível
a mim seria ordenado
que levasse com cuidado
a nau a porto seguro
por isso aqui vou e juro
que cumprirei o mandado
eu e todo o almirantado
desta barquinha real
que é de El-Rei de Portugal
tal qual como reza o fado..."

D. José, o Capitão
falava, voz seca e dura
pés bem assentes no chão
mãos pousadas na cintura
entrou na ponte na altura
em que a manobra era feita
a nau virava à direita
na mão hábil e segura
da esguia criatura
que ao leme estava plantado
tendo o seu rosto embuçado
com om gorro de lã pura

"...Desculpe lá Capitão
a malta estava a brincar
mas bati com o cú no chão
quando o gajo a fez guinar
agora estou a topar
-perdão se sou indiscreto-
é um agente secreto
quem a nau vai a guiar?!
poderei eu perguntar
-por favor não leve a mal-
continua o Carnaval
ou há baile a preparar?!..."

"...Podes, podes marujinho
só que eu não vou responder
pensas que és engraçadinho?
pois então fica a saber
que adivinhe quem souber
vai à bruxa ou chama a fada
de mim não saberás nada
não sei se estás a entender
se o embuçado quiser
que se revele à geral
até lá meu animal
fica o mistério a moer..."

Virou costas D. José
retrocedendo o caminho
deixando o pobre do André
ali a falar sozinho
juntando-se num molhinho
alguns quantos da ralé
devagar, pé-ante-pé
e sussurrando baixinho
chegaram mui de mansinho
ao homem do leme à ré
que ali estava de pé
firme e hirto, direitinho

O mistério era total
quem seria o mascarado
e porque estava afinal
ao leme um gajo embuçado?!
nisto um miúdo danado
teve uma ideia brilhante
e logo ali naquele instante
chamou os outros do lado
com ar entusiasmado
disse p'rós seus companheiros:
"...camaradas marinheiros
querem isto desvendado?..."

Sentou-se sobre uma amarra
fincou-se em pose fadista
e pegando na guitarra
logo ali ergueu a crista
o miúdo era um artista
um talento de verdade
estava na flôr da idade
e tinha tique bairrista
com o embuçado à vista
soltou a voz melodiosa
qual João Freire da Rosa
no fado da reconquista

A turba ficou espantada
de olhar extasiado
aquela voz cativava
que bem que cantava o fado
foi então que o mascarado
também se deixou levar
decidindo acompanhar
o miúdo no seu fado
perante a admiração geral
descobriu-se o embuçado
era El-Rei D. Aníbal
houve cavanço geral
ficou o fado estragado

Publicado por Zé do Telhado às 07:30 PM | Comentários (5)

março 12, 2006

* Lá Vem A Nau Catrineta... Ou a Peregrinação de José Mentes(?!) Sócrates no reino de D. Sebastão de Boliqueime

PEREGRINO.bmp

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
esta nau, disse o poeta,
Portugal a navegar,
D. Jorge a mandou zarpar
p'ra uma nova demanda
e é D. José quem comanda
a barquinha em alto-mar
da Odisseia sem par
dos loucos navegadores
ouvi agora senhores
uma estória de pasmar

Estava a Nau engalanada
festões, flores e lacinhos
trique-traques e estalinhos
não estava faltando nada
banda e música afinada
copos, pratos e talheres
dos tenentes aos alferes
dos cabos à marujada
dos porões à amurada
o cheiro a festa no ar
puseram uma vaca a'ssar
e dez leitões da bairrada

A nobreza e o clero
vinham prestar mordomia
a D. Cavaco "O Austero"
que ao trono da Nau subia
quanto à ralé, só queria
era farra, vinho e pão
carne de vaca e leitão
coisas que ela não comia
há bué, Virgem Maria!...
já que aquilo que ganhava
mal p'ra pão e água dava
no penar dia-a-dia

D. Jorge, o rei que cessava
ia ser condecorado
acto vulgar e estafado
a que já ninguém ligava
nem tão pouco se importava
sendo coisa tão banal
houvera besta animal
que não fosse agraciado?
por estar tão vulgarizado
até a'nedota correra
que o medalheiro morrera
completamente estafado

Fraco e avesso à glória
deste rei pouco ficou
dos fracos não reza a história
alguém um dia afirmou
se em algo se destacou
foi no caso de Timor
aí sim teve valor
em tudo o resto falhou
Ah! a malta também gostou
da sua face humanista
e das lágrimas que à vista
de toda a gente soltou

Assim, rei morto - rei posto
e aí vem D. Cavaco
ar austero, que não gosto
olhar cínico e velhaco
tem queixinho de macaco
olhos piscos de toupeira
pernitas de sapateira
pescoço de guanaco
nariz que parece um taco
dos que há no baseball
voz de belfo em si bemol
cujo timbre é muito fraco

É saloio, ponto assente
campónio feito doutor
sem ofensa ou desprimor
para essa honrada gente
que luta galhardamente
pelo pão do dia-a-dia
"campónio" entre aspas, diria
que é muito mais concludente
assim sendo vou em frente
falando deste algarvio
que me causa um arrepio
sempre que passa à tangente

No mau gosto é bem casado
vêde a Cavaca Maria
p'ra ela azul e encarnado
serão cores em sintonia
quanto aos sapatos dizia:
"Quero-os azuis, côr de mar
ficam-me bem, a matar
como à Raínha Sofia"
desta "campónia" algarvia
uns dizem que no passado
o seu marido malvado
lhe dava um estalo por dia

Foram morar em Belém
Possolo virou passado
rei e raínha estão bem
é em palácio murado
mas estou preocupado
sabem vocês com o quê?
com as varandas, já se vê
esperai só mais um bocado
aposto já foi chamado
o bom mestre serralheiro
para as fechar por inteiro
de alumínio anodizado


Publicado por Zé do Telhado às 12:36 PM | Comentários (8)

março 03, 2006

* Lá Vem A Nau Catrineta... Ou a Peregrinação de José Mentes(?!) Sócrates II

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Lá Vem a Nau Catrineta Que Tem Muito Que Contar...

De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa odisseia sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra estória de pasmar

Ordenança: Meu Capitão dá licença?
D. José: Podes entrar ó Proença e a seguir fecha a porta que não me quero constipar.
Ordenança: Eu já vos ouvi espirrar, não estareis já constipado?
D. José: Tenho é um macaco agarrado bem no cimo do nariz.
Ordenança: Podeis fazer como eu fiz...
D. José: ???!!!...
Ordenança: Fui buscar uma banana, depois mostrei-a ao sacana e zás!... foi logo ali agarrado, eh,eh,eh!
D. José: Hoje estás muito engraçado, andaste nos copos hã?
Ordenança: Juro que desde a manhã ainda não bebi nada.
D. José: Vamos parar com a tourada e falar de coisas sérias, tarda nada vou de férias e quero a coisa despachada. Vai-me chamar quanto antes o Tenente Mariano.
Ordenança: Um Tenente bem bacano...
D. José: Que venha cá num instante.
Ordenança: É p'ra já meu comandante.

(...)

Ordenança: Meu Capitão dá licença? Está aqui D. Mariano a quem mandaste chamar.
D. Mariano: Não me diga que há azar!...
D. José: Ainda me vou constipar, FECHA-ME A PORTA Ó PROENÇA!... É que estas correntes de ar...
D. Mariano: Você mandou-me chamar?
D. José: Quero ouvir o que é que pensa essa bendita carola, já que é a mais brilhante tola que existe neste navio.
D. Mariano: Grato pelo elogio, podeis pois chutar a bola.
D. José: Então escuta Mariano: Anda para aí um bacano que me pretende convencer da vantagem, estás a ver?, que a energia nuclear à barca pode trazer. Como deves entender, nestas coisas sou um zero, por isso peço e espero que ajudes a resolver.
D. Mariano: Estou a ver, estou a ver... que achais à primeira vista?
D. José: Não tenho a mínima pista, não sei se é bom ou se é mau. Eu sou das engenharias, mas aquilo que é verdade é que a minha especialidade são as sanitas... e pias!
D. Mariano: O chamado saneamento...
D. José: Isso, esgotos para vazamento da caca que a gente faz.
D. Mariano: Vamos ver se sou capaz de o poder ajudar.
D. José: Que achas do nuclear, será ou não vantajoso?
D. Mariano: Hoje é bem menos perigoso do que aqui há um tempo atrás.
D. José: Mas que vantagem nos trás?
D. Mariano: Dei um dia a D. Burroso essa resposta, aliás...
D. José: Ai o olho de goráz já te havia sondado?!
D. Mariano: Uma vez que fui chamado a prestar opinião.
D. José: E que lhe disseste então?
D. Mariano: Que era assunto delicado e há que pesar muito bem se o risco é compensador, tendo ao nosso dispôr outros tipos de recursos.
D. José: Ou seja: Não sermos ursos e comprar sem pensar bem?
D. Mariano: Isso mesmo, ora aí tem! Sendo um país em que o vento pode ser aproveitado, barragens por todo o lado e sol a todo o momento...
D. José: ... costa a todo o comprimento que permite aproveitar a energia constante que são as ondas do mar...
D. Mariano: Vejo que está a topar muito bem o que eu lhe digo.
D. José: ... E por mais segura há o perigo do desastre nuclear
D. Mariano: Era aí que ia chegar: Embora mui mais segura a cisão ainda é hostil, lembre-se de Chernobyl, uma prova pura e dura. Ainda hoje a morte perdura na terra contaminada onde não cresce mais nada, morreu tudo nessa altura.
D. José: Bem... depois dessa pintura no quadro que apresentaste, do modo como falaste... já formei opinião...
D. Mariano: E?...
D. José: ... E não creio haver razão que justifique ordenar que a central nuclear tenha base neste chão. Enquanto existir cisão não vale a pena arriscar, talvez possamos falar entrando em cena a fusão.
D. Mariano: Portanto é NÃO Capitão?
D. José: Claro, estou elucidado. Lembro que ainda há bocado estava eu a fazer contas, e tinha-as quase prontas, confesso estava tentado, mas agora iluminado por tão brilhante carola, revivo o grito da escola:

NUCLEAR? NÃO, OBRIGADO!

Publicado por Zé do Telhado às 11:07 AM | Comentários (7)

fevereiro 18, 2006

* Lá Vem A Nau Catrineta... Ou a Peregrinação de José Mentes(?!) Sócrates I

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Lá Vem a Nau Catrineta Que Tem Muito Que Contar...

De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa odisseia sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra estória de pasmar

Vigia: Barco à vista!...Bar...

Tenente: Já te ouvi ó meu artista, vê se paras com o chinfrim, é veleiro ou bergantim?

Vigia: É chalupa, isso sim!

Tenente: De Canas de Senhorim?

Vigia: !? De onde?!

Tenente: Esquece, estava a pensar noutra alhada.

Vigia: Tem a flâmula hasteada, vejo bem, é do Irão.

Tenente: E vem nesta direcção?

Vigia: Em rota de colisão.

Tenente: Ó diabo, outra cegada!
(para um dos marujos) Vai já chamar D. Diogo e também o Capitão. (para o armeiro da Nau) Arma canhão a canhão e prontos a fazer fogo; E chama-me os enfermeiros.

Vigia: E o corpo de bombeiros?

Tenente: Podes chamá-lo também, cheira-me a caldo entornado.

Vigia: A mim a nada me cheira (snif), mas como estou constipado...

Tenente: Vê se estás mas é calado e não digas tanta asneira

(Chegam o Capitão D. José e D. Diogo)

D. José: Passa-me lá a luneta; anda então na costa um mouro?

Vigia: Não vislumbro bom agouro p'rá pobre da Catrineta...

D. Diogo: Vê se calas a trombeta e dás à sola tesouro! Junta-te lá à gandula que é aí o teu lugar.

Tenente: Eu já o mandei calar, teimoso como uma mula!

D. José: Dá à sola zé caçula que agora é com quem usa a mona, não para quem tem por cabeça um caroço de azeitona.

D. Diogo: Eh,eh,eh,eh,eh,eh,eh! vai correndo numa fona, sois danado D. José, têm-vos cá um cagaço!...

D. José: Se os deixo tocar-me o braço, podeis querer que estou tramado. ( olha pela luneta) Juro que a fronha do persa já a vi em qualquer lado...(passa a luneta a D. Diogo).

D. Diogo: Ah! pois já o viu carago! foi na segunda ou na terça?... é o mouro destemperado embaixador do Irão...

D. José: Pois é, tendes razão, que quererá esse doutor?!

D. Diogo: Eu sou franco meu senhor, não faço a mínima ideia! (a chalupa aproxima-se e hasteia bandeira de pedido de acostagem) Não deteto hostilidade na chalupa da moirama...

D. José: Quando conheci Osamma também só vi santidade, e no entanto... foi aquilo que a gente sabe. Estejamos nós preparados para o que der e vier.

(Barcos acostam. Mouro sobe à Catrineta)

Embaixador: Sabah el- khayr!

D. José: Bom dia para si também. Sede vossa senhoria bem vindo à Catrineta, mal o mirei na luneta foi grande a minha alegria; tão ilustre visitante é sempre enorme prazer.

Embaixador: Venho só agradecer (para D. Diogo)a vossa (para D. José) e a vossa mercê.

D. José: (!?) Juro que não estou a ver (!?) mas agradecer o quê?!

Embaixador: A posição ora então!?... que ambos vocês tomaram quando uns pulhas publicaram ofensas ao Grande Islão!

D. José e D. Diogo: Àhhhh!!!!!

Embaixador: E tocou-me o coração a forma como (para D. Diogo) o senhor com bravura e destemor falou na televisão.

D. José: Um valentão, um tenente que é um amor!

(D. Diogo fica muito corado e calado)

Embaixador: Sem favor! Mas a verdade porém, é que a razão mais premente de eu estar aqui presente, antes de ir a Belém, foi um mail que recebi vindo do Grande Ayatolla, sobre o tal jogo de bola (aponta para D. Diogo) cuja ideia veio de si.

D. José: Eu juro que não ouvi(!?), falaste em jogo de bola?!

D. Diogo: Eu...

Embaixador: Como ele o comoveu...veja bem, que até chorou o meu querido Ayatolla!

D. José: Perdoem-me porque não estou a entender patavina!?

Embaixador: ?! Como não?!

D. Diogo: Tenhamos lá calma então, meus senhores...por favor, desculpai-me embaixador, esclareço Capitão: Na entrevista que dei no princípio da semana, a certa altura falei em fazer uma jogatana...

D. José: Mas que ideia mais bacana!

D. Diogo:...É, não é meu Capitão? De um lado estava o Islão e do outro a Cristandade!

D. José: E o árbitro, é verdade? Pensaste no pormenor?

D. Diogo: Claro que sim meu senhor, nesse dia de manhã!

D. José: E...

D. Diogo: Seria o Kofi Annan, isenção não há maior!... (embaixador fica perturbado)... se o Islão concordar!

Embaixador: Primeiro vou consultar o Supremo dos Imã, mas juro-vos que amanhã resposta vos virei dar. Pode ficar combinado?

D. Diogo: Cá por mim está tudo bem!

D. José: Eu igualmente...também!

Embaixador: Fica o encontro marcado. Que Alá vos traga bom vento, foi muito bom o momento, foi muito do meu agrado.

D. José e D. Diogo: Nós igualmente, obrigado!

(Vai-se o embaixador e a chalupa moura faz-se ao largo. D. José agarra rapidamente e com força o braço de D. Diogo e leva-o para o camarote)

D. José: Não sei bem se sois maluco ou um génio colossal!...

D. Diogo: Vedes na bola algum mal?

D. José: Vejo é um ninho de cuco!

D. Diogo: De cuco?!

D. José: Belo animal! despeja os ovos todinhos nos ninhos da vizinhança!

D. Diogo: ?!...Não alcanço a semelhança!?...

D. José: Pois não... siga a dança, por isso ainda és tenente e eu sou teu Capitão...

D. Diogo: ???!!!

D. José: Devias ter atenção ao entrares no improviso, houve bué falta de siso nessa do jogo da bola.

D. Diogo: Mas se até o Aiatolla...

D. José: Qual Aiatolla qual quê, sobre a bola já se vê, fizeste merda e da grossa!...

D. Diogo: Bem...se fiz talvez se possa...

D. José: Agora não há papel!...isto vai dar um granel que tu não queiras saber!... Que poderei eu fazer? Pensa Zé, pensa depressa!...

D. Diogo: Meu Capitão, ora essa?!... não o estou a entender!...

D. José: Isso dá p'ra perceber... bem vamos lá a ver então; Telefona ao Madail e ao Major Valentim ...

D. Diogo: Como assim?!

D. José: P'ra que arranjem onze coxos para jogar com a moirama! Se puseres Figos, Ronaldos, e outros craques de igual, damos uma dúzia aos mouros...

D. Diogo: E?...

D. José: TERCEIRA GUERRA MUNDIAL!



Publicado por Zé do Telhado às 09:41 PM | Comentários (16)

fevereiro 11, 2006

* A última Nau Catrineta (61)

Tudo é efemero. A Nau Catrineta chega hoje ao fim com a sua última aventura. Vai suceder-lhe a " A PEREGRINAÇÃO DE JOSÉ MENTES(?!) SÓCRATES,PEREGRINO.bmp um outro estilo de brincadeira que estou a burilar e que penso poder "estrear" na semana que vem. E pronto, vamos lá então à última Catrineta, a 61ª.
Nau.bmp


De rosa se fez zarpar
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é D. José quem comanda
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"Sobe á gávea meu valente
gajeiro da Catrineta
e aponta-me essa luneta
a terras do Oriente
a coisa volta a estar quente
quero saber o que se passa
se há sinagoga e madraça
à mocada novamente"

"Subo sim meu Capitão
mas antes vou-lhe lembrar
que a mã da trolha é Agar
escrava Egípcia de Abraão
sendo ele já ancião
mas homem de muita fé
obediente à Yavé
foi o avõ do Islão

Deitou-se com a escreva e...zás!...
vai daí nasceu Ismael
estava lançado o granel
e nunca mais houve paz
Sara a esposa foi capaz
de conceber aos noventa
nasceu Isac e a tormenta
monta a esse tempo atrás

(gajeiro trepa e olha a Oriente)

Mas... meu senhor D. José
desta a bernarda é diferente
vejo magotes de gente
fazendo um brutal banzé
e diz-se ferida na fé
por dois artistas malteses
cidadãos dinamarqueses
que ultrajaram Maomé

Há fogo nas embaixadas
e pelo que mais estou vendo
o tumulto vai crescendo
berram multidões iradas
as casas vandalizadas
na rua autos de fé
é o que vejo, pois é
as coisas estão mal-paradas

O que é que irá na cabeça
de quem engendrou tal obra?
não há já merda que sobra
p'ra que mais merda aconteça
liberdade, não se esqueça
é direito, mas também
tem um travão, ora bem
onde a do outro começa"

"E dizes tu meu gajeiro
que a coisa está a alastrar?"
"Há muito fumo no ar
espalhado p'lo mundo inteiro!"...
"Mas diz-me lá marinheiro
então e no Ocidente
qual a reacção da gente
ao ver tamanho braseiro?"

"Uns dizem sim, outros não
o povo está dividido
cada qual o seu partido
quanto ao tema em discussão
liberdade de expressão
dizem uns, não tem barreiras
outros acham que há fronteiras
ou deixa de haver razão

Mas vejo gente contente
da sinagoga à madraça
enquanto o ódio repassa
entre Oriente e Ocidente
esfregam as mãos de contente
lá ao fundo, atrás do pano
dando vivas ao plano
urdido tão sabiamente


Autor: Zecatelhado, in: TADECHUVA II - www.tadechuva.weblog.com.pt

Publicado por Zé do Telhado às 12:30 PM | Comentários (6)

janeiro 25, 2006

Lá Vem a Nau Catrineta ( 60)

Nau.bmp


De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
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No camarote encerrado
estava o nosso Capitão
dirigindo a reunião
com o seu almirantado
'inda à muleta agarrado
olhava p'rá televisão
papel e lápis na mão
e olhar mui concentrado

"Tenho uma fé do diabo
que isto vai correr bem
vamos meter em Belém
no trono real sentado
quem me deixe descansado
a comandar esta Nau
doce como um carapau
tal como El-Rei que é finado"

"Eu também -diz D. Coelho-
tenho uma grande fezada
de que não vai falhar nada
podeis estar certo meu velho
vós sabeis que ao aparelho
sob a mão cá deste mangas
modéstia à parte, sem tangas
não escapa nem um pentelho"

"Calai-vos agora então
que já só falta um minuto
venham champagne e charuto
porque isto já está na mão
honra ao deposto chorão
e viva o novo monarca
que haja festa na barca
e escorra o rum pelo chão"

Abriu-se a porta fechada
e saíram para a ponte
olhando p'rá malta a monte
que no convés aguardava
e a t.v. anunciava:
"...vitória p'ra D. Aníbal
e será quase impossível
haver segunda virada!"

"Urra! Viva! Já ganhámos!
-gritou D. Coelho ufano-
Àh Cavaco! G'anda mano!
limpinho como pensámos
tal como planeámos
foi ponto e nó sem tirar!...
-e bradou a rematar-
...estão feitos, já os lixámos!"

E toda aquela gajada
dava pulos de alegria
que até a ponte parecia
vir abaixo tarda nada
a marinhagem coitada
com cara imensa de espanto
um a um de canto a canto
coçava a mona siderada

"Juro que se perceber
eu engulo os meus chinelos!...
estão loucos estes marmelos
ou estou eu a endoidecer?!
alguém está a entender
o que se está a passar?!...
...alguém pode explicar
o que é que eu estou a ver?!"

"Eu népias, ó camarada
estou tão parvo como tu
estão-nos a mexer no cú
e a gente não dá por nada
tod'esta festa danada
levando D. Mário um banho
daqueles de todo o tamanho
de água fria e salgada!"

"Rum p'ra todos, siga a dança
que a festa reine na barca
mais um charuto de marca
para animar a festança
toca a atulhar a pança
honra a Sua Majestade
e desbundem à vontade
qu'inda a noite é'ma criança"!

Sorridente, D. José
à maralha assim falou
quando alguém se adiantou
um bruto dos da ralé
moveu-se pé-ante-pé
chegou-se à primeira fila
e com olhar de reguila
à moda Cais do Sodré

Abriu a boca cariada
olhando o almirantado
e em tom de voz bem gozado
arrimou de um'assentada:
"A maralha está banzada
tudo com cara de otário
não era a mona do Mário
que querieis ver coroada?!"

"Eh,eh,eh! sois uns dementes
pobres ingénuos, coitados
não passais vós de soldados
logo pouco inteligentes
as coisas são bem diferentes
do que vos possam parecer
a política, estão a ver?
é para os clarividentes

Ao dizer publicamente
que queríamos ver no trono
o D. Mário, esse mono
tínhamos um plano em mente
o de acabar finalmente
com esse velho danado
enterrou-se, está finado
suicidou-se, felizmente

Quanto aos laranjas malvados
e ao minorca que os chefia
irão ficar noite e dia
de mãos e pés bem atados
serão mantidos calados
por El-Rei da sua cor
que nos fará o favor
de os ter bem açaimados
E El-Rei está bem tramado
feito ao bife, estão a ver?
não se vai poder mexer
devido à pose de estado
temos tudo controlado
vão ser três anos de paz
digam lá se este rapaz
não é um iluminado?"

"Mas com D. Manuel, senhor
tendes um caso intrincado!..."
"Com D. Coelho a meu lado
não há porque ter temor
vai dizer-lhe sem favor
ou te portas à maneira
e acabas com a brincadeira
ou vais a'ndar meu amor!"

Autor: Zecatelhado - in: www.tadechuva.weblog.com.pt




Publicado por Zé do Telhado às 07:10 PM | Comentários (7)

janeiro 08, 2006

*Lá Vem a Nau Catrineta (59)

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Catrineta 2.JPG


De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar

Estando o nosso Capitão
impossível de aturar
aos berros e a gritar
mal disposto e rezingão
por causa do trambolhão
que o deixara entrapado
e à muleta agarrado
sem meter o pé no chão
Olhava p'rá enfermeira
rapariga "bem dotada"
olhos verdes, voz melada,
imigrante brasileira
que velara a noite inteira
p'lo pobre desafortunado
mantendo-o aconchegado
sentadinha à cebeceira

"Estou-te grato criatura
p'la tua dedicação
que suave é tua mão
quando muda a ligadura
que carinho, que ternura
ao dar-me banho mostraste
e com que cuidado trataste
estas feridas com tintura..."
"Dêche p'rá lá Capitão
eu 'stou mais quiabituada
na massage sou danada
tenho jeito nessa mão
não agradeça, pois não
me chamo Maria Esperança
tenho casinha em Bragança
rua da Consolação"

"Em...Bragança?! Ai Deus me acuda
não digas isso a ninguém..."
"Ma...porrquê!? quié qui têm!?"
"Ia ser linda a barbuda!...
Trata de te fingires muda
se um dia alguém perguntar
como cá viste parar
já entendeste?...Caluda!"
"Se o Capitão o orrdena..."
É uma ordem!...já disse
ia ser bela a chatiçe
e não ia ser pequena
...Ora bem, minha morena
já estou vestido a rigor
chega-me aí por favôr
aquele tricórnio com pena

E agora vai chamar
o D. Jorge de Coelho
tenente do aparelho
a quem eu quero falar"
...
"Ora aqui estou, poxo entrar?"
"Pois claro que podes pá!
Vá depressa, entra lá
que a coisa vai azedar!"
" Anda mouro a querer galgar!?"
"Muito pior, estou tramado
ora lê lá o recado
que El-Rei me fez chegar"

"Humm...Mas que mozca lhe mordeu!?
em dez anos de Belem
nunca chateou ninguém
nunca o bedelho meteu!...
...ezta agora, amigo meu!...
fora o caso Santanázzz
nunca o gajo foi capazzz
de abrir a boca, Deus meu!"

"É por causa do Espanhol..."
"Qual ezzzpanhol!? Não ezzztou a ver!?..."
"Do Pina, estás a entender?
por causa do carcanhol!..."
"Do Pina!?...Do carcanhol!?..."
"Mas tu hoje estás estarola?
do Pina!...Da Iberdrola
estou-me a fazer entender?..."

"Ah!...já essstou a perceber!...
então tu achasss que é issso?..."
"E vem aí o chouriço
para ouvir se fazer
não sei se tu estás a ver
o que daqui vai sair
quando a populaça o vir
o que vai acontecer!..."

"É El-Rei, barco à vista!"
grita no alto o vigia
estava batendo o meio-dia
"Ora aí vem o artista!"
"Eu direi maisss: O sacrisssta
se é por issso que cá essstá!"
"Ai é é, olálá!!!
perdoa-me que eu insista!"

Subindo p'lo próprio pé
o escadaréu de cordame
qual trapezista no arame
foi direito a D. José
"Ora assim mesmo é que é
estás coxo mas aprumado
registo com muito agrado
esse teu acto de fé"

"A que devo a honraria
de tão ilustre visita
ó Majestade bendita
a esta hora do dia?"
-E a populaça ouvia
ardendo em curiosidade-
"Vim cá matar a saudade
desta Nau por companhia!

"Com que então vens de mansinho
meter-me o de dedo no cú
espera aí meu gabirú
que eu já te dou o caldinho
vais sair-te mal, tadinho
meu sacaninha sagaz
pensas que eu sou Santanás
a quem tu fizes-te o ninho?"

Pensava assim D. José
ao olhar perversamente
p'ró Rei que na sua frente
tinha fincado o seu pé
Foi então que da ralé
se ouviu alguém a bradar
"El-Rei vem cá p'ra falar
da E.D.P., já se vê!"

"Quem foi o engracadinho...?"
"Fui eu porquê? quer bater?
digo-lhe e torno a dizer
sem tirar um bocadinho
acha que eu sou adivinho
ou que povo é parvalhão
que não entende a razão
de todo este burburinho?

Você e a corte rosa
no caso da Iberdrola
meteram o pé na arola
fizeram merda da grossa!"
"Descarado!...Minha Nossa..."
"Qual descarado, qual quê?!
pois saiba vossa mercê
que aqui ao Zé Barbosa
Lhe ensinaram na escola
primária de Massarelos
como um tal de Vasconcelos
que defendia a espanhola
à espadeirada e à pistola
atiraram o madraço
pela janela do paço
chutando-o como uma bola!

Nesse tempo Capitão
o povo tinha tomates
e tratava dos dislates
com a sua própria mão
a todo aquele que á traição
vendia o próprio país
p'los amores da meretriz
ou p'la gula do cifrão

E se a malta hoje em dia
agarasse nos marmelos
e os levasse p'los cabelos
para o cesto do vigia
rezava uma Avé Maria
e empurrava o poltrão
desde o alto até ao chão
o que é que acontecia?

"Tratados" com tal justeza
seria remédio santo
só que claro, entretanto
por força dessa limpeza
virava pernas a mesa
e os vossos oficiais
sabujos e outros mais
iam todos de certeza!

Neste coito de ladrões
pulhas, canalhas, traidores
agiotas, estupores
filhos de puta, cabrões
trepaceiros e poltrões
aldrabões e vigaristas
agiotas, prestamistas
há p'rá aí uns dez milhões

Esta Nau que correu mundo
há muito perdeu o Norte
e vai navegando à sorte
não tarda estará no fundo
o fétido cheiro imundo
da traição e da devassa
deixa no ar quando passa
um cheiro nauseabundo!"

El-Rei com ar espantado
e com a lágrima no olho
escutou Barbosa, o Zarolho
e foi-se de rabo alçado
D. José saltou siderado
estava lívido, quase rôxo
esqueceu-se que estava côxo
e caiu ao mar, coitado.

Autor: Zecatelhado - in: www.tadechuva.weblog.com.pt




Publicado por Zé do Telhado às 09:55 PM | Comentários (22)

janeiro 01, 2006

Lá Vem a Nau Catrineta ( 58 )

Piratada.JPG Catrineta 2.JPG

Lá Vem a Nau Catrineta que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar

A azáfama tinha tomado
conta desta Nau sagrada
cantando e rindo animada
estava a malta em todo o lado
Do seu penar desgraçado
nestes dias de folguedo
calava-se e em segredo
esquecia-se do seu fado

Um estendia um festão
outro enrolava fitinhas
outro enchia garrafinhas
de espumante do Esporão
Um outro tinha na mão
uma dúzia de rabichas
e explicava ao Barbichas
como chegar-lhe o tição

Aquilo é que ia ser
um fim de ano de espantar
e punham-se a adivinhar
até já estavam a ver
o que ia acontecer
tudo a cantar e a dançar
que loucura de arrasar
até ao amanhecer

Mas quando a sorte asquerosa
persiste em dizer-nos não
até a pôrra do pão
sabe a bosta mal cheirosa
quando a sina desditosa
teima em não desaparecer
que pode um homem fazer
contra a saga dolorosa?

Ora isto tem a ver
com o que a seguir se passou
e num segundo virou
o edílico prazer
a que a malta se entregava
como acima relatava
num sonho mau, de morrer

D. José o Capitão
um nobre amante da neve
fora à Suíça, a Geneve
armar-se em galo papão
levantando os pés do chão
dera um malhanço de arromba
espetando pernas e tromba
num pinheiro do Cantão

Tinha o joelho entrapado
que mais parecia um trambolho
mais um derrame num olho
e um tornoselo inchado
só com um pé o desgraçado
deste Capitão da treta
surgiu na Nau de muleta
na qual vinha pendurado

Vendo a malta embasbacada
com os olhos postos em si
sentia-se a mais ali
plantado ao cimo da escada
sentiu a altura chegada
de dar uma explicação
sobre o adiar ou não
da festarola aprazada

"Pensa Zé, e com cuidado
arranja uma solução
se lhes dizes que o festão
vai ter que ser adiado
de certeza estás tramado
pois na próxima eleição
estes cabritos irão
deitar-te à água, e fardado!"

"Marujos, estou desolado
por vós a quem tanto adoro
não tarda nada 'inda choro
qual Kalimero ao quadrado
sabei, estou desesperado
e nem sei o que dizer
que mais vai acontecer
neste barco desgraçado?"

"Mas Senhor, o vosso estado
não vai cancelar a festa
ide dormir uma sesta
e descansai um bocado
tenho um plano gizado
que será a solução
escutai com atenção
pois é muito bem esgalhado!"

"Um plano!? Diz depressa!..."
"Nós não somos todos burros
Trongos, nabos e canhurros
embora a vós vos pareça
Veio-me agora à cabeça
ao vê-lo assim, ora bom:
misturar o Reveillon
com o Entrudo, ora essa!"

"Queres dizer...com o Carnaval!?"
"Ou isso, também pode ser
fica já aperceber
e a entender tal e qual
Estando o senhor afinal
com a pena feita num oito
É só trazer do Magoito
o papagaio real..."

"D. Coelhone!?...de que jeito!?..."
"Quem mais poderia ser?
pinta-o de verde, está a ver?
põe-no no ombro direito
pála no olho a preceito
e está quase mascarado
para o fim fica guardado
o artífice mais perfeito..."

"A muleta vai bugiar
põe uma perna de pau
veste uma cara de mau
siga a festa sem parar
bebe rum até fartar
tranformado num corsário
e já não passa p'lo otário
que deu barraca a esquiar

Publicado por Zé do Telhado às 09:20 PM | Comentários (10)

dezembro 09, 2005

* Lá Vem a Nau Catrineta ( 57 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar

Subia o sol no horizonte
a noite cedendo ao dia
quando um berro do vigia
p'ró contrameste na ponte
fez saltar a malta em monte
do porão para o convés
embrulhando mãos e pés
que nem sei como vos conte


Mas afinal que razão
originou tal desnorte?
só um motivo assaz forte
justificava essa acção...
"Chamai já o Capitão
porque a coisa cheira a esturro
e eu confesso, sou burro
não acho explicação!"

Ora D. José escutara
os berros no camarote
e as corridas a trote
que a turba inteira encetara
até a barca adernara
sem contrapeso a estibordo
com a molhada a bombardo
que a dita visão juntara

E que topou o vigia
da formosa Catrineta
ao apontar a luneta
para o Sul ou Meio-Dia?
Era isto que ele via:
um'eronave amarada
que parecia abandonada
pois nem vivalma se via

"O que é que se passa aqui?
estão loucos vossemecês?
'Inda adornamos de vez
se se junta tudo aí!..."
"Mas Capitão, olhe ali
a bombordo, mesmo em frente
p'ra onde olha toda a gente
que eu acaso descobri!"

"Realmente bué esquisito
não se vislumbra vivalma
a mais completa calma
dentro do aviãozito...
escuta bem ó marujito
faz-me descer um escaler
vamos já esclarecer
este mistério maldito!"

E no escaler embarcaram
três homens e o Capitão
com um mosquete na mão
ao hidroavião rumaram
P'ra cima deste se içaram
com as armas aperradas
e com seguras passadas
a inspecção começaram

Da cauda até ao focinho
não encontraram ninguém
mas algo estranho porém
estava ali naquele cantinho
era um caixote novinho
daqueles tipo exportação
vai daí o Capitão
sussurrou assim baixinho:

"Que conterá o caixote?..."
"O Capitão quer que o abra?
está ali um pé de cabra..."
"Quieto meu franganote
ou 'inda voltas p'ró bote
pode estar armadilhado
percebes-te pequenote?

Não vês o que ali está escrito?
«Made in Afeganistão
via Iraque e Irão»
logo o caixote é maldito
E aqui está um sobrescrito
com uma carta a dizer...
«Aí te mando o Yasser
pronto a ir p'rá infinito...!

Mandarás, tenho a certeza
o recibo, querida diva
já com o desconto do IVA
tudo legal e em beleza
não é, doce Condollezza?
que plano divinal
esta operação "Pai Natal"
que acertámos à mesa!"

"Macacos me mordam já
se estiver a perceber..."
"Eu cá não estou mesmo a ver!..."
"E eu igualmente, pá!..."
" Pois bem marujos eu cá
percebi perfeitamente!"
"E não vai contar à gente?
"Vá Capitão, diga lá!..."

"O que está aí fechado
é um bombista suicida!..."
"Um bom... ai a minha vida!..."
" Tem lá calma ó meu borrado!...
enquanto estiver trancado
não vai haver perigo algum
de que o tipo faça PUM
e que vire toucinho assado

Calma, deixem-me pensar...
já pensei: Vamos a isto...
que nos valha Jesus Cristo
se o meu plano falhar!...
Muito bem, vou começar:
Ó de dentro, ó do caixão!..."
...estás-me a ouvir bem ou não?...
...Yasser toca a'cordar!"

"Por Alá, alguém me chama?..."
ouviu-se uma voz que vinha
bem do fundo da caixinha
com o sotaque da moirama
"...Sou eu, Yasser Mhoama
podem abrir isso já
a este filho de Alá
da grande AlQueda de Osama!"

Os marujos aterrados
escutavam atentamente
borrados, batendo o dente
com os olhos gaseados
"Por Deus, estamos lixados
o cabrão vai explodir
e não podemos fugir
vamos voar em bocados"!

"Nós vamos agora abrir
a caixa com o pé de cabra
mas dá-me a tua palavra
que assim que possas sair
nos dirás sem nos mentir
e antes de irmos p'lo ar
porque é que nos queres matar
percebeste?... Estás-me a ouvir?!...

Pára de ganir morcão
pega lá na ferramenta
levanta a tampa e aguenta
que eu já agarro esse cão
estarei pronto p'rá acção
vou saltar e enlaçá-lo
dar-lhe um murro e amarrá-lo
antes que prima o botão!"

Tal como planeado
p'lo capitão corajoso
o assassino andrajoso
foi de pronto dominado
"Agora estás desarmado
tirei o cinto com a bomba
e vou-te partir a tromba
meu veri-light frustrado

Fica a saber meu menino
que confessas, olarelas!...
ou meto-te p'las goelas
quilo e meio de suíno
diz lá velhaco assassino
terrorista de um cabrão
meu filhote do Alcorão
meu sarraceno cretino!..."

"Pelas barbas de Maomé
porco não!... vou confessar
o que eu queria era ganhar
o prémio de Alá eh,eh!...
"E esse tal prémio é?..."
Setenta virgens senhor
que são dadas de favor
aos mártires da nossa fé"!

"Ah,ah,ah! ó meu otário
bateste na porta errada
tu aqui não ganhas nada
amostra de dromedário
as tugas meu ordinário
da Fuseta a Guimarães
ficam sem os três vinténs
mal entram no secundário"!

Autor: Zecatelhado- em: www.tadechuva.weblog.com.pt

Publicado por Zé do Telhado às 05:50 AM | Comentários (11)

novembro 12, 2005

* Lá Vem a Nau Catrineta ( 56 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar

Estava o pobre Capitão
no camarote enterrado
e muito preocupado
p'lo estado da embarcação
tudo da gávea ao porão
em risco de sossobrar
por isso urgia encontrar
a tábua da salvação

"Ai de mim que estou metido
num colete de onze varas
ouve Zé, se tu não paras
vais ao fundo, é bem sabido
pois bem, o trunfo escondido
chegou hora de o jogar:
Ó do leme, toca a andar
já estou mais que decidido!
"

"E qual o rumo a tomar
D. José, meu Capitão?"
"Rumo ao Sul, vento Suão
até eu mandar parar
agora vou ordenar
ao contramestre Varela
que suba tudo o que é vela
quero esta Nau a voar!
"

E por sobre o mar voou
a ditosa Catrineta
desde Belém à Fuseta
e o Algarve ultrapassou
sempre a voar não parou
galgou a costa africana
em menos de uma semana
quando D. José bradou:

"Alto aí, toca a travar
que já vejo o Bojador!"
"E agora , meu Senhor?..."
"Ruma p'ra lá, toca a andar!"
"Mas que quereis vós encontrar
nesta latitude agreste?"
"Ainda não entendeste?...
Vou d'encontro'Adamastor!

Ó da furna!... Ó do Penedo!...
onde estás, ser secular?"

-nisto um ronco de aterrar
fez borrar tudo de medo-
"Quem me chama assim tão cedo?
Quem ousa vir-me acordar?"
"Sou eu, ò monstro do mar
porque estás tu tão azedo?"

"De quem são a embarcadura
e as velas onde me roço?!..."

- disse rodando, imundo e grosso
a horrenda criatura-
"Ouve bem, cabeça dura
não armes em carapau
e não te encostes à Nau
que lhe estragas a pintura

Fica a saber que a barquinha
ó monstro horrível de um raio
é de El-Rei Jorge Sampaio
cognome O Cenourinha!..."
"E o cordame, a balsinha
a gávea que agora toco?"
"Mas tu por acaso és mouco?!
são de El-Rei D. Cenourinha!"

"Espera lá...eu já cantei
esta lenga-lenga, ó meu!...
foi com um tal Bartolomeu
a quem com o qual me passei!...
depois disso até fiquei
de cama o Inverno inteiro
ah! maldito marinheiro
mais sem medo nunca achei!...

Assim, p'ra eu não viver
tal cena mais uma vez
diz, Capitão português
que vieste aqui fazer?"
"Ora então não estás a ver
mostrengo grosso e imundo
que vive no fim do mundo?...
vou à Índia abastecer!...

Ouro, pimenta, acafrão
cravo, canela, aloês
e fico rico outra vez
tal como El-Rei D. João
vais ver que a minha nação
da Catrineta encantada
virará menos de nada
próspera e rica como então!"

"Olha este, está chalado
pirou de vez, coitadinho
e daqui a bocadinho
também eu fico pirado
confesso; estou saturado
Portugueses? Ó Deus meu!
primeiro um Bartolomeu
e agora este chanfrado!...

Ouve lá ó meu estarola
vê se fazes marcha a ré
e pára de ser choné
vê se bates bem a bola
arça as velas, dá à sola
que o tempo desses eventos
foi na era de quinhentos
e a malta era de outra escola!...

Sereis sempre uns desgraçados
homens da Nau Catrineta
o baú não leva cheta?...
nem ao menos dois cruzados?...
perguntem aos arvorados
essa súcia de ladrões
roubam milhões e milhões
e nunca estão saciados!"

Autor: Zecatelhado- em: www.tadechuva.weblog.com.pt


Publicado por Zé do Telhado às 12:32 PM | Comentários (16)

outubro 20, 2005

* Lá Vem a Nau Catrineta ( 55 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
p'ra uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto-mar
Dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Rio abaixo navegando
ao sabor da correnteza
a pobre Nau portuguesa
ao "Deus-dará" ia andando
pelos cantos cochichando
toda a gente conspirava
porque a barca à toa andava
sobre as águas balouçando

"Dizem estar desnorteado
D. José, o Capitão
e se é essa a razão
está todo o mundo tramado
a Nau só anda de lado
não consegue andar p'rá frente
e quem se lixa é a gente
que não vê o fim ao fado

Neste balançar constante
neste "não ata ou desata"
a sorte teimava ingrata
em levar a sua avante
e o remate triunfante
surgiu como por encanto
quando outra história de espanto
despoletou de rompante

Já se fazendo sentir
um friozinho "à maneira"
o tesoureiro Teixeira
apitou a reunir
após se fazer subir
para o cimo de um barril
falou com voz de funil
p´rá turba que estava'ouvir

"D. José manda formar
toda a gente no convés
mexam-me lá esses pés
que pareceis lesmas ' andar
saibam vai anunciar
em que estado anda o baú
e diz querer pôr tudo a nú
sem nada nos ocultar"

"Já vejo pelo entroito
e também p'la "mise en scene"
parecendo missa solene
que estamos feitos num oito
aposto rum e biscoito
uma onça de tabaco
mais as calças e o casaco
e umas férias no Magoito"

"Ah,ah,ah!..."-ria a cambada
das palavras do malvado
um tal de Zecatelhado
que largara a bacorada
"Eu cá não aposto nada
porque perco de certeza
nem sequer a sobremesa
de rançosa marmelada"

"Fechem lá a cloaca
seus bardinos sem vergonha
vós só destilais peçonha
sempre que abris a matraca
reais filhos de uma vaca
corja de língua viperina
do timoneiro ao fachina
sois todos a mesma caca..."

Foi Teixeira interrompido
p'lo Capitão que chegava
e que na mão segurava
um rolo grosso e comprido
tinha o rosto amarelecido
e as pálpebras inchadas
orelhas avermelhadas
e um ar muito abatido

"Marinheiros desta Nau
ó povo nobre e valente
lusa raça, heróica gente
sabei que isto está mau
tesos como um carapau
o baú sem um dobrão
nem temos pilim p'ró pão
quanto mais p'ró bacalhau

Vamos agarrar no cinto
e fazer mais um furinho
não nos resta outro caminho
podeis crer que não vos minto
e vós julgais que eu não sinto
a dor que vos vai na alma?
mas com paciência e com calma
saimos do labirinto

Sabei também que os culpados
deste estado desditoso
são Santanás e Burroso
esses Capitães danados
comandantes estouvados
dois doidos incompetentes
e dos tacanhos tenentes
uns oficiais falhados

Sendo assim está bem de ver
temos muito que penar
pergunto-vos p'rá'cabar
há perguntas a fazer?
estão todos a perceber
toda a causa deste azar
e o que temos que enfrentar
p'ra que o possamos vencer?"

"Não se esforce Capitão
que a malta da Catrineta
sobre essas loas da treta
conhece letra e refrão
entre vós e D. Burrão
existe alguma diferença?
direi mais, dai-me licença
sois dedos da mesma mão

Quanto a essa obra prima
a que chamais orçamento
digo-vos neste momento
para não quebrar a rima
guardai-o com muita estima
fazei dele um canudinho
depois com muito jeitinho
metei-o p'lo cú acima!"


Publicado por Zé do Telhado às 02:15 AM | Comentários (9)

outubro 05, 2005

*Lá Vem a Nau Catrineta ( 54 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
p'ra uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto-mar
Dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Com a Catrineta à bolina
rio abaixo acelerada
mais uma história malvada
engrossou a triste sina
desta Nau que não atina
em achar rota segura
e ond'é fatal a'margura
estar sempre ao virar da esquina

Mas como ia dizendo
este escriba vosso irmão
que com a pena na mão
estes versos vai escrevendo
estando a pobre Nau correndo
p'lo rio do desencanto
um'outra história de espanto
desabrochava em crescendo

"Quero a bujarrona içada!"
bradou alto D. José
p'ró contramestre que à ré
berrava com a marujada
ao ouvir a ordem dada
p'lo Capitão imperial
diz o nobre oficial
com voz de cana rachada:

"Isso também eu queria
meu Capitão general
ordenei a este animal
miolos de cotovia
daqui a pouco há meio dia
que içasse a pôrra da vela
mas o tipo ou está piela
ou surdo como uma enguia!

Será que temos motim
ou uma greve geral?
ou será que este pardal
quer fazer pouco de mim?
pois bem, se isso é assim
não vai tardar um 'stantinho
leva um estalo no focinho
e acaba-se o chinfrim!"

"Deixe de ser fanfarrão
e metá lá A.B.S.
já chega um no P.S.
com pinta de campeão
não vai ser ao estaladão
que esta Nau encontra o rumo
é com diálogo, presumo
com bom senso e'ducação

Fala lá meu desgraçado
homem desta caravela
porque não içaste a vela
como te foi ordenado?..."
"Meu senhor, eu estou pasmado
ninguém me deixa falar
quando tentei explicar
estive quase a ser linchado!

E pobre de mim coitado
sem ter culpas no cartório
augurei o meu velório
e à água ser lançado
ou ficar dependurado
como exemplo p'rá geral
ali no mastro real
e p'las aves devorado!"

"?!...Andaste no absinto
ou estás a ensandecer?
deves ter andado a ler
a saga do Mendes Pinto
é que é isso que pressinto
ao ouvir um tal chorrilho
...já adivinho, meu filho
andaste em provas de tinto!

Falemos sério, em suma:
porque não subiste a vela?"
"Mas meu senhor, cadê ela?
não temos vela nenhuma!
que o inferno me consuma
se isto não é verdade
juro pela eternidade
que não temos vela alguma!"

"Mau, mau, mau, mau, mau, mau, mau...!
não percebo patavina
desta conversa cretina
ó marujo desta Nau
fala a sério, põe-te a pau
ou cago p'rá tolerância
e opto pela arrogância
p'ra te tratar, meu calhau!"

"A velha vela tecida
nos teares da Covilhã
anteontem de manhã
deu o berro, foi à vida!
já estava tão carcomida
pela traça tão esgaçada
passajada, remendada
que pifou de tão cosida!

Telefonei logo de cá
p'rá Covilhã, já se vê
mas sabe vossa mercê
o que disseram de lá?
"Ó homem, não sabe já
que os lanifícios fecharam?...
faliram, já acabaram
por isso pano...não há!"

"Ó diacho!...em que ficamos?
lembrei-me do Vale do Ave
o problema era grave
pois sem vela não andamos
e se nós já navegamos
em mares de fel e vinagre
sem velas só por milagre
é que não nos afundamos

Mas do Ave, com efeito
a resposta foi igual
"...é que agora em Portugal
já compramos tudo feito!
vendo bem, tinha algum jeito
fazer velas, cobertores
nós um país de doutores
de gravatinha a preceito?"

Engraxando o tagarela
perguntei com voz suave:
e vossa excelência sabe
quem fabrica agora a vela?
precisamos tanto dela
que o senhor nem imagina
queremos uma, grossa ou fina
por mais que seja fatela!"...

"E ele não te indicou
quem a vela vende agora?"
"Claro senhor, na hora
o homem lá me safou!
por isso agora aqui estou
debruçado nesta ponte
a olhar o horizonte
esperando p'lo senhor Who!"

!?...Senhor Who?!... é japonês?"
"Chinoca, meu Capitão
são os caras de limão
quem as fabrica de vez!
Olhem, lá vem o freguês
no seu junco e a cantar
faça o favor de contar
o pilim para o chinês!"

Atracou o chinesito
estendeu a mercadoria
enquanto a sorrir dizia:
"eis a vela, venha o guito!
Saibam que estou aflito
pois tenho mais p'ra entregar
isto é um «sempre a aviar»
nem tempo há p'ra um copito"!

"Vê lá se ainda te matas!
eh,eh,eh! sabem vocês?
eu já vi este chinês
na baixa a vender gravatas!"
"Eh,eh,eh! e eram baratas?"
"cinco escudo a escolele!"
"eh,eh,eh!, ria a valer
um da turba já de gatas

Mas o chinês que escutava
o que os labregos diziam
quanto mais eles se riam
mais o homem cogitava:
"Por esta já eu esperava
isto é gente sem miolo
pensam que sou um parolo
com isso já eu contava

Já nenhum quer fazer nada
pensam comprar tudo feito
pois bem, é desse jeito
que a tumba vai ser cavada
será essa a vossa enxada
FORÇA COVEIROS DO DEMO
cavem bem de extremo a extremo
e esperem pela pancada

Nós fazemos, vós comprais
mas ainda pagais pouco
o chinoca não é louco
não vai já cobrar demais
não vai espantar os pardais
toca a agir com prudência
vós bem sabeis que paciência
é o que nós temos mais

O grande dia há-de vir
em que só tereis dinheiro
tudo doutor e engenheiro
mas ninguém p'ra produzir
e quem vos irá servir
velas, cordame, sabão
batatas, arroz e pão
que precisais consumir?

Quanto ao preço, quanto ao valor
seremos nós a fazê-lo
«eis o pão, quereis comê-lo?
preço de ouro, e por favor!»
grande será o estupor
quando a cagança cair
serei o último a rir
mas o que rirá melhor!"


Publicado por Zé do Telhado às 01:00 PM | Comentários (10)

setembro 22, 2005

*Lá Vem a Nau Catrineta ( 53 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
p'ra uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto-mar
Dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Estando Outubro já de entrada
fazendo as malas o Verão
indo-se o vento Suão
chegada a fresca nortada
na bela barca encantada
subia à cena entretanto
um'outra história de espanto
que merece ser contada

Duas semanas andadas
que alguma tropa fandanga
dera o grito do Ipiranga
convencendo os camaradas
que as nobres forças armadas
orgulho e escol da nação
quanto à aposentação
estavam a ser fornicadas

E a saúde? À pois é!
também os queriam lixar
era preciso lutar
fazer um real banzé
Iriam juntos, a pé
desfilar em desafio
pelo convés do navio
desde a proa até à ré

Mas o senhor D. Amado
-o tal da barba charmosa-
lugar-tenente da Rosa
que manda neste coutado
na hora pressionado
p'la brigada do reumático
fez uso d'um profilático
à maneira do passado

Assim sem mais demasias
consultado D. José
o galante granizé
fez saber sem cortesias:
"Deixem-se de fantasias
meus senhores, estão proibidos
de marchar, ou estão fodidos
e vão todos p'ra Caxias!"

Mas se a tropa mastigou
a merda, não a engoliu
e uma pantomina urdiu
que o sacaninha fintou
Foi quanto alguém se lembrou
- salvo erro era um alferes-
que marchavam as mulheres
e todo o caso mudou

"Vais ver, ó flibusteiro
quem vai rir no fim da história!"
gritava a dona Vitória
que era mulher de um lateiro
do tipo Major Loureiro
alcaide de Gondomar
que continua a ostentar
a'lcunha do "batateiro"

"Só mulheres, diz o sebento?
muito bem, está decidido!"
e agarrando num vestido
meteu lá dentro o sargento
com dotes d'arte e talento
correu o fecho "eclair"
e o diacho da mulher
não parava um só momento

"O vestido é uma graça
agora venha a peruca
vou enfiar-ta p'la cuca
e corto-te a bigodaça
com mais um boião de massa
base, baton, lanolina
vais passar por puta fina
no canto de alguma praça"!

Ao olharem p'ró sargento
que virara travesti
a malta que estava ali
presente naquele momento
berrou de contentamento
e travestiu-se também
todos de senhoras-bem
cheias de charme e espavento

E foi assim que marcharam
pelo convés em cordão
mas eis que houve um senão
com o qual nunca contaram
e a perder tudo deitaram
quando um bando de tarados
"matchos latinos" danados
às "beldades" se atiraram

A tourada à moda antiga
que a seguir se passou
eu descrevê-la nem vou
pois imaginam a briga
ah! portugas de uma figa
que até o diabo eterno
quase morreu no inferno
rindo com as mãos na barriga

Autor: Zecatelhado - in: www.tadechuva.weblog.com.pt

Publicado por Zé do Telhado às 11:30 PM | Comentários (22)

setembro 20, 2005

* Lá Vem a Nau Catrineta ( 52 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
p'ra uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto-mar
Dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Havendo Setembro entrado
neste Ano Santo da Graça
cheirando ainda a fumaça
de tanto lenho queimado
repetindo o triste fado
da lusa alma em quebranto
eis que outra história de espanto
deixa tudo alvoroçado

Há muito se suspeitava
-ou melhor: Era evidente-
aos olhos de toda a gente
como esta coisa acabava
Cavalo que prova a fava
já não quer palha ou ração
-diz o povo e com razão-
era só o que faltava!

Devem ter adivinhado
ao que me estou a referir
e devem estar a sorrir
tal como o Zecatelhado
Não podia estar errado
quando há tempos afirmei
que quem viria a ser Rei
era o velhinho anafado

D. Aníbal esperançado
em poder herdar a coroa
deve ter ficado "em broa"
e pode esperar sentado
este D. Mário é danado
o cota é "p'rá frentex"
dos dinossauros é Rex
de todos o mais malvado

Vou parar a ladaínha
que já vai longo o entroito
vou já largar o "biscoito"
e dar palavra à maltinha
que no convés à tardinha
discutia com paixão
o caso da sucessão
de D. Jorge, "O Cenourinha"

"Esse gajo tá velhadas
que vá mas é p'ró asilo
faz-me lembrar o Camilo
e aquelas porno-chachadas
As pernas já estão pesadas
e a pança roça as virilhas
o cinto rasga as presilhas
quando as banhas são prensadas"

"Eh,eh,eh!...- ria o parceiro
do que largara a tirada-
...Olh'essa está bem esgalhada
e tens razão, companheiro
Este velho é um gaiteiro
pior que a'legre viúva
faça sol ou faça chuva
vai a todas bem lampeiro!"

"E o pobre do poeta?
qual Kalimero chorão
sentindo fundo a traição
do seu amigo da treta
sem por um ar de "vendetta"
saiu de rabito alçado
furibundo, desolado
com a alma na sarjeta !"

"Acho bué de indecente
o que fizeram ao pobre
um homenzinho tão nobre
e querido por tanta gente
Mas quem é que não se sente
experimentando a punhalada
cobardemente cravada
«made in Brutus», bem de frente?"

"Pois cá o "je" sente pena
e jura: Está solidário
com o pobre poeta otário
enredado nesta cena
Aposto uma milena
que citou de dedo em riste
o ...e alegre se fez triste...
que escreveu num tal poema!"

"Eu então já decidi
irei votar em D. Mário
é velho como o fado Hilário
mas tem uma coisa em si
que nos outros que já vi
ir p'ráí papagueando
não conseguem nem comprando
dar-me esse prazer a mim!"

"Essa agora, meu maroto
desembucha lá então
e diz-nos qual a razão
que conquistou o teu voto
O que é que trazes no goto
sabendo que és brincalhão
calculamos de antemão
ir sair traque ou arrôto"

"P'ra ele há sempre amanhã
mesmo aos cem anos de idade
acreditem que é verdade
e não uma ideia vã
Saibam Cavaco e Louçã
que o fixe do Mário Alberto
aos noventa é mais que certo
querer o lugar do Annan!"

Publicado por Zé do Telhado às 09:53 AM | Comentários (1)

agosto 22, 2005

*Lá Vem a Nau Catrineta (51)

* Lá Vem a Nau Catrineta (51)

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Agosto estava um braseiro
ia a Nau a meio-gás
sentadinho lá atrás
junto ao varandim da ré
dormitava D. José
esperando por um ventinho
p'ra refrescar o focinho
mas de vento...nem o cheiro!

A canícula ia brava
a Nau estava sequiosa
desde o despontar da Rosa
nem uma gota caíra
seca assim nunca se vira
já se falava em ração
calculem vocês então
quanta angústia ali morava

"Vigia, espreita outra vez
antes que me afogue em mágoa
não vês nuvens prenhes de água
nalgum ponto do horizonte?..."
"P'ra onde quer que eu aponte
só vejo azul, Capitão
nem com o Porto campeão
vi tanto azul de uma vez!"

"Meu santinho padroeiro
que o Céu tenha piedade
vou encarar a verdade
vamos morrer de secura
é que se esta merda dura
pelo menos mais um mês
é chegada a nossa vez
vamos todos prá "galheiro"!

Cheiro tão mal como tu
um fedor acre e picante
tenho a pele qual elefante
e mais sal que uma sardinha
ao menos uma chuvinha
tipo "mijinha de cão"
sempre molhava o sabão
e a malta lavava o cú!"

"Sei que vou dizer asneiras
pois sou burro e mal sei ler
homem do povo, está a ver?
e tenho pouca instrução
faz-me muita confusão
ver tanto douto afirmar
que a água está a'cabar
nas barragens e albufeiras!..."

"Que raio?!...o quê?!...repete!
que estás p'ráí a dizer?!..."
"Que não consigo entender
razão p'ra tanto alarido
nem porque andais constrangido
por não lavar o traseiro
só se faltar o dinheiro
p'rá compra do sabonete!..."

"Tadinho, pirou de vez!
-Dá baixa à enfermaria!-
é isso: O sol do meio-dia
já começa a fazer mossa
a coisa já está mais grossa
que aquilo que calculei!..."
"Calma Senhor, que ainda sei
distiguir a mú da rêz!

Eu só queria perguntar
para poder entender
porque está tudo a gemer
se daqui estou a'vistar
gente na calma a regar
campos de golfe sem fim
vasos, flores e jardim
cagando-se p'ró poupar!

E os campinhos da bola
regados o dia inteiro?
e os nababos com dinheiro
enchendo a sua piscina?
então se isto desatina
com a tal dita campanha
a mim cheira-me a patranha
essa lamúria parola!

Agarrai no sabonete
no shampô e na esponginha
e enchei a banheirinha
da água q'uinda restar
e trate lá de lavar
o cuzinho e os tomates
parando com os disparates
e arrumando a cassete!"

"Ah,ah,ah!...-riu um marmelo
que se juntara a ouvir-
ò Capitão, podeis ir
já lhe enchemos a banheira
como a puta da torneira
estava seca como a palha
vai daí, esta maralha
encheu-a de Água Castelo!

Publicado por Zé do Telhado às 09:57 AM | Comentários (0)

agosto 16, 2005

*Lá Vem a Nau Catrineta (50)

* Lá Vem a Nau Catrineta (50)

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Estando a Nau dos desditosos
quase vendida a Caronte
D. José Subiu à ponte
quando o dia despontava
com a destra segurava
uma cerveja fresquinha
com a esquerda uma "mão cheiínha"
de tremoços mal-cheirosos

"Pôrra, estamos na sarjeta
nem há pilim p'ró tremoço
estou à toa neste poço
ao qual não avisto o fim
sei o que vai ser de mim
se a descida continua
o povo põe-me na rua
e "good bye" Catrineta!

Vigia deste barquinho
que novas tens p'ra me dar?
precisamos animar
a gente que aqui navega
a sorte tem sido cega
mas talvez seu fim se augure
"não há mal que sempre dure"
já lá diz o Zé Povinho!"

"Está a causar grande impacto
uma coisa de pasmar
gente da Rosa a clamar
o regresso do lendário
e cavernoso D. Mário
ao nobre trono real
só que o consenso total
está longe de ser um facto

É que igualmente à partida
se perfilou D. Manuel
o tal "poeta chanell"
figura bem conhecida
anda a Rosa dividida
entre estes dois candidatos
vai virar "saco de gatos"
aposto eu a minha vida

Também a Casa Laranja
sem esperar p'la demora
fez apresentar na hora
o seu candidato a Rei
e por aquilo que sei
anda tudo convencido
que será ele o escolhido
que a vitória vai ser canja!

Na Casa Vermelha vejo
fazerem contas à vida
são como "rata sabida"
muito velha e tarimbada
para já fica parada
à espera da procissão
depois vê se põe ou não
um santinho no cortejo!"

"Então e os azulados?
e os da casa de Leon?"
"Os azuis seguem o "Dom"
que a Laranja quer ver Rei
quanto aos de Leon já sei
porque não nasci otário
vão apoiar o D. Mário
fingindo-se contrariados

Está visto assim que afinal
com mais ou menos intruso
tal como a água do Luso
tudo está mui clarinho
teremos D. Cavaquinho
e D. Mário a disputar
quem o cú irá sentar
no trono de Portugal!"

"Quero a tua promoção
de vigia a Conselheiro
o teu palpite é certeiro
e vais directo ao assunto!..."
"Promovei-me antes a adjunto
já que vos caí em graça
isso sim, é ganhar massa
tanto ou mais que o Capitão!"

Assim farei, mas primeiro
tens ainda que opinar:
o que é que se vai passar
no decorrer da campanha?
que tipo de frase ou senha
as gentes do Cavaquinho
e as do nosso avô Márinho
vão usar na propaganda?"

"É fácil de adivinhar
(já cá canta o meu tachinho)
quanto aos de D. Cavaquinho
vão usar este chavão:
TUDO A BEM DA NAÇÃO
SIEG HEIL! D. CAVACO
P'RA NOS TIRAR DO BURACO
ONDE ESTAMOS A HIBERNAR!

D. Mário talvez se lixe
porque a Casa de Leon
(duvido é que seja bom)
quer deixar a sua marca
se a Casa da Rosa embarca
no célebre "SOARES É FIXE"
vai ter que acrescentar
BEBE VINHO E FUMA HAXIXE!!!

Publicado por Zé do Telhado às 10:03 AM | Comentários (0)

agosto 15, 2005

*Lá Vem a Nau Catrineta ( 49)

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Neste Ano Santo da Graça
aos vinte do mês de Julho
estando o país ao barulho
outra vez com tudo a arder
por ninguém querer entender
porque acontece esta praga
um'outra história aziaga
ombreou com tal desgraça

Pairava grande ameaça
com a escassez do pilim
muita gente chama assim
àquilo que compra o pão
o tintol e o sabão
o azeite, o bacalhau
a pimenta, o colorau
e sem o qual minguém passa

Valentes homens de raça
os marinheiros da Nau
sabendo tudo tão mau
no que à "guita" diz respeito
aguentavam de peito
o infortúnio e a desdita
fruto da corja maldita
com mestrado na trapaça

Esse bando que esvoaça
qual abutre rapineiro
quando lhe cheira a dinheiro
mergulha em voo picado
e nunca está saciado
do seu voraz apetite
d'uma avidez sem limite
é composta a sua massa

Fôra tão grande a devassa
pela qual a Nau passou
que pouco ou nada sobrou
do ataque do tal bando
e a malta agora amargando
esse fartar-vilanagem
suportava com coragem
a má vida na barcaça

Mas quando a má-sorte abraça
atrás de uma outra vem
e nesse dia também
o ditado se cumpriu
um grande grito se ouviu
o célebre "homem ao mar!"
alguém ousara pular
sentido o fundo a uma braça

"Agarrem-me essa carcaça
que daqui ninguém se pira
olha que coisa tão gira
era só o que faltava
ou repartimos a fava
deste bolo nauseabundo
ou vamos todos ao fundo
gente bem e populaça!

Juro, não sei que faça
a este traidor de um raio
vai levar um tal "ensaio"
de chibata nos costados
que ficarão bem marcados
p'ra nunca mais se esquecer
que a quem se quer escafeder
declaro aberta a caça!

Olha quem é a fataça!
D. Cunha?! Não posso crer!
diga, que quero entender
porque quis "dar o cavanço"
mas vós julgais que eu sou tanso
ou que o vigia é zarolho
cego, com algum terçolho
ou pifado de cachaça?

Diz lá ó alma vivaça!.."
"D. José, por piedade!
juro dizer a verdade
não me mandeis açoitar!"
"Então começa a cantar!"
"Eu só quis dar à soleta
saltando da Catrineta
como a osga salta à traça...

Somente por quão madrassa
foi p'ra mim a triste sorte
só sendo um doido de morte
ou um bombista suicida
aceitaria na vida
trabalho a perder dinheiro
eu também não sou bombeiro
nem chanfrado da "cabaça"...

Pensei: Que se lixe a taça
vou mas é desopilar!
então se posso ganhar
mais com as reformas que tenho
ando a chorar baba e ranho
sofrendo a tola em acção
ataques de comichão
quais picadas de carraça?"...

"Ergamos na primeira praça
uma estátua a este santo
ou mesmo uma em cada canto
para ser mais comovente
anda p'raí tanta gente
tendo pensões de velhice
que s'este exemplo seguisse
p'rá malta era uma panaça!"

" Quem é que assim testemunha?"
-interrogou D. José-
"Eu!" que estou aqui de pé...
-disse um marujo jingão-
e a turba juntou-se então
ao camarada jocoso
e em uníssono, no gôzo
bradou: Á "G'ANDA" CUNHA!

Publicado por Zé do Telhado às 10:06 AM | Comentários (0)

*Lá Vem a Nau Catrineta (48)

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar
Bem cedo ao romper do dia
D. José se preparava
para ver se descobria
em que águas navegava
o Norte havia perdido
ia ver se o encontrava
estava pronto e decidido
a'char o que procurava

"Doce barquinha d'El-Rei
confesso do coração
juro por Deus que não sei
se é Norte ou Meridião
este mar onde navegas
sendo eu teu Capitão
tenho-te levado às cegas
sem saber a direcção

Prometi à marujada
que ia levar-te a bom porto
meti mãos à empreitada
logo a seguir ao aborto
que foi o D. Santanás
Capitão que nasceu torto
D. Burrão foi mais sagaz
fugiu antes de ser morto

Como te disse há bocado
confesso que ando à toa
bastante desnorteado
desde que deixei Lisboa
sentindo o vento zarpei
vaidoso postei-me à proa
como um príncipe sonhei
vir um dia a herdar a coroa

Mas quando os ventos cruzaram
soprando sem piedade
logo os sonhos se esfumaram
perante a realidade
dura esta em que nós'tamos
sem rumo força ou vontade
já perdidos navegamos
ai!... como é dura a verdade"

E assim gemia dolente
o Capitão D. José
olhando o mar tristemente
desde a pôpa até à ré
viu o aperto em que havia
metido toda a ralé
e a solução que não via
nem ao longe nem ao pé

"Espera aí!... que fizeram
esses bravos de "quinhentos"?
não lutaram e venceram
mares, marés, vagas e ventos?
Ora...lembra-te lá Zé
onde estão os instrumentos
que compras-te àquele monhé
numa loja dos trezentos?

Ah!... estão aqui na sacola
onde mais podiam estar?
Vamos ver se o mestre-escola
era bom a ensinar
teso e duro, pele tisnada
porque era um homem do mar
cada frase uma asneirada
que me fazia corar

Ora aqui está o sextante
vamos medir a'ltitude
que leva o sol neste instante
e aí está a longitude
e a latitude o que dá?
vamos calcular agora
depois...cruzar... e aí está
onde andamos nesta hora

Alvíssaras! Boas Novas!
acabou o triste fado
ó marujos, eis as provas
que o Norte foi encontrado
e se não creis no que falo
esperai só mais um bocado
antes do cantar do galo
estará o Cabo alcançado"

"Mas de que Cabo falais?
Capitão nosso Senhor??..."
"Ora... desse que pensais
o tal Cabo Bojador
onde um tal Bartolomeu
homem de grande valor
em noite negra de breu
enfrentou o Adamastor!"

"Quem me chama? Quem vem lá?"
- disse uma voz cavernosa -
"Olha! O jajo ainda cá está!
Ó criatura odiosa!
Salta do leme marujo
que a história é velha e famosa
vais ver esse porco-sujo
a tremer perante a Rosa"

Tomando o leme de peito
aberto à confrontação
colocou a Nau à jeito
proa virada p'rá acção
"Podes começar a cena
ó monstro da perdição
a peça até é pequena
e eu conheço o guião"

"Mas quem fala? Quem és tu?
que a história diz conhecer?"
" Ó calhau de Belzebú
então não me estás a ver?
sou D. José, o da Rosa
já estás a perceber?
filho da Pátria ditosa
que um dia te fez tremer"

"Ah! então és da terrinha
de um tal D. João segundo
esse com o qual me entretinha
a meter as Naus no fundo?
mas por ele até nutria
um respeito mui profundo
de modo que certo dia
o deixei descobrir mundo

Agora pelo que sei
reina um tal D. Cenourinha
que já nem sequer é Rei
nem a consorte Raínha
e de ti, pantomineiro
fez Capitão da barquinha
tu és tanto marinheiro
como o salmão é taínha

Estavas à espera de quê?
meu marujinho da treta?
era certo, já se vê
que a coisa virasse preta
quem marinheiro se arroga
e nunca viu uma alheta
não comanda uma piroga
quanto mais a Catrineta

Rebobino aqui a fita
volto p'rá minha caverna
um "T zero" mais catita
que essa contrução moderna
largue o leme, homem de Deus
que a Nau que você governa
presa a esses dedos seus
terá perdição eterna"

Dito isto o Adamastor
chiou três vezes baixinho
mais três vezes em redor
da Nau rodou de mansinho
e voou pelo escarpado
deixando a falar sozinho
um D. José derrotado
pelo calhau bem velhinho

"Com que então o ser arcano
que acagaçava a marinha
é um velhote bacano
mais manso que uma galinha..."
- era esta a opinião
de toda aquela maltinha
que assistira ao sermão
toda muito caladinha-

"...Capitão, largai o leme
da nobre Nau Catrineta
não vêdes como ela geme?
por favor dê à soleta
I'inda não viu que é um nabo
um Bartolomeu da treta?
Se insiste em dobrar o Cabo
pode crer q'inda se espeta!"

Publicado por Zé do Telhado às 10:05 AM | Comentários (0)

maio 01, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta ( 47)


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Andava a Nau navegando
com toda a calma do mundo
D. José ia apalpando
qual a distância do fundo
Porque a preocupação
que mais ocupava a mona
deste novo Capitão
era aguentar-se à tona

"Ó vigia, ó soldado
aí no cesto real
diz lá como vai o fado
no reino de Portugal..."
"Pelo que vejo, senhor
o país vai de carrinho
reza tudo com fervor
p'lo êxito do Mourinho...

...E até já dizem crer
que o espírito desta vez
que é santo, vai escolher
um papa que é português
Com dois Cardeais à unha
-diz o povinho em histeria-
nem que se meta uma cunha
à Santa Virgem Maria"

"Valha-me o Senhor Santíssimo
que o povo pirou por fim
como se os santos do Altíssimo
se corrompessem assim
Pois já perderam o tino
se pensam que Iavé
é igual ao Isaltino
ou ao Loureiro xé-xé!

E que mais vês tu marujo
do teu cestinho real?"
"vejo tudo muito sujo
no futebol nacional
da compra de prostitutas
para os quartos dos hoteis
às arbitragens corruptas
a troco de cinco reis

E clubes a comprar
jogos em local diferente
de onde deviam jogar
vale tudo minha gente
P'ranimar este bordel
tendo fé no que se diz
até o Penafiel
vai ter um estádio em Paris"

"Que se lixe o futebol
que com isso posso eu bem
quero é contas de outro rol
de S. Bento, de Belém..."
"Sobre isso meu Capitão
nada de novo no saco
ainda não há sim ou não
da parte de D. Cavaco

D. Santanás foi proscrito
D. Isaltino igualmente
é danado o pequenito
que o PPD pôs à frente
Já parece o Zé Stalin
a purga já levou dois
vamos lá ver qual o fim
deste filme de cowbois

"No castelo dos centristas
foi eleito D. Ribeiro
devagar, sem dar nas vistas
é o novo timoneiro
D. Telmo, tal como o santo
seu homónimo, coitadinho
ardeu perdido num canto
qual fogacho mijadinho

Há ainda a novidade
na Câmara da Capital
a esquerda desta cidade
deu à'liança um final
O Carrilho veio à tona
mas p'ra dizer a verdade
quem se ri é o Carmona
que vai ganhar à vontade"

"Salta daí marujinho
já tenho a cabeça à nora
vamos lá ao almocinho
porque já é uma hora
Vamos encher a barriga
que com ela aconchegada
pode ser que se consiga
resolver tanta embrulhada

Aqui p'ra nós amigão
que ninguém nos pode ouvir
tendo esta oposição
logo a seguir vou dormir
Os deuses nos acompanham
os postos estão garantidos
enquanto os gatos se arranham
nos sacos que estão metidos

Autor: Zecatelhado, in: www.tadechuva.weblog.com.pt

Publicado por Zé do Telhado às 01:25 AM

abril 20, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta ( 46 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Ia a Nau de vento em popa
e D. José almoçava
uma posta de garopa
que com azeite regava
O resto da sua gente
assava a bela sardinha
acompanhada igualmente
com a dita batatinha

Estava um dia assaz bonito
o sol brilhava feliz
o mar-chão muito quietito
quando falou D. Assis:
"Sobe à gávea ó vigia
vê se alguém quer perturbar
a quietude do dia
e o nosso almoço estragar"

"Nada vejo senhor meu
só um iate à distância
ali junto ao mar Egeu
não terá grande importância
Vejo dois homens deitados
a tisnar a pele ao sol
serão gregos abastados,
é gente com carcanhol"

"É só isso bom vigia
que avistas de certeza?
se assim é, porque é meio-dia
desce e vai sentar-te à mesa"
"Talvez o que vou dizer
ainda nosso almoço empate
sabeis quem vêm a ser
os marmelos do iate?"

"Mau Maria, mau maria!
-diz D. José chateado-
já tenho a garoupa fria,
posso almoçar descansado?
Diz lá depressa quem são
afinal esses marmelos
que estão a pôr em questão
a temperatura dos grelos"

"Não são dois, meu capitão
gregos há apenas um
o outro é D. Burrão
esse cabeça de atum"
"D. Burrão?! Que disparate!...
pode lá ser esse abrolho?
sofreste uma insolação
ou então já estás zarolho

Desce já, meu papa-açorda
sobe tu, meu bom Assis
agarra-te bem à corda
não vás quebrar o nariz
D. Costa, o dever chama
põe-me o rádio já em escuta
quero saber o que trama
esse filho da... cicuta"

E assim se passou o dia
D. Assis d'óculo na mão
espiava o que podia
informando o Capitão
D. Costa por sua vez
escutava e traduzia
de inglês p'ra português
tudo o que lá se dizia

Após horas de espianço
qual CIA ou KGB
D. Assis toma balanço
descendo p'lo póprio pé
D. Costa pára cansado
já nada há p'ra escutar
dobra as folhas com cuidado
está na hora do jantar

"-Meu Capitão bem amado
-diz D. Assis com olheiras-
podeis estar descansado
qual abade entre freiras
afinal o D. Burroso
só é o que sempre foi
um perú grande e vaidoso
pachorrento como um boi

Anda a fazer umas férias
com um helénico amigo
a mais as suas galdérias
e portanto não há perigo
Não vi nada de anormal
só pança estendida ao sol
um ou outro bacanal
por debaixo do lençol"

"No que à escuta diz respeito
-atalhou D. Costa então -
não há nada de suspeito
tudo normal, Capitão
entre risos e gemidos,
que é no que dão estas coisas,
e uns pratos bem servidos
nas mais finíssimas loiças"

"E perdemos nós o dia
e um almoço que era um gôzo
porque o parvo do vigia
descobriu o D. Burroso
Lá se foi a garoupinha
as batatas e os grelinho
e mais a vossa sardinha
bem regada com tintinho

Ó cozinheiro da Nau
amanhã p'ró almocinho
vais preparar bacalhau
asa branca bem grossinho
volta a cozer os grelinhos
e as batatinhas ao lado
e p'ra fechar uns copinhos
de um tintol bem encorpado


Publicado por Zé do Telhado às 10:00 PM

abril 09, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta ( 45 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Andava a Nau bolinando
junto à Cova do Vapor
a tarde estava acabando
já o sol se estava a pôr
"Ó santíssima acalmia!"
-exclamava D. José-
nem uma agulha bulia
desde a pôpa até à ré

"E como se chama então
este deleitoso estado?"
-perguntou o Capitão
ao marujo ali ao lado
" A este estado dolente
de calmaria bacana
chamam-lhe lá p'ró Oriente
o estado de Nirvana"

"Qual Nirvana, que pensais?
isto aqui é Ocidente
temos dos Orientais
uma cultura diferente
Cá não chamamos Nirvana
na rua, vilória ou praça
desde o Coura ao Guadiana
chamamos "estado de graça"

"Se o dizeis, Capitão meu
vós sois mais inteligente
só sei que está limpo o céu
e o vento mal se sente
A marujada está piana
a populaça calada
passou mais uma semana
sem acontecer mais nada...

A malta está mais contente
a tanga virou roupão
pobre é certo, mas diferente
da parra do pai Adão
Cobre o tronco, e a cintura
sem esquecer coxas e cú
dá p'ra esquecer a'margura
da gente se sentir nú

E com aquelas promessas
que o meu capitão fez
não tarda pedimos "meças"
a qualquer lord inglês
Hão-de andar os marinheiros
sem sequer olhar a custos
com fatinhos domingueiros
fabricados no Augustus!"

"Que é lá isso afinal?
calma lá, seu tagarelas
que eu não sou o Pai Natal
nem o bruxo de Odivelas
os duendes da magia
ou as varas de condão
são filhos da fantasia
ou da mais pura ilusão...

Pés na terra com firmeza
embora o sonho subsista
tenho ambição, com certeza
mas quero ser realista
Se durante este mandato
não gastarmos quais camelos
talvez compremos um fato
na feira de Carcavelos

E olaré! marinheiro
vai dar muito trabalhinho
para o baú ter dinheiro
p'ra compra do tal fatinho
Não restou nada no saco
não há dinheiro p'rá sopa
para o pão e p'ró tabaco
quanto mais p'ra comprar roupa"

Autor: Zecatelhado - in: Tadechuva II - www.tadechuva.weblog.com.pt

Publicado por Zé do Telhado às 11:40 PM

março 31, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta ( 44 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Havia já mais de um mês
que a Nau com estas figuras
tinha zarpado de vez
rumo a novas aventuras
Tinham ficado p'ra trás
os maus tempos, felizmente
os tempos de Santanás
que tanto mal fez à gente

Brilhava o sol radioso
num dia primaveril
que começara chuvoso
já anunciando Abril
quando esta história se deu
a qual aqui vou narrar
tal como ela aconteceu
assim, sem pôr nem tirar

Estando D. José à pôpa
olhando para o convés
reparou que que toda a roupa
da cabeça até aos pés
que a marinhagem vestia
dentro da barca real
estava gasta em demasia
e até rôta, por sinal

Chamai já o Mestre-Linha
ordenou a D. Alberto
que venha cá depressinha
que o caminho é bom e perto
quero saber o motivo
pelo qual as fatiotas
já parecem mais um crivo
estando assim todas tão rôtas!

Chamasteis-me Capitão?
chamei sim mestre alfaiate
posso saber a razão
de tão tosco disparate?
Já viste o que p'raí vai?
Qual disparate senhor?!
Não notasteis? pois olhai,
explicai-me lá, por favôr...

Porque andam os marinheiros
dessa forma desgraçada
tal qual uns pingonheiros
com a roupa toda rasgada!?
Era só o que faltava!
isto é barco de Corsário?
julgasteis que eu não topava
ou pensais que sou otário?

Por favor, meu Capitão
ó mui nobre senhor meu
ouvi agora a razão
porque tal aconteceu
Ninguém tem culpa, Jesus!
que os seus bravos marinheiros
andem rôtos, quase nús
mais parecendo pingonheiros...

O quê? Não há culpado?
que estais vós a afirmar?
por acaso haveis fumado
ou andais a snifar?
Então estes desgraçados
estão num estado que só visto
e depois não há culpados
de se ter chegado a isto?

Quer dizer, há culpado,
mas não é da Catrineta...
Já estou a ficar "passado"
ó mestre-linha da treta!
Explicai lá tudo, sim?
diga o que tem a dizer
tudo tim-tim por tim-tim
que é para eu entender

Ó meu Capitão amado
a culpa deste "caroço"
é do impasse criado
por defender o que é nosso
Há muito foi ordenado
concurso p'rá_quisição
do tal tecido indicado
para as roupas em questão

Só que os malditos chineses
também quiseram entrar
e os texteis portugueses
ficaram logo a berrar
E se o preço oriental
é mais baixo na contenda
que o preço de Portugal
a quem faço a encomenda?

Ora enquanto ia pensando
sem saber o que fazer
foi-se a roupa desgastando
até onde estais a ver
Se devo dar afinal
prioridade absoluta
ao que é feito em Portugal
como é que "descasco a fruta"?

Mestre-linha...muito bem
eu já vos entendo agora
mais: digo-vos que também
teria ficado à nora
Iremos então taxar
o paninho aos idiotas
para o podermos comprar
aos nossos compatriotas!

Autor: Zecatelhado - in: www.tadechuva.weblog.com.pt - Blogue: Tadechuva II

Publicado por Zé do Telhado às 04:30 PM

março 24, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta ( 43)


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Sobe à gávea sem demora
meu marujinho real
e diz-me aqui nesta hora
que se passa Portugal
Assenta bem a luneta
e abre-me esses radares
quero a descrição correta
de tudo o que lobrigares

-...Lobrigo meu capitão
muitas bandeiras vermelhas
e uma grande multidão
de gentes novas e velhas
dão vivas não sei a quem
são para aí seis milhões
vejo mas não ouço bem
qualquer coisa...campeões

Isso são os do Benfica
Já a fazer o "festum"
vendo o final da larica
de dez anos de jejum
Esperemos que essa cegada
não lhes possa dar pr'ó torto
e a marcha vire azulada
nas avenidas do Porto

Mas que vês mais marujinho
que mais ouves, diz-me lá
-...Vejo que chove fininho
e muito pouco por lá
Nem rezas, choros e prantos
Parecem querer convencer
Sáo Pedro e os outros santos
de mandar chuva a valer

Ó gente da Catrineta
mas que seca mais danada
quando abrirmos a agulheta
e não virmos correr nada
Quando o calor fôr tamanho
e a malta suar em bica
água para tomar banho
só se fôr na Caparica

Mas que mais ouves e vês
nesse nosso Portugal?
-...Já entendi de uma vez
porque estou a ouvir mal
Chamai a vós o D. Costa
não me pergunteis a mim
contar-vos-à a marosca
toda tim-tim por tim-tim

Marosca!? Mas qual marosca?
não há som nesse radar?
mas que se passa D. Costa
porque é que o som foi ao ar?
-Foi há algum tempo atrás
meu mui nobre capitão
no mando de Santanás
esse valente aldrabão

Para pagar uns favores
a um Sanches não sei quantos
e uns outros doutores
do altar dos mesmos santos
Trataram de abrir concurso
com mais três fornecedores
p'ra fazer figura de urso
cobrindo a trampa com flores

Acontece que eu, D. Costa
descobri a sacanada
tirei as flores da bosta
e vi a trampa engendrada
Dei logo ordens na hora
p'ra limpar o abcesso
e tratei mesmo 'inda agora
de encetar novo processo

Por isso ó minha gente
vamos ter que aguentar
-...Fizeste bem meu tenente
limpinho se deve andar
Antes surdos que cagados
antes mudos que corruptos
não queremos ser acusados
de sujos pelos Abrupto(s)

D. Pedro, vinde até cá
algo vos quero ditar
D. Augusto anunciará
o que vais escrevinhar:
Quero esta Nau a brilhar
desde a proa até à ré
ai de quem a emporcalhar
que é corrido a pontapé.

Autor: Zecatelhado-in: www.tadechuva.weblog.com.pt - Blogue: Tadechuva II

Publicado por Zé do Telhado às 09:15 PM

março 17, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta - (40 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

-Sobre à gávea marujinho
da nobre Nau Catrineta
põe-te dentro do cestinho
e aponta-me essa luneta
noventa graus para leste
porque estou desconfiado
que devido a um cafajeste
vai haver caldo entornado

-D. José, meu Capitão
e senhor da ordem rosa
tendes vós muita razão
há barracada da grossa
O castelo de Lisboa
ficou em vias de herdar
dois Alcaides, essa é boa
p'ra cidade governar

Nunca tal vi meu Senhor
só mesmo D. Santanás
o douto trapalhão-mór
seria disto capaz
Após as broncas constantes
ao leme da Catrineta
dava era corda aos calcantes
e punha-se de vez na alheta!

- Concordo plenamente
assim deveria ser
mas depois ó minha gente
de que iria ele viver?
Nunca fez ponta de um corno
a não ser de trapalhão
de mulheres foi um adorno
útil na ocasião

Há quem alegue contudo
que se safava a preceito
porque possui um canudo
dado à área do direito
Penso que apesar da fama
morria há fome num mês
com um nabo desta rama
quem queria ser seu freguês?

...Mas diz-me meu marujinho
conta-me mais do que vês!


Vejo e ouço muita gente
gente humilde e gente fina
à Porta do Continente
para comprar aspirina
E dão vivas a valer
por vós terdes ordenado
que se podiam vender
em qualquer Hipermercado

Mas também sois contestado
as farmácias já se alinham
por lhes ver ser retirado
o monopólio que tinham...
-...Ai sim? pois deixa-os berrar
eu sou cego, surdo e mudo
direi mais: Deixa-os pousar
que ainda não ouviram tudo

Fica a saber essa gente
que não só os Hipermercados
podem vender livremente
remédios não receitados
desde o Control ao Durex
do melhoral à aspirina
vai ser tudo à "vontadex"
nas bombas de gasolina

.
- Autor: Zecatelhado-in: www.tadechuva.weblog.com.pt - Blogue: Tadechuva II-

Publicado por Zé do Telhado às 10:01 PM

março 10, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta ( 39 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar


Era tempo de ocupar
camarotes e beliches
eram novos, a estrear
bem confortáveis, bem fixes
É claro que os tenentes
ocupavam camarotes
o resto das outras gentes
os beliches, mais fracotes

O grosso da marujada
toda ao monte, pois então?
pelo convés espalhada
com os costados no chão
Há séculos que assim era
sempre assim fôra vivido
a vida dura e austera
tinham há muito assumido

"...Falta muito para zarpar?
ó piloto do inferno?
eu quero é fazer-me ao mar
que em terra não me governo
o Banco levou-me a casa
o fisco o meu carrinho
a mulher bateu a asa
deixou-me a falar sozinho"...

"...Foi bem feito,meu sacrista!
quem te mandou ser otário?
querias ser galo de crista
foste frango de aviário
elegeste um trapalhão
D. Burroso, essa vedeta
para ser ele o Capitão
da bela Nau Catrineta...

...Em vez da prata e do oiro
que dizia ir trazer
afundou foi o tesoiro
e deu à sola a correr
Depois foi D. Santanás
com ele foi um fartote
já percebes porque estás
não de tanga, mas pelote?"...

Calou, seus fala-barato
vós sois piores que peixeiras
e toca a dar ao sapato
acabar com as brincadeiras
uma encomenda selada
vai chegar via postal
vem do Caldas enviada
p´ra D. Diogo Amaral

Assim que ela cá chegar
quero ser logo avisado
aquele que a entregar
vai levar outro recado
D. José me confiou
esta tarefa importante
escusado dizer que estou
bem por demais radiante

Irei dizer ao carteiro
que diga de uma assentada
ao marmelo que primeiro
no Caldas vir à entrada:
De D. José venho a rogo
informar-vos em geral
que o quadro de D. Diogo
de Freitas do Amaral
foi com prazer recebido
logo,logo colocado
no local que lhe é devido
prontamente preparado

D. Paulinho a sua acção
foi a de um puto de escola
ou você é parvalhão
ou não bate bem da bola
mas pode ficar ciente
depois desta brincadeira
pode haver na sua gente
quem espete o seu na lixeira
Autor: Zé do Telhado - in: www.tadechuva.weblog.com.pt - Blogue: Tadechuva II

Publicado por Zé do Telhado às 01:16 PM

março 05, 2005

-Lá Vem a Nau Catrineta ( 39 )


Lá vem a Nau Catri