março 18, 2006

* Lá Vem A Nau Catrineta... Ou a Peregrinação de José Mentes(?!) Sócrates no reino do D. Sebastão de Boliqueime

PEREGRINO.bmp
Lá vem a nau Catrineta
que tem muito que contar
esta nau, diz o poeta
El-Rei a mandou armar
e de Rosa a fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
a barquinha em alto-mar
dessa odisseia sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra estória de pasmar

Já com a família real
na Catrineta instalada
a Raínha e D. Aníbal
o gato, o cão e a criada
a governanta anafada
o mordomo e o jardineiro
o periquito e o cocheiro
o segurança à entrada
deu a barca uma guinada
com tanta força a estibordo
que os que estavam a bombordo
malharam contra a amurada

"...Ó meu Shumacher frustrado
da caravela real
acaso tu estás drogado
meu estúpido animal?!
deves ter ido ao Casal
à barraca do Vassalo
comprar meia de cavalo
e a meia caiu-te mal?
espera aí ó meu pardal
meu carocho safardana
vou-te tocar a pavana
e fazer o funeral!..."

"...Alto e pára o bailarico
ó Rambo da Serafina
se te armas em manjerico
chupas já uma em surdina
vê lá se essa tola atina
que o homem sabe o que faz
há que fazer marcha atrás
e pôr a nau à bolina
acaso alguém imagina
nenhum de vós eu presumo
qual é o caminho ou rumo
que será dado à "menina"?

O que disse El-Rei Aníbal
quando foi entronizado?
que assim logo que possível
a mim seria ordenado
que levasse com cuidado
a nau a porto seguro
por isso aqui vou e juro
que cumprirei o mandado
eu e todo o almirantado
desta barquinha real
que é de El-Rei de Portugal
tal qual como reza o fado..."

D. José, o Capitão
falava, voz seca e dura
pés bem assentes no chão
mãos pousadas na cintura
entrou na ponte na altura
em que a manobra era feita
a nau virava à direita
na mão hábil e segura
da esguia criatura
que ao leme estava plantado
tendo o seu rosto embuçado
com om gorro de lã pura

"...Desculpe lá Capitão
a malta estava a brincar
mas bati com o cú no chão
quando o gajo a fez guinar
agora estou a topar
-perdão se sou indiscreto-
é um agente secreto
quem a nau vai a guiar?!
poderei eu perguntar
-por favor não leve a mal-
continua o Carnaval
ou há baile a preparar?!..."

"...Podes, podes marujinho
só que eu não vou responder
pensas que és engraçadinho?
pois então fica a saber
que adivinhe quem souber
vai à bruxa ou chama a fada
de mim não saberás nada
não sei se estás a entender
se o embuçado quiser
que se revele à geral
até lá meu animal
fica o mistério a moer..."

Virou costas D. José
retrocedendo o caminho
deixando o pobre do André
ali a falar sozinho
juntando-se num molhinho
alguns quantos da ralé
devagar, pé-ante-pé
e sussurrando baixinho
chegaram mui de mansinho
ao homem do leme à ré
que ali estava de pé
firme e hirto, direitinho

O mistério era total
quem seria o mascarado
e porque estava afinal
ao leme um gajo embuçado?!
nisto um miúdo danado
teve uma ideia brilhante
e logo ali naquele instante
chamou os outros do lado
com ar entusiasmado
disse p'rós seus companheiros:
"...camaradas marinheiros
querem isto desvendado?..."

Sentou-se sobre uma amarra
fincou-se em pose fadista
e pegando na guitarra
logo ali ergueu a crista
o miúdo era um artista
um talento de verdade
estava na flôr da idade
e tinha tique bairrista
com o embuçado à vista
soltou a voz melodiosa
qual João Freire da Rosa
no fado da reconquista

A turba ficou espantada
de olhar extasiado
aquela voz cativava
que bem que cantava o fado
foi então que o mascarado
também se deixou levar
decidindo acompanhar
o miúdo no seu fado
perante a admiração geral
descobriu-se o embuçado
era El-Rei D. Aníbal
houve cavanço geral
ficou o fado estragado

Publicado por Zé do Telhado às 07:30 PM | Comentários (5)

março 12, 2006

* Lá Vem A Nau Catrineta... Ou a Peregrinação de José Mentes(?!) Sócrates no reino de D. Sebastão de Boliqueime

PEREGRINO.bmp

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
esta nau, disse o poeta,
Portugal a navegar,
D. Jorge a mandou zarpar
p'ra uma nova demanda
e é D. José quem comanda
a barquinha em alto-mar
da Odisseia sem par
dos loucos navegadores
ouvi agora senhores
uma estória de pasmar

Estava a Nau engalanada
festões, flores e lacinhos
trique-traques e estalinhos
não estava faltando nada
banda e música afinada
copos, pratos e talheres
dos tenentes aos alferes
dos cabos à marujada
dos porões à amurada
o cheiro a festa no ar
puseram uma vaca a'ssar
e dez leitões da bairrada

A nobreza e o clero
vinham prestar mordomia
a D. Cavaco "O Austero"
que ao trono da Nau subia
quanto à ralé, só queria
era farra, vinho e pão
carne de vaca e leitão
coisas que ela não comia
há bué, Virgem Maria!...
já que aquilo que ganhava
mal p'ra pão e água dava
no penar dia-a-dia

D. Jorge, o rei que cessava
ia ser condecorado
acto vulgar e estafado
a que já ninguém ligava
nem tão pouco se importava
sendo coisa tão banal
houvera besta animal
que não fosse agraciado?
por estar tão vulgarizado
até a'nedota correra
que o medalheiro morrera
completamente estafado

Fraco e avesso à glória
deste rei pouco ficou
dos fracos não reza a história
alguém um dia afirmou
se em algo se destacou
foi no caso de Timor
aí sim teve valor
em tudo o resto falhou
Ah! a malta também gostou
da sua face humanista
e das lágrimas que à vista
de toda a gente soltou

Assim, rei morto - rei posto
e aí vem D. Cavaco
ar austero, que não gosto
olhar cínico e velhaco
tem queixinho de macaco
olhos piscos de toupeira
pernitas de sapateira
pescoço de guanaco
nariz que parece um taco
dos que há no baseball
voz de belfo em si bemol
cujo timbre é muito fraco

É saloio, ponto assente
campónio feito doutor
sem ofensa ou desprimor
para essa honrada gente
que luta galhardamente
pelo pão do dia-a-dia
"campónio" entre aspas, diria
que é muito mais concludente
assim sendo vou em frente
falando deste algarvio
que me causa um arrepio
sempre que passa à tangente

No mau gosto é bem casado
vêde a Cavaca Maria
p'ra ela azul e encarnado
serão cores em sintonia
quanto aos sapatos dizia:
"Quero-os azuis, côr de mar
ficam-me bem, a matar
como à Raínha Sofia"
desta "campónia" algarvia
uns dizem que no passado
o seu marido malvado
lhe dava um estalo por dia

Foram morar em Belém
Possolo virou passado
rei e raínha estão bem
é em palácio murado
mas estou preocupado
sabem vocês com o quê?
com as varandas, já se vê
esperai só mais um bocado
aposto já foi chamado
o bom mestre serralheiro
para as fechar por inteiro
de alumínio anodizado


Publicado por Zé do Telhado às 12:36 PM | Comentários (8)

março 03, 2006

* Lá Vem A Nau Catrineta... Ou a Peregrinação de José Mentes(?!) Sócrates II

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Lá Vem a Nau Catrineta Que Tem Muito Que Contar...

De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa odisseia sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra estória de pasmar

Ordenança: Meu Capitão dá licença?
D. José: Podes entrar ó Proença e a seguir fecha a porta que não me quero constipar.
Ordenança: Eu já vos ouvi espirrar, não estareis já constipado?
D. José: Tenho é um macaco agarrado bem no cimo do nariz.
Ordenança: Podeis fazer como eu fiz...
D. José: ???!!!...
Ordenança: Fui buscar uma banana, depois mostrei-a ao sacana e zás!... foi logo ali agarrado, eh,eh,eh!
D. José: Hoje estás muito engraçado, andaste nos copos hã?
Ordenança: Juro que desde a manhã ainda não bebi nada.
D. José: Vamos parar com a tourada e falar de coisas sérias, tarda nada vou de férias e quero a coisa despachada. Vai-me chamar quanto antes o Tenente Mariano.
Ordenança: Um Tenente bem bacano...
D. José: Que venha cá num instante.
Ordenança: É p'ra já meu comandante.

(...)

Ordenança: Meu Capitão dá licença? Está aqui D. Mariano a quem mandaste chamar.
D. Mariano: Não me diga que há azar!...
D. José: Ainda me vou constipar, FECHA-ME A PORTA Ó PROENÇA!... É que estas correntes de ar...
D. Mariano: Você mandou-me chamar?
D. José: Quero ouvir o que é que pensa essa bendita carola, já que é a mais brilhante tola que existe neste navio.
D. Mariano: Grato pelo elogio, podeis pois chutar a bola.
D. José: Então escuta Mariano: Anda para aí um bacano que me pretende convencer da vantagem, estás a ver?, que a energia nuclear à barca pode trazer. Como deves entender, nestas coisas sou um zero, por isso peço e espero que ajudes a resolver.
D. Mariano: Estou a ver, estou a ver... que achais à primeira vista?
D. José: Não tenho a mínima pista, não sei se é bom ou se é mau. Eu sou das engenharias, mas aquilo que é verdade é que a minha especialidade são as sanitas... e pias!
D. Mariano: O chamado saneamento...
D. José: Isso, esgotos para vazamento da caca que a gente faz.
D. Mariano: Vamos ver se sou capaz de o poder ajudar.
D. José: Que achas do nuclear, será ou não vantajoso?
D. Mariano: Hoje é bem menos perigoso do que aqui há um tempo atrás.
D. José: Mas que vantagem nos trás?
D. Mariano: Dei um dia a D. Burroso essa resposta, aliás...
D. José: Ai o olho de goráz já te havia sondado?!
D. Mariano: Uma vez que fui chamado a prestar opinião.
D. José: E que lhe disseste então?
D. Mariano: Que era assunto delicado e há que pesar muito bem se o risco é compensador, tendo ao nosso dispôr outros tipos de recursos.
D. José: Ou seja: Não sermos ursos e comprar sem pensar bem?
D. Mariano: Isso mesmo, ora aí tem! Sendo um país em que o vento pode ser aproveitado, barragens por todo o lado e sol a todo o momento...
D. José: ... costa a todo o comprimento que permite aproveitar a energia constante que são as ondas do mar...
D. Mariano: Vejo que está a topar muito bem o que eu lhe digo.
D. José: ... E por mais segura há o perigo do desastre nuclear
D. Mariano: Era aí que ia chegar: Embora mui mais segura a cisão ainda é hostil, lembre-se de Chernobyl, uma prova pura e dura. Ainda hoje a morte perdura na terra contaminada onde não cresce mais nada, morreu tudo nessa altura.
D. José: Bem... depois dessa pintura no quadro que apresentaste, do modo como falaste... já formei opinião...
D. Mariano: E?...
D. José: ... E não creio haver razão que justifique ordenar que a central nuclear tenha base neste chão. Enquanto existir cisão não vale a pena arriscar, talvez possamos falar entrando em cena a fusão.
D. Mariano: Portanto é NÃO Capitão?
D. José: Claro, estou elucidado. Lembro que ainda há bocado estava eu a fazer contas, e tinha-as quase prontas, confesso estava tentado, mas agora iluminado por tão brilhante carola, revivo o grito da escola:

NUCLEAR? NÃO, OBRIGADO!

Publicado por Zé do Telhado às 11:07 AM | Comentários (7)

fevereiro 18, 2006

* Lá Vem A Nau Catrineta... Ou a Peregrinação de José Mentes(?!) Sócrates I

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Lá Vem a Nau Catrineta Que Tem Muito Que Contar...

De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa odisseia sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra estória de pasmar

Vigia: Barco à vista!...Bar...

Tenente: Já te ouvi ó meu artista, vê se paras com o chinfrim, é veleiro ou bergantim?

Vigia: É chalupa, isso sim!

Tenente: De Canas de Senhorim?

Vigia: !? De onde?!

Tenente: Esquece, estava a pensar noutra alhada.

Vigia: Tem a flâmula hasteada, vejo bem, é do Irão.

Tenente: E vem nesta direcção?

Vigia: Em rota de colisão.

Tenente: Ó diabo, outra cegada!
(para um dos marujos) Vai já chamar D. Diogo e também o Capitão. (para o armeiro da Nau) Arma canhão a canhão e prontos a fazer fogo; E chama-me os enfermeiros.

Vigia: E o corpo de bombeiros?

Tenente: Podes chamá-lo também, cheira-me a caldo entornado.

Vigia: A mim a nada me cheira (snif), mas como estou constipado...

Tenente: Vê se estás mas é calado e não digas tanta asneira

(Chegam o Capitão D. José e D. Diogo)

D. José: Passa-me lá a luneta; anda então na costa um mouro?

Vigia: Não vislumbro bom agouro p'rá pobre da Catrineta...

D. Diogo: Vê se calas a trombeta e dás à sola tesouro! Junta-te lá à gandula que é aí o teu lugar.

Tenente: Eu já o mandei calar, teimoso como uma mula!

D. José: Dá à sola zé caçula que agora é com quem usa a mona, não para quem tem por cabeça um caroço de azeitona.

D. Diogo: Eh,eh,eh,eh,eh,eh,eh! vai correndo numa fona, sois danado D. José, têm-vos cá um cagaço!...

D. José: Se os deixo tocar-me o braço, podeis querer que estou tramado. ( olha pela luneta) Juro que a fronha do persa já a vi em qualquer lado...(passa a luneta a D. Diogo).

D. Diogo: Ah! pois já o viu carago! foi na segunda ou na terça?... é o mouro destemperado embaixador do Irão...

D. José: Pois é, tendes razão, que quererá esse doutor?!

D. Diogo: Eu sou franco meu senhor, não faço a mínima ideia! (a chalupa aproxima-se e hasteia bandeira de pedido de acostagem) Não deteto hostilidade na chalupa da moirama...

D. José: Quando conheci Osamma também só vi santidade, e no entanto... foi aquilo que a gente sabe. Estejamos nós preparados para o que der e vier.

(Barcos acostam. Mouro sobe à Catrineta)

Embaixador: Sabah el- khayr!

D. José: Bom dia para si também. Sede vossa senhoria bem vindo à Catrineta, mal o mirei na luneta foi grande a minha alegria; tão ilustre visitante é sempre enorme prazer.

Embaixador: Venho só agradecer (para D. Diogo)a vossa (para D. José) e a vossa mercê.

D. José: (!?) Juro que não estou a ver (!?) mas agradecer o quê?!

Embaixador: A posição ora então!?... que ambos vocês tomaram quando uns pulhas publicaram ofensas ao Grande Islão!

D. José e D. Diogo: Àhhhh!!!!!

Embaixador: E tocou-me o coração a forma como (para D. Diogo) o senhor com bravura e destemor falou na televisão.

D. José: Um valentão, um tenente que é um amor!

(D. Diogo fica muito corado e calado)

Embaixador: Sem favor! Mas a verdade porém, é que a razão mais premente de eu estar aqui presente, antes de ir a Belém, foi um mail que recebi vindo do Grande Ayatolla, sobre o tal jogo de bola (aponta para D. Diogo) cuja ideia veio de si.

D. José: Eu juro que não ouvi(!?), falaste em jogo de bola?!

D. Diogo: Eu...

Embaixador: Como ele o comoveu...veja bem, que até chorou o meu querido Ayatolla!

D. José: Perdoem-me porque não estou a entender patavina!?

Embaixador: ?! Como não?!

D. Diogo: Tenhamos lá calma então, meus senhores...por favor, desculpai-me embaixador, esclareço Capitão: Na entrevista que dei no princípio da semana, a certa altura falei em fazer uma jogatana...

D. José: Mas que ideia mais bacana!

D. Diogo:...É, não é meu Capitão? De um lado estava o Islão e do outro a Cristandade!

D. José: E o árbitro, é verdade? Pensaste no pormenor?

D. Diogo: Claro que sim meu senhor, nesse dia de manhã!

D. José: E...

D. Diogo: Seria o Kofi Annan, isenção não há maior!... (embaixador fica perturbado)... se o Islão concordar!

Embaixador: Primeiro vou consultar o Supremo dos Imã, mas juro-vos que amanhã resposta vos virei dar. Pode ficar combinado?

D. Diogo: Cá por mim está tudo bem!

D. José: Eu igualmente...também!

Embaixador: Fica o encontro marcado. Que Alá vos traga bom vento, foi muito bom o momento, foi muito do meu agrado.

D. José e D. Diogo: Nós igualmente, obrigado!

(Vai-se o embaixador e a chalupa moura faz-se ao largo. D. José agarra rapidamente e com força o braço de D. Diogo e leva-o para o camarote)

D. José: Não sei bem se sois maluco ou um génio colossal!...

D. Diogo: Vedes na bola algum mal?

D. José: Vejo é um ninho de cuco!

D. Diogo: De cuco?!

D. José: Belo animal! despeja os ovos todinhos nos ninhos da vizinhança!

D. Diogo: ?!...Não alcanço a semelhança!?...

D. José: Pois não... siga a dança, por isso ainda és tenente e eu sou teu Capitão...

D. Diogo: ???!!!

D. José: Devias ter atenção ao entrares no improviso, houve bué falta de siso nessa do jogo da bola.

D. Diogo: Mas se até o Aiatolla...

D. José: Qual Aiatolla qual quê, sobre a bola já se vê, fizeste merda e da grossa!...

D. Diogo: Bem...se fiz talvez se possa...

D. José: Agora não há papel!...isto vai dar um granel que tu não queiras saber!... Que poderei eu fazer? Pensa Zé, pensa depressa!...

D. Diogo: Meu Capitão, ora essa?!... não o estou a entender!...

D. José: Isso dá p'ra perceber... bem vamos lá a ver então; Telefona ao Madail e ao Major Valentim ...

D. Diogo: Como assim?!

D. José: P'ra que arranjem onze coxos para jogar com a moirama! Se puseres Figos, Ronaldos, e outros craques de igual, damos uma dúzia aos mouros...

D. Diogo: E?...

D. José: TERCEIRA GUERRA MUNDIAL!



Publicado por Zé do Telhado às 09:41 PM | Comentários (16)

fevereiro 11, 2006

* A última Nau Catrineta (61)

Tudo é efemero. A Nau Catrineta chega hoje ao fim com a sua última aventura. Vai suceder-lhe a " A PEREGRINAÇÃO DE JOSÉ MENTES(?!) SÓCRATES,PEREGRINO.bmp um outro estilo de brincadeira que estou a burilar e que penso poder "estrear" na semana que vem. E pronto, vamos lá então à última Catrineta, a 61ª.
Nau.bmp


De rosa se fez zarpar
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é D. José quem comanda
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"Sobe á gávea meu valente
gajeiro da Catrineta
e aponta-me essa luneta
a terras do Oriente
a coisa volta a estar quente
quero saber o que se passa
se há sinagoga e madraça
à mocada novamente"

"Subo sim meu Capitão
mas antes vou-lhe lembrar
que a mã da trolha é Agar
escrava Egípcia de Abraão
sendo ele já ancião
mas homem de muita fé
obediente à Yavé
foi o avõ do Islão

Deitou-se com a escreva e...zás!...
vai daí nasceu Ismael
estava lançado o granel
e nunca mais houve paz
Sara a esposa foi capaz
de conceber aos noventa
nasceu Isac e a tormenta
monta a esse tempo atrás

(gajeiro trepa e olha a Oriente)

Mas... meu senhor D. José
desta a bernarda é diferente
vejo magotes de gente
fazendo um brutal banzé
e diz-se ferida na fé
por dois artistas malteses
cidadãos dinamarqueses
que ultrajaram Maomé

Há fogo nas embaixadas
e pelo que mais estou vendo
o tumulto vai crescendo
berram multidões iradas
as casas vandalizadas
na rua autos de fé
é o que vejo, pois é
as coisas estão mal-paradas

O que é que irá na cabeça
de quem engendrou tal obra?
não há já merda que sobra
p'ra que mais merda aconteça
liberdade, não se esqueça
é direito, mas também
tem um travão, ora bem
onde a do outro começa"

"E dizes tu meu gajeiro
que a coisa está a alastrar?"
"Há muito fumo no ar
espalhado p'lo mundo inteiro!"...
"Mas diz-me lá marinheiro
então e no Ocidente
qual a reacção da gente
ao ver tamanho braseiro?"

"Uns dizem sim, outros não
o povo está dividido
cada qual o seu partido
quanto ao tema em discussão
liberdade de expressão
dizem uns, não tem barreiras
outros acham que há fronteiras
ou deixa de haver razão

Mas vejo gente contente
da sinagoga à madraça
enquanto o ódio repassa
entre Oriente e Ocidente
esfregam as mãos de contente
lá ao fundo, atrás do pano
dando vivas ao plano
urdido tão sabiamente


Autor: Zecatelhado, in: TADECHUVA II - www.tadechuva.weblog.com.pt

Publicado por Zé do Telhado às 12:30 PM | Comentários (6)

janeiro 25, 2006

Lá Vem a Nau Catrineta ( 60)

Nau.bmp


De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
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No camarote encerrado
estava o nosso Capitão
dirigindo a reunião
com o seu almirantado
'inda à muleta agarrado
olhava p'rá televisão
papel e lápis na mão
e olhar mui concentrado

"Tenho uma fé do diabo
que isto vai correr bem
vamos meter em Belém
no trono real sentado
quem me deixe descansado
a comandar esta Nau
doce como um carapau
tal como El-Rei que é finado"

"Eu também -diz D. Coelho-
tenho uma grande fezada
de que não vai falhar nada
podeis estar certo meu velho
vós sabeis que ao aparelho
sob a mão cá deste mangas
modéstia à parte, sem tangas
não escapa nem um pentelho"

"Calai-vos agora então
que já só falta um minuto
venham champagne e charuto
porque isto já está na mão
honra ao deposto chorão
e viva o novo monarca
que haja festa na barca
e escorra o rum pelo chão"

Abriu-se a porta fechada
e saíram para a ponte
olhando p'rá malta a monte
que no convés aguardava
e a t.v. anunciava:
"...vitória p'ra D. Aníbal
e será quase impossível
haver segunda virada!"

"Urra! Viva! Já ganhámos!
-gritou D. Coelho ufano-
Àh Cavaco! G'anda mano!
limpinho como pensámos
tal como planeámos
foi ponto e nó sem tirar!...
-e bradou a rematar-
...estão feitos, já os lixámos!"

E toda aquela gajada
dava pulos de alegria
que até a ponte parecia
vir abaixo tarda nada
a marinhagem coitada
com cara imensa de espanto
um a um de canto a canto
coçava a mona siderada

"Juro que se perceber
eu engulo os meus chinelos!...
estão loucos estes marmelos
ou estou eu a endoidecer?!
alguém está a entender
o que se está a passar?!...
...alguém pode explicar
o que é que eu estou a ver?!"

"Eu népias, ó camarada
estou tão parvo como tu
estão-nos a mexer no cú
e a gente não dá por nada
tod'esta festa danada
levando D. Mário um banho
daqueles de todo o tamanho
de água fria e salgada!"

"Rum p'ra todos, siga a dança
que a festa reine na barca
mais um charuto de marca
para animar a festança
toca a atulhar a pança
honra a Sua Majestade
e desbundem à vontade
qu'inda a noite é'ma criança"!

Sorridente, D. José
à maralha assim falou
quando alguém se adiantou
um bruto dos da ralé
moveu-se pé-ante-pé
chegou-se à primeira fila
e com olhar de reguila
à moda Cais do Sodré

Abriu a boca cariada
olhando o almirantado
e em tom de voz bem gozado
arrimou de um'assentada:
"A maralha está banzada
tudo com cara de otário
não era a mona do Mário
que querieis ver coroada?!"

"Eh,eh,eh! sois uns dementes
pobres ingénuos, coitados
não passais vós de soldados
logo pouco inteligentes
as coisas são bem diferentes
do que vos possam parecer
a política, estão a ver?
é para os clarividentes

Ao dizer publicamente
que queríamos ver no trono
o D. Mário, esse mono
tínhamos um plano em mente
o de acabar finalmente
com esse velho danado
enterrou-se, está finado
suicidou-se, felizmente

Quanto aos laranjas malvados
e ao minorca que os chefia
irão ficar noite e dia
de mãos e pés bem atados
serão mantidos calados
por El-Rei da sua cor
que nos fará o favor
de os ter bem açaimados
E El-Rei está bem tramado
feito ao bife, estão a ver?
não se vai poder mexer
devido à pose de estado
temos tudo controlado
vão ser três anos de paz
digam lá se este rapaz
não é um iluminado?"

"Mas com D. Manuel, senhor
tendes um caso intrincado!..."
"Com D. Coelho a meu lado
não há porque ter temor
vai dizer-lhe sem favor
ou te portas à maneira
e acabas com a brincadeira
ou vais a'ndar meu amor!"

Autor: Zecatelhado - in: www.tadechuva.weblog.com.pt




Publicado por Zé do Telhado às 07:10 PM | Comentários (7)

janeiro 08, 2006

*Lá Vem a Nau Catrineta (59)

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Catrineta 2.JPG


De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar

Estando o nosso Capitão
impossível de aturar
aos berros e a gritar
mal disposto e rezingão
por causa do trambolhão
que o deixara entrapado
e à muleta agarrado
sem meter o pé no chão
Olhava p'rá enfermeira
rapariga "bem dotada"
olhos verdes, voz melada,
imigrante brasileira
que velara a noite inteira
p'lo pobre desafortunado
mantendo-o aconchegado
sentadinha à cebeceira

"Estou-te grato criatura
p'la tua dedicação
que suave é tua mão
quando muda a ligadura
que carinho, que ternura
ao dar-me banho mostraste
e com que cuidado trataste
estas feridas com tintura..."
"Dêche p'rá lá Capitão
eu 'stou mais quiabituada
na massage sou danada
tenho jeito nessa mão
não agradeça, pois não
me chamo Maria Esperança
tenho casinha em Bragança
rua da Consolação"

"Em...Bragança?! Ai Deus me acuda
não digas isso a ninguém..."
"Ma...porrquê!? quié qui têm!?"
"Ia ser linda a barbuda!...
Trata de te fingires muda
se um dia alguém perguntar
como cá viste parar
já entendeste?...Caluda!"
"Se o Capitão o orrdena..."
É uma ordem!...já disse
ia ser bela a chatiçe
e não ia ser pequena
...Ora bem, minha morena
já estou vestido a rigor
chega-me aí por favôr
aquele tricórnio com pena

E agora vai chamar
o D. Jorge de Coelho
tenente do aparelho
a quem eu quero falar"
...
"Ora aqui estou, poxo entrar?"
"Pois claro que podes pá!
Vá depressa, entra lá
que a coisa vai azedar!"
" Anda mouro a querer galgar!?"
"Muito pior, estou tramado
ora lê lá o recado
que El-Rei me fez chegar"

"Humm...Mas que mozca lhe mordeu!?
em dez anos de Belem
nunca chateou ninguém
nunca o bedelho meteu!...
...ezta agora, amigo meu!...
fora o caso Santanázzz
nunca o gajo foi capazzz
de abrir a boca, Deus meu!"

"É por causa do Espanhol..."
"Qual ezzzpanhol!? Não ezzztou a ver!?..."
"Do Pina, estás a entender?
por causa do carcanhol!..."
"Do Pina!?...Do carcanhol!?..."
"Mas tu hoje estás estarola?
do Pina!...Da Iberdrola
estou-me a fazer entender?..."

"Ah!...já essstou a perceber!...
então tu achasss que é issso?..."
"E vem aí o chouriço
para ouvir se fazer
não sei se tu estás a ver
o que daqui vai sair
quando a populaça o vir
o que vai acontecer!..."

"É El-Rei, barco à vista!"
grita no alto o vigia
estava batendo o meio-dia
"Ora aí vem o artista!"
"Eu direi maisss: O sacrisssta
se é por issso que cá essstá!"
"Ai é é, olálá!!!
perdoa-me que eu insista!"

Subindo p'lo próprio pé
o escadaréu de cordame
qual trapezista no arame
foi direito a D. José
"Ora assim mesmo é que é
estás coxo mas aprumado
registo com muito agrado
esse teu acto de fé"

"A que devo a honraria
de tão ilustre visita
ó Majestade bendita
a esta hora do dia?"
-E a populaça ouvia
ardendo em curiosidade-
"Vim cá matar a saudade
desta Nau por companhia!

"Com que então vens de mansinho
meter-me o de dedo no cú
espera aí meu gabirú
que eu já te dou o caldinho
vais sair-te mal, tadinho
meu sacaninha sagaz
pensas que eu sou Santanás
a quem tu fizes-te o ninho?"

Pensava assim D. José
ao olhar perversamente
p'ró Rei que na sua frente
tinha fincado o seu pé
Foi então que da ralé
se ouviu alguém a bradar
"El-Rei vem cá p'ra falar
da E.D.P., já se vê!"

"Quem foi o engracadinho...?"
"Fui eu porquê? quer bater?
digo-lhe e torno a dizer
sem tirar um bocadinho
acha que eu sou adivinho
ou que povo é parvalhão
que não entende a razão
de todo este burburinho?

Você e a corte rosa
no caso da Iberdrola
meteram o pé na arola
fizeram merda da grossa!"
"Descarado!...Minha Nossa..."
"Qual descarado, qual quê?!
pois saiba vossa mercê
que aqui ao Zé Barbosa
Lhe ensinaram na escola
primária de Massarelos
como um tal de Vasconcelos
que defendia a espanhola
à espadeirada e à pistola
atiraram o madraço
pela janela do paço
chutando-o como uma bola!

Nesse tempo Capitão
o povo tinha tomates
e tratava dos dislates
com a sua própria mão
a todo aquele que á traição
vendia o próprio país
p'los amores da meretriz
ou p'la gula do cifrão

E se a malta hoje em dia
agarasse nos marmelos
e os levasse p'los cabelos
para o cesto do vigia
rezava uma Avé Maria
e empurrava o poltrão
desde o alto até ao chão
o que é que acontecia?

"Tratados" com tal justeza
seria remédio santo
só que claro, entretanto
por força dessa limpeza
virava pernas a mesa
e os vossos oficiais
sabujos e outros mais
iam todos de certeza!

Neste coito de ladrões
pulhas, canalhas, traidores
agiotas, estupores
filhos de puta, cabrões
trepaceiros e poltrões
aldrabões e vigaristas
agiotas, prestamistas
há p'rá aí uns dez milhões

Esta Nau que correu mundo
há muito perdeu o Norte
e vai navegando à sorte
não tarda estará no fundo
o fétido cheiro imundo
da traição e da devassa
deixa no ar quando passa
um cheiro nauseabundo!"

El-Rei com ar espantado
e com a lágrima no olho
escutou Barbosa, o Zarolho
e foi-se de rabo alçado
D. José saltou siderado
estava lívido, quase rôxo
esqueceu-se que estava côxo
e caiu ao mar, coitado.

Autor: Zecatelhado - in: www.tadechuva.weblog.com.pt




Publicado por Zé do Telhado às 09:55 PM | Comentários (22)

janeiro 01, 2006

Lá Vem a Nau Catrineta ( 58 )

Piratada.JPG Catrineta 2.JPG

Lá Vem a Nau Catrineta que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar

A azáfama tinha tomado
conta desta Nau sagrada
cantando e rindo animada
estava a malta em todo o lado
Do seu penar desgraçado
nestes dias de folguedo
calava-se e em segredo
esquecia-se do seu fado

Um estendia um festão
outro enrolava fitinhas
outro enchia garrafinhas
de espumante do Esporão
Um outro tinha na mão
uma dúzia de rabichas
e explicava ao Barbichas
como chegar-lhe o tição

Aquilo é que ia ser
um fim de ano de espantar
e punham-se a adivinhar
até já estavam a ver
o que ia acontecer
tudo a cantar e a dançar
que loucura de arrasar
até ao amanhecer

Mas quando a sorte asquerosa
persiste em dizer-nos não
até a pôrra do pão
sabe a bosta mal cheirosa
quando a sina desditosa
teima em não desaparecer
que pode um homem fazer
contra a saga dolorosa?

Ora isto tem a ver
com o que a seguir se passou
e num segundo virou
o edílico prazer
a que a malta se entregava
como acima relatava
num sonho mau, de morrer

D. José o Capitão
um nobre amante da neve
fora à Suíça, a Geneve
armar-se em galo papão
levantando os pés do chão
dera um malhanço de arromba
espetando pernas e tromba
num pinheiro do Cantão

Tinha o joelho entrapado
que mais parecia um trambolho
mais um derrame num olho
e um tornoselo inchado
só com um pé o desgraçado
deste Capitão da treta
surgiu na Nau de muleta
na qual vinha pendurado

Vendo a malta embasbacada
com os olhos postos em si
sentia-se a mais ali
plantado ao cimo da escada
sentiu a altura chegada
de dar uma explicação
sobre o adiar ou não
da festarola aprazada

"Pensa Zé, e com cuidado
arranja uma solução
se lhes dizes que o festão
vai ter que ser adiado
de certeza estás tramado
pois na próxima eleição
estes cabritos irão
deitar-te à água, e fardado!"

"Marujos, estou desolado
por vós a quem tanto adoro
não tarda nada 'inda choro
qual Kalimero ao quadrado
sabei, estou desesperado
e nem sei o que dizer
que mais vai acontecer
neste barco desgraçado?"

"Mas Senhor, o vosso estado
não vai cancelar a festa
ide dormir uma sesta
e descansai um bocado
tenho um plano gizado
que será a solução
escutai com atenção
pois é muito bem esgalhado!"

"Um plano!? Diz depressa!..."
"Nós não somos todos burros
Trongos, nabos e canhurros
embora a vós vos pareça
Veio-me agora à cabeça
ao vê-lo assim, ora bom:
misturar o Reveillon
com o Entrudo, ora essa!"

"Queres dizer...com o Carnaval!?"
"Ou isso, também pode ser
fica já aperceber
e a entender tal e qual
Estando o senhor afinal
com a pena feita num oito
É só trazer do Magoito
o papagaio real..."

"D. Coelhone!?...de que jeito!?..."
"Quem mais poderia ser?
pinta-o de verde, está a ver?
põe-no no ombro direito
pála no olho a preceito
e está quase mascarado
para o fim fica guardado
o artífice mais perfeito..."

"A muleta vai bugiar
põe uma perna de pau
veste uma cara de mau
siga a festa sem parar
bebe rum até fartar
tranformado num corsário
e já não passa p'lo otário
que deu barraca a esquiar

Publicado por Zé do Telhado às 09:20 PM | Comentários (10)

dezembro 09, 2005

* Lá Vem a Nau Catrineta ( 57 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar

Subia o sol no horizonte
a noite cedendo ao dia
quando um berro do vigia
p'ró contrameste na ponte
fez saltar a malta em monte
do porão para o convés
embrulhando mãos e pés
que nem sei como vos conte


Mas afinal que razão
originou tal desnorte?
só um motivo assaz forte
justificava essa acção...
"Chamai já o Capitão
porque a coisa cheira a esturro
e eu confesso, sou burro
não acho explicação!"

Ora D. José escutara
os berros no camarote
e as corridas a trote
que a turba inteira encetara
até a barca adernara
sem contrapeso a estibordo
com a molhada a bombardo
que a dita visão juntara

E que topou o vigia
da formosa Catrineta
ao apontar a luneta
para o Sul ou Meio-Dia?
Era isto que ele via:
um'eronave amarada
que parecia abandonada
pois nem vivalma se via

"O que é que se passa aqui?
estão loucos vossemecês?
'Inda adornamos de vez
se se junta tudo aí!..."
"Mas Capitão, olhe ali
a bombordo, mesmo em frente
p'ra onde olha toda a gente
que eu acaso descobri!"

"Realmente bué esquisito
não se vislumbra vivalma
a mais completa calma
dentro do aviãozito...
escuta bem ó marujito
faz-me descer um escaler
vamos já esclarecer
este mistério maldito!"

E no escaler embarcaram
três homens e o Capitão
com um mosquete na mão
ao hidroavião rumaram
P'ra cima deste se içaram
com as armas aperradas
e com seguras passadas
a inspecção começaram

Da cauda até ao focinho
não encontraram ninguém
mas algo estranho porém
estava ali naquele cantinho
era um caixote novinho
daqueles tipo exportação
vai daí o Capitão
sussurrou assim baixinho:

"Que conterá o caixote?..."
"O Capitão quer que o abra?
está ali um pé de cabra..."
"Quieto meu franganote
ou 'inda voltas p'ró bote
pode estar armadilhado
percebes-te pequenote?

Não vês o que ali está escrito?
«Made in Afeganistão
via Iraque e Irão»
logo o caixote é maldito
E aqui está um sobrescrito
com uma carta a dizer...
«Aí te mando o Yasser
pronto a ir p'rá infinito...!

Mandarás, tenho a certeza
o recibo, querida diva
já com o desconto do IVA
tudo legal e em beleza
não é, doce Condollezza?
que plano divinal
esta operação "Pai Natal"
que acertámos à mesa!"

"Macacos me mordam já
se estiver a perceber..."
"Eu cá não estou mesmo a ver!..."
"E eu igualmente, pá!..."
" Pois bem marujos eu cá
percebi perfeitamente!"
"E não vai contar à gente?
"Vá Capitão, diga lá!..."

"O que está aí fechado
é um bombista suicida!..."
"Um bom... ai a minha vida!..."
" Tem lá calma ó meu borrado!...
enquanto estiver trancado
não vai haver perigo algum
de que o tipo faça PUM
e que vire toucinho assado

Calma, deixem-me pensar...
já pensei: Vamos a isto...
que nos valha Jesus Cristo
se o meu plano falhar!...
Muito bem, vou começar:
Ó de dentro, ó do caixão!..."
...estás-me a ouvir bem ou não?...
...Yasser toca a'cordar!"

"Por Alá, alguém me chama?..."
ouviu-se uma voz que vinha
bem do fundo da caixinha
com o sotaque da moirama
"...Sou eu, Yasser Mhoama
podem abrir isso já
a este filho de Alá
da grande AlQueda de Osama!"

Os marujos aterrados
escutavam atentamente
borrados, batendo o dente
com os olhos gaseados
"Por Deus, estamos lixados
o cabrão vai explodir
e não podemos fugir
vamos voar em bocados"!

"Nós vamos agora abrir
a caixa com o pé de cabra
mas dá-me a tua palavra
que assim que possas sair
nos dirás sem nos mentir
e antes de irmos p'lo ar
porque é que nos queres matar
percebeste?... Estás-me a ouvir?!...

Pára de ganir morcão
pega lá na ferramenta
levanta a tampa e aguenta
que eu já agarro esse cão
estarei pronto p'rá acção
vou saltar e enlaçá-lo
dar-lhe um murro e amarrá-lo
antes que prima o botão!"

Tal como planeado
p'lo capitão corajoso
o assassino andrajoso
foi de pronto dominado
"Agora estás desarmado
tirei o cinto com a bomba
e vou-te partir a tromba
meu veri-light frustrado

Fica a saber meu menino
que confessas, olarelas!...
ou meto-te p'las goelas
quilo e meio de suíno
diz lá velhaco assassino
terrorista de um cabrão
meu filhote do Alcorão
meu sarraceno cretino!..."

"Pelas barbas de Maomé
porco não!... vou confessar
o que eu queria era ganhar
o prémio de Alá eh,eh!...
"E esse tal prémio é?..."
Setenta virgens senhor
que são dadas de favor
aos mártires da nossa fé"!

"Ah,ah,ah! ó meu otário
bateste na porta errada
tu aqui não ganhas nada
amostra de dromedário
as tugas meu ordinário
da Fuseta a Guimarães
ficam sem os três vinténs
mal entram no secundário"!

Autor: Zecatelhado- em: www.tadechuva.weblog.com.pt

Publicado por Zé do Telhado às 05:50 AM | Comentários (11)

novembro 12, 2005

* Lá Vem a Nau Catrineta ( 56 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
para uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto mar
dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
outra história de pasmar

Estava o pobre Capitão
no camarote enterrado
e muito preocupado
p'lo estado da embarcação
tudo da gávea ao porão
em risco de sossobrar
por isso urgia encontrar
a tábua da salvação

"Ai de mim que estou metido
num colete de onze varas
ouve Zé, se tu não paras
vais ao fundo, é bem sabido
pois bem, o trunfo escondido
chegou hora de o jogar:
Ó do leme, toca a andar
já estou mais que decidido!
"

"E qual o rumo a tomar
D. José, meu Capitão?"
"Rumo ao Sul, vento Suão
até eu mandar parar
agora vou ordenar
ao contramestre Varela
que suba tudo o que é vela
quero esta Nau a voar!
"

E por sobre o mar voou
a ditosa Catrineta
desde Belém à Fuseta
e o Algarve ultrapassou
sempre a voar não parou
galgou a costa africana
em menos de uma semana
quando D. José bradou:

"Alto aí, toca a travar
que já vejo o Bojador!"
"E agora , meu Senhor?..."
"Ruma p'ra lá, toca a andar!"
"Mas que quereis vós encontrar
nesta latitude agreste?"
"Ainda não entendeste?...
Vou d'encontro'Adamastor!

Ó da furna!... Ó do Penedo!...
onde estás, ser secular?"

-nisto um ronco de aterrar
fez borrar tudo de medo-
"Quem me chama assim tão cedo?
Quem ousa vir-me acordar?"
"Sou eu, ò monstro do mar
porque estás tu tão azedo?"

"De quem são a embarcadura
e as velas onde me roço?!..."

- disse rodando, imundo e grosso
a horrenda criatura-
"Ouve bem, cabeça dura
não armes em carapau
e não te encostes à Nau
que lhe estragas a pintura

Fica a saber que a barquinha
ó monstro horrível de um raio
é de El-Rei Jorge Sampaio
cognome O Cenourinha!..."
"E o cordame, a balsinha
a gávea que agora toco?"
"Mas tu por acaso és mouco?!
são de El-Rei D. Cenourinha!"

"Espera lá...eu já cantei
esta lenga-lenga, ó meu!...
foi com um tal Bartolomeu
a quem com o qual me passei!...
depois disso até fiquei
de cama o Inverno inteiro
ah! maldito marinheiro
mais sem medo nunca achei!...

Assim, p'ra eu não viver
tal cena mais uma vez
diz, Capitão português
que vieste aqui fazer?"
"Ora então não estás a ver
mostrengo grosso e imundo
que vive no fim do mundo?...
vou à Índia abastecer!...

Ouro, pimenta, acafrão
cravo, canela, aloês
e fico rico outra vez
tal como El-Rei D. João
vais ver que a minha nação
da Catrineta encantada
virará menos de nada
próspera e rica como então!"

"Olha este, está chalado
pirou de vez, coitadinho
e daqui a bocadinho
também eu fico pirado
confesso; estou saturado
Portugueses? Ó Deus meu!
primeiro um Bartolomeu
e agora este chanfrado!...

Ouve lá ó meu estarola
vê se fazes marcha a ré
e pára de ser choné
vê se bates bem a bola
arça as velas, dá à sola
que o tempo desses eventos
foi na era de quinhentos
e a malta era de outra escola!...

Sereis sempre uns desgraçados
homens da Nau Catrineta
o baú não leva cheta?...
nem ao menos dois cruzados?...
perguntem aos arvorados
essa súcia de ladrões
roubam milhões e milhões
e nunca estão saciados!"

Autor: Zecatelhado- em: www.tadechuva.weblog.com.pt


Publicado por Zé do Telhado às 12:32 PM | Comentários (16)

outubro 20, 2005

* Lá Vem a Nau Catrineta ( 55 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
p'ra uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto-mar
Dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Rio abaixo navegando
ao sabor da correnteza
a pobre Nau portuguesa
ao "Deus-dará" ia andando
pelos cantos cochichando
toda a gente conspirava
porque a barca à toa andava
sobre as águas balouçando

"Dizem estar desnorteado
D. José, o Capitão
e se é essa a razão
está todo o mundo tramado
a Nau só anda de lado
não consegue andar p'rá frente
e quem se lixa é a gente
que não vê o fim ao fado

Neste balançar constante
neste "não ata ou desata"
a sorte teimava ingrata
em levar a sua avante
e o remate triunfante
surgiu como por encanto
quando outra história de espanto
despoletou de rompante

Já se fazendo sentir
um friozinho "à maneira"
o tesoureiro Teixeira
apitou a reunir
após se fazer subir
para o cimo de um barril
falou com voz de funil
p´rá turba que estava'ouvir

"D. José manda formar
toda a gente no convés
mexam-me lá esses pés
que pareceis lesmas ' andar
saibam vai anunciar
em que estado anda o baú
e diz querer pôr tudo a nú
sem nada nos ocultar"

"Já vejo pelo entroito
e também p'la "mise en scene"
parecendo missa solene
que estamos feitos num oito
aposto rum e biscoito
uma onça de tabaco
mais as calças e o casaco
e umas férias no Magoito"

"Ah,ah,ah!..."-ria a cambada
das palavras do malvado
um tal de Zecatelhado
que largara a bacorada
"Eu cá não aposto nada
porque perco de certeza
nem sequer a sobremesa
de rançosa marmelada"

"Fechem lá a cloaca
seus bardinos sem vergonha
vós só destilais peçonha
sempre que abris a matraca
reais filhos de uma vaca
corja de língua viperina
do timoneiro ao fachina
sois todos a mesma caca..."

Foi Teixeira interrompido
p'lo Capitão que chegava
e que na mão segurava
um rolo grosso e comprido
tinha o rosto amarelecido
e as pálpebras inchadas
orelhas avermelhadas
e um ar muito abatido

"Marinheiros desta Nau
ó povo nobre e valente
lusa raça, heróica gente
sabei que isto está mau
tesos como um carapau
o baú sem um dobrão
nem temos pilim p'ró pão
quanto mais p'ró bacalhau

Vamos agarrar no cinto
e fazer mais um furinho
não nos resta outro caminho
podeis crer que não vos minto
e vós julgais que eu não sinto
a dor que vos vai na alma?
mas com paciência e com calma
saimos do labirinto

Sabei também que os culpados
deste estado desditoso
são Santanás e Burroso
esses Capitães danados
comandantes estouvados
dois doidos incompetentes
e dos tacanhos tenentes
uns oficiais falhados

Sendo assim está bem de ver
temos muito que penar
pergunto-vos p'rá'cabar
há perguntas a fazer?
estão todos a perceber
toda a causa deste azar
e o que temos que enfrentar
p'ra que o possamos vencer?"

"Não se esforce Capitão
que a malta da Catrineta
sobre essas loas da treta
conhece letra e refrão
entre vós e D. Burrão
existe alguma diferença?
direi mais, dai-me licença
sois dedos da mesma mão

Quanto a essa obra prima
a que chamais orçamento
digo-vos neste momento
para não quebrar a rima
guardai-o com muita estima
fazei dele um canudinho
depois com muito jeitinho
metei-o p'lo cú acima!"


Publicado por Zé do Telhado às 02:15 AM | Comentários (9)

outubro 05, 2005

*Lá Vem a Nau Catrineta ( 54 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
p'ra uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto-mar
Dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Com a Catrineta à bolina
rio abaixo acelerada
mais uma história malvada
engrossou a triste sina
desta Nau que não atina
em achar rota segura
e ond'é fatal a'margura
estar sempre ao virar da esquina

Mas como ia dizendo
este escriba vosso irmão
que com a pena na mão
estes versos vai escrevendo
estando a pobre Nau correndo
p'lo rio do desencanto
um'outra história de espanto
desabrochava em crescendo

"Quero a bujarrona içada!"
bradou alto D. José
p'ró contramestre que à ré
berrava com a marujada
ao ouvir a ordem dada
p'lo Capitão imperial
diz o nobre oficial
com voz de cana rachada:

"Isso também eu queria
meu Capitão general
ordenei a este animal
miolos de cotovia
daqui a pouco há meio dia
que içasse a pôrra da vela
mas o tipo ou está piela
ou surdo como uma enguia!

Será que temos motim
ou uma greve geral?
ou será que este pardal
quer fazer pouco de mim?
pois bem, se isso é assim
não vai tardar um 'stantinho
leva um estalo no focinho
e acaba-se o chinfrim!"

"Deixe de ser fanfarrão
e metá lá A.B.S.
já chega um no P.S.
com pinta de campeão
não vai ser ao estaladão
que esta Nau encontra o rumo
é com diálogo, presumo
com bom senso e'ducação

Fala lá meu desgraçado
homem desta caravela
porque não içaste a vela
como te foi ordenado?..."
"Meu senhor, eu estou pasmado
ninguém me deixa falar
quando tentei explicar
estive quase a ser linchado!

E pobre de mim coitado
sem ter culpas no cartório
augurei o meu velório
e à água ser lançado
ou ficar dependurado
como exemplo p'rá geral
ali no mastro real
e p'las aves devorado!"

"?!...Andaste no absinto
ou estás a ensandecer?
deves ter andado a ler
a saga do Mendes Pinto
é que é isso que pressinto
ao ouvir um tal chorrilho
...já adivinho, meu filho
andaste em provas de tinto!

Falemos sério, em suma:
porque não subiste a vela?"
"Mas meu senhor, cadê ela?
não temos vela nenhuma!
que o inferno me consuma
se isto não é verdade
juro pela eternidade
que não temos vela alguma!"

"Mau, mau, mau, mau, mau, mau, mau...!
não percebo patavina
desta conversa cretina
ó marujo desta Nau
fala a sério, põe-te a pau
ou cago p'rá tolerância
e opto pela arrogância
p'ra te tratar, meu calhau!"

"A velha vela tecida
nos teares da Covilhã
anteontem de manhã
deu o berro, foi à vida!
já estava tão carcomida
pela traça tão esgaçada
passajada, remendada
que pifou de tão cosida!

Telefonei logo de cá
p'rá Covilhã, já se vê
mas sabe vossa mercê
o que disseram de lá?
"Ó homem, não sabe já
que os lanifícios fecharam?...
faliram, já acabaram
por isso pano...não há!"

"Ó diacho!...em que ficamos?
lembrei-me do Vale do Ave
o problema era grave
pois sem vela não andamos
e se nós já navegamos
em mares de fel e vinagre
sem velas só por milagre
é que não nos afundamos

Mas do Ave, com efeito
a resposta foi igual
"...é que agora em Portugal
já compramos tudo feito!
vendo bem, tinha algum jeito
fazer velas, cobertores
nós um país de doutores
de gravatinha a preceito?"

Engraxando o tagarela
perguntei com voz suave:
e vossa excelência sabe
quem fabrica agora a vela?
precisamos tanto dela
que o senhor nem imagina
queremos uma, grossa ou fina
por mais que seja fatela!"...

"E ele não te indicou
quem a vela vende agora?"
"Claro senhor, na hora
o homem lá me safou!
por isso agora aqui estou
debruçado nesta ponte
a olhar o horizonte
esperando p'lo senhor Who!"

!?...Senhor Who?!... é japonês?"
"Chinoca, meu Capitão
são os caras de limão
quem as fabrica de vez!
Olhem, lá vem o freguês
no seu junco e a cantar
faça o favor de contar
o pilim para o chinês!"

Atracou o chinesito
estendeu a mercadoria
enquanto a sorrir dizia:
"eis a vela, venha o guito!
Saibam que estou aflito
pois tenho mais p'ra entregar
isto é um «sempre a aviar»
nem tempo há p'ra um copito"!

"Vê lá se ainda te matas!
eh,eh,eh! sabem vocês?
eu já vi este chinês
na baixa a vender gravatas!"
"Eh,eh,eh! e eram baratas?"
"cinco escudo a escolele!"
"eh,eh,eh!, ria a valer
um da turba já de gatas

Mas o chinês que escutava
o que os labregos diziam
quanto mais eles se riam
mais o homem cogitava:
"Por esta já eu esperava
isto é gente sem miolo
pensam que sou um parolo
com isso já eu contava

Já nenhum quer fazer nada
pensam comprar tudo feito
pois bem, é desse jeito
que a tumba vai ser cavada
será essa a vossa enxada
FORÇA COVEIROS DO DEMO
cavem bem de extremo a extremo
e esperem pela pancada

Nós fazemos, vós comprais
mas ainda pagais pouco
o chinoca não é louco
não vai já cobrar demais
não vai espantar os pardais
toca a agir com prudência
vós bem sabeis que paciência
é o que nós temos mais

O grande dia há-de vir
em que só tereis dinheiro
tudo doutor e engenheiro
mas ninguém p'ra produzir
e quem vos irá servir
velas, cordame, sabão
batatas, arroz e pão
que precisais consumir?

Quanto ao preço, quanto ao valor
seremos nós a fazê-lo
«eis o pão, quereis comê-lo?
preço de ouro, e por favor!»
grande será o estupor
quando a cagança cair
serei o último a rir
mas o que rirá melhor!"


Publicado por Zé do Telhado às 01:00 PM | Comentários (10)

setembro 22, 2005

*Lá Vem a Nau Catrineta ( 53 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
p'ra uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto-mar
Dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Estando Outubro já de entrada
fazendo as malas o Verão
indo-se o vento Suão
chegada a fresca nortada
na bela barca encantada
subia à cena entretanto
um'outra história de espanto
que merece ser contada

Duas semanas andadas
que alguma tropa fandanga
dera o grito do Ipiranga
convencendo os camaradas
que as nobres forças armadas
orgulho e escol da nação
quanto à aposentação
estavam a ser fornicadas

E a saúde? À pois é!
também os queriam lixar
era preciso lutar
fazer um real banzé
Iriam juntos, a pé
desfilar em desafio
pelo convés do navio
desde a proa até à ré

Mas o senhor D. Amado
-o tal da barba charmosa-
lugar-tenente da Rosa
que manda neste coutado
na hora pressionado
p'la brigada do reumático
fez uso d'um profilático
à maneira do passado

Assim sem mais demasias
consultado D. José
o galante granizé
fez saber sem cortesias:
"Deixem-se de fantasias
meus senhores, estão proibidos
de marchar, ou estão fodidos
e vão todos p'ra Caxias!"

Mas se a tropa mastigou
a merda, não a engoliu
e uma pantomina urdiu
que o sacaninha fintou
Foi quanto alguém se lembrou
- salvo erro era um alferes-
que marchavam as mulheres
e todo o caso mudou

"Vais ver, ó flibusteiro
quem vai rir no fim da história!"
gritava a dona Vitória
que era mulher de um lateiro
do tipo Major Loureiro
alcaide de Gondomar
que continua a ostentar
a'lcunha do "batateiro"

"Só mulheres, diz o sebento?
muito bem, está decidido!"
e agarrando num vestido
meteu lá dentro o sargento
com dotes d'arte e talento
correu o fecho "eclair"
e o diacho da mulher
não parava um só momento

"O vestido é uma graça
agora venha a peruca
vou enfiar-ta p'la cuca
e corto-te a bigodaça
com mais um boião de massa
base, baton, lanolina
vais passar por puta fina
no canto de alguma praça"!

Ao olharem p'ró sargento
que virara travesti
a malta que estava ali
presente naquele momento
berrou de contentamento
e travestiu-se também
todos de senhoras-bem
cheias de charme e espavento

E foi assim que marcharam
pelo convés em cordão
mas eis que houve um senão
com o qual nunca contaram
e a perder tudo deitaram
quando um bando de tarados
"matchos latinos" danados
às "beldades" se atiraram

A tourada à moda antiga
que a seguir se passou
eu descrevê-la nem vou
pois imaginam a briga
ah! portugas de uma figa
que até o diabo eterno
quase morreu no inferno
rindo com as mãos na barriga

Autor: Zecatelhado - in: www.tadechuva.weblog.com.pt

Publicado por Zé do Telhado às 11:30 PM | Comentários (22)

setembro 20, 2005

* Lá Vem a Nau Catrineta ( 52 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...

De rosa se fez zarpar
p'ra uma nova demanda
é D. José quem comanda
esta Nau em alto-mar
Dessa aventura sem par
de loucos navegadores
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Havendo Setembro entrado
neste Ano Santo da Graça
cheirando ainda a fumaça
de tanto lenho queimado
repetindo o triste fado
da lusa alma em quebranto
eis que outra história de espanto
deixa tudo alvoroçado

Há muito se suspeitava
-ou melhor: Era evidente-
aos olhos de toda a gente
como esta coisa acabava
Cavalo que prova a fava
já não quer palha ou ração
-diz o povo e com razão-
era só o que faltava!

Devem ter adivinhado
ao que me estou a referir
e devem estar a sorrir
tal como o Zecatelhado
Não podia estar errado
quando há tempos afirmei
que quem viria a ser Rei
era o velhinho anafado

D. Aníbal esperançado
em poder herdar a coroa
deve ter ficado "em broa"
e pode esperar sentado
este D. Mário é danado
o cota é "p'rá frentex"
dos dinossauros é Rex
de todos o mais malvado

Vou parar a ladaínha
que já vai longo o entroito
vou já largar o "biscoito"
e dar palavra à maltinha
que no convés à tardinha
discutia com paixão
o caso da sucessão
de D. Jorge, "O Cenourinha"

"Esse gajo tá velhadas
que vá mas é p'ró asilo
faz-me lembrar o Camilo
e aquelas porno-chachadas
As pernas já estão pesadas
e a pança roça as virilhas
o cinto rasga as presilhas
quando as banhas são prensadas"

"Eh,eh,eh!...- ria o parceiro
do que largara a tirada-
...Olh'essa está bem esgalhada
e tens razão, companheiro
Este velho é um gaiteiro
pior que a'legre viúva
faça sol ou faça chuva
vai a todas bem lampeiro!"

"E o pobre do poeta?
qual Kalimero chorão
sentindo fundo a traição
do seu amigo da treta
sem por um ar de "vendetta"
saiu de rabito alçado
furibundo, desolado
com a alma na sarjeta !"

"Acho bué de indecente
o que fizeram ao pobre
um homenzinho tão nobre
e querido por tanta gente
Mas quem é que não se sente
experimentando a punhalada
cobardemente cravada
«made in Brutus», bem de frente?"

"Pois cá o "je" sente pena
e jura: Está solidário
com o pobre poeta otário
enredado nesta cena
Aposto uma milena
que citou de dedo em riste
o ...e alegre se fez triste...
que escreveu num tal poema!"

"Eu então já decidi
irei votar em D. Mário
é velho como o fado Hilário
mas tem uma coisa em si
que nos outros que já vi
ir p'ráí papagueando
não conseguem nem comprando
dar-me esse prazer a mim!"

"Essa agora, meu maroto
desembucha lá então
e diz-nos qual a razão
que conquistou o teu voto
O que é que trazes no goto
sabendo que és brincalhão
calculamos de antemão
ir sair traque ou arrôto"

"P'ra ele há sempre amanhã
mesmo aos cem anos de idade
acreditem que é verdade
e não uma ideia vã
Saibam Cavaco e Louçã
que o fixe do Mário Alberto
aos noventa é mais que certo
querer o lugar do Annan!"

Publicado por Zé do Telhado às 09:53 AM | Comentários (1)

agosto 22, 2005

*Lá Vem a Nau Catrineta (51)

* Lá Vem a Nau Catrineta (51)

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Agosto estava um braseiro
ia a Nau a meio-gás
sentadinho lá atrás
junto ao varandim da ré
dormitava D. José
esperando por um ventinho
p'ra refrescar o focinho
mas de vento...nem o cheiro!

A canícula ia brava
a Nau estava sequiosa
desde o despontar da Rosa
nem uma gota caíra
seca assim nunca se vira
já se falava em ração
calculem vocês então
quanta angústia ali morava

"Vigia, espreita outra vez
antes que me afogue em mágoa
não vês nuvens prenhes de água
nalgum ponto do horizonte?..."
"P'ra onde quer que eu aponte
só vejo azul, Capitão
nem com o Porto campeão
vi tanto azul de uma vez!"

"Meu santinho padroeiro
que o Céu tenha piedade
vou encarar a verdade
vamos morrer de secura
é que se esta merda dura
pelo menos mais um mês
é chegada a nossa vez
vamos todos prá "galheiro"!

Cheiro tão mal como tu
um fedor acre e picante
tenho a pele qual elefante
e mais sal que uma sardinha
ao menos uma chuvinha
tipo "mijinha de cão"
sempre molhava o sabão
e a malta lavava o cú!"

"Sei que vou dizer asneiras
pois sou burro e mal sei ler
homem do povo, está a ver?
e tenho pouca instrução
faz-me muita confusão
ver tanto douto afirmar
que a água está a'cabar
nas barragens e albufeiras!..."

"Que raio?!...o quê?!...repete!
que estás p'ráí a dizer?!..."
"Que não consigo entender
razão p'ra tanto alarido
nem porque andais constrangido
por não lavar o traseiro
só se faltar o dinheiro
p'rá compra do sabonete!..."

"Tadinho, pirou de vez!
-Dá baixa à enfermaria!-
é isso: O sol do meio-dia
já começa a fazer mossa
a coisa já está mais grossa
que aquilo que calculei!..."
"Calma Senhor, que ainda sei
distiguir a mú da rêz!

Eu só queria perguntar
para poder entender
porque está tudo a gemer
se daqui estou a'vistar
gente na calma a regar
campos de golfe sem fim
vasos, flores e jardim
cagando-se p'ró poupar!

E os campinhos da bola
regados o dia inteiro?
e os nababos com dinheiro
enchendo a sua piscina?
então se isto desatina
com a tal dita campanha
a mim cheira-me a patranha
essa lamúria parola!

Agarrai no sabonete
no shampô e na esponginha
e enchei a banheirinha
da água q'uinda restar
e trate lá de lavar
o cuzinho e os tomates
parando com os disparates
e arrumando a cassete!"

"Ah,ah,ah!...-riu um marmelo
que se juntara a ouvir-
ò Capitão, podeis ir
já lhe enchemos a banheira
como a puta da torneira
estava seca como a palha
vai daí, esta maralha
encheu-a de Água Castelo!

Publicado por Zé do Telhado às 09:57 AM | Comentários (0)

agosto 16, 2005

*Lá Vem a Nau Catrineta (50)

* Lá Vem a Nau Catrineta (50)

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Estando a Nau dos desditosos
quase vendida a Caronte
D. José Subiu à ponte
quando o dia despontava
com a destra segurava
uma cerveja fresquinha
com a esquerda uma "mão cheiínha"
de tremoços mal-cheirosos

"Pôrra, estamos na sarjeta
nem há pilim p'ró tremoço
estou à toa neste poço
ao qual não avisto o fim
sei o que vai ser de mim
se a descida continua
o povo põe-me na rua
e "good bye" Catrineta!

Vigia deste barquinho
que novas tens p'ra me dar?
precisamos animar
a gente que aqui navega
a sorte tem sido cega
mas talvez seu fim se augure
"não há mal que sempre dure"
já lá diz o Zé Povinho!"

"Está a causar grande impacto
uma coisa de pasmar
gente da Rosa a clamar
o regresso do lendário
e cavernoso D. Mário
ao nobre trono real
só que o consenso total
está longe de ser um facto

É que igualmente à partida
se perfilou D. Manuel
o tal "poeta chanell"
figura bem conhecida
anda a Rosa dividida
entre estes dois candidatos
vai virar "saco de gatos"
aposto eu a minha vida

Também a Casa Laranja
sem esperar p'la demora
fez apresentar na hora
o seu candidato a Rei
e por aquilo que sei
anda tudo convencido
que será ele o escolhido
que a vitória vai ser canja!

Na Casa Vermelha vejo
fazerem contas à vida
são como "rata sabida"
muito velha e tarimbada
para já fica parada
à espera da procissão
depois vê se põe ou não
um santinho no cortejo!"

"Então e os azulados?
e os da casa de Leon?"
"Os azuis seguem o "Dom"
que a Laranja quer ver Rei
quanto aos de Leon já sei
porque não nasci otário
vão apoiar o D. Mário
fingindo-se contrariados

Está visto assim que afinal
com mais ou menos intruso
tal como a água do Luso
tudo está mui clarinho
teremos D. Cavaquinho
e D. Mário a disputar
quem o cú irá sentar
no trono de Portugal!"

"Quero a tua promoção
de vigia a Conselheiro
o teu palpite é certeiro
e vais directo ao assunto!..."
"Promovei-me antes a adjunto
já que vos caí em graça
isso sim, é ganhar massa
tanto ou mais que o Capitão!"

Assim farei, mas primeiro
tens ainda que opinar:
o que é que se vai passar
no decorrer da campanha?
que tipo de frase ou senha
as gentes do Cavaquinho
e as do nosso avô Márinho
vão usar na propaganda?"

"É fácil de adivinhar
(já cá canta o meu tachinho)
quanto aos de D. Cavaquinho
vão usar este chavão:
TUDO A BEM DA NAÇÃO
SIEG HEIL! D. CAVACO
P'RA NOS TIRAR DO BURACO
ONDE ESTAMOS A HIBERNAR!

D. Mário talvez se lixe
porque a Casa de Leon
(duvido é que seja bom)
quer deixar a sua marca
se a Casa da Rosa embarca
no célebre "SOARES É FIXE"
vai ter que acrescentar
BEBE VINHO E FUMA HAXIXE!!!

Publicado por Zé do Telhado às 10:03 AM | Comentários (0)

agosto 15, 2005

*Lá Vem a Nau Catrineta ( 49)

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Neste Ano Santo da Graça
aos vinte do mês de Julho
estando o país ao barulho
outra vez com tudo a arder
por ninguém querer entender
porque acontece esta praga
um'outra história aziaga
ombreou com tal desgraça

Pairava grande ameaça
com a escassez do pilim
muita gente chama assim
àquilo que compra o pão
o tintol e o sabão
o azeite, o bacalhau
a pimenta, o colorau
e sem o qual minguém passa

Valentes homens de raça
os marinheiros da Nau
sabendo tudo tão mau
no que à "guita" diz respeito
aguentavam de peito
o infortúnio e a desdita
fruto da corja maldita
com mestrado na trapaça

Esse bando que esvoaça
qual abutre rapineiro
quando lhe cheira a dinheiro
mergulha em voo picado
e nunca está saciado
do seu voraz apetite
d'uma avidez sem limite
é composta a sua massa

Fôra tão grande a devassa
pela qual a Nau passou
que pouco ou nada sobrou
do ataque do tal bando
e a malta agora amargando
esse fartar-vilanagem
suportava com coragem
a má vida na barcaça

Mas quando a má-sorte abraça
atrás de uma outra vem
e nesse dia também
o ditado se cumpriu
um grande grito se ouviu
o célebre "homem ao mar!"
alguém ousara pular
sentido o fundo a uma braça

"Agarrem-me essa carcaça
que daqui ninguém se pira
olha que coisa tão gira
era só o que faltava
ou repartimos a fava
deste bolo nauseabundo
ou vamos todos ao fundo
gente bem e populaça!

Juro, não sei que faça
a este traidor de um raio
vai levar um tal "ensaio"
de chibata nos costados
que ficarão bem marcados
p'ra nunca mais se esquecer
que a quem se quer escafeder
declaro aberta a caça!

Olha quem é a fataça!
D. Cunha?! Não posso crer!
diga, que quero entender
porque quis "dar o cavanço"
mas vós julgais que eu sou tanso
ou que o vigia é zarolho
cego, com algum terçolho
ou pifado de cachaça?

Diz lá ó alma vivaça!.."
"D. José, por piedade!
juro dizer a verdade
não me mandeis açoitar!"
"Então começa a cantar!"
"Eu só quis dar à soleta
saltando da Catrineta
como a osga salta à traça...

Somente por quão madrassa
foi p'ra mim a triste sorte
só sendo um doido de morte
ou um bombista suicida
aceitaria na vida
trabalho a perder dinheiro
eu também não sou bombeiro
nem chanfrado da "cabaça"...

Pensei: Que se lixe a taça
vou mas é desopilar!
então se posso ganhar
mais com as reformas que tenho
ando a chorar baba e ranho
sofrendo a tola em acção
ataques de comichão
quais picadas de carraça?"...

"Ergamos na primeira praça
uma estátua a este santo
ou mesmo uma em cada canto
para ser mais comovente
anda p'raí tanta gente
tendo pensões de velhice
que s'este exemplo seguisse
p'rá malta era uma panaça!"

" Quem é que assim testemunha?"
-interrogou D. José-
"Eu!" que estou aqui de pé...
-disse um marujo jingão-
e a turba juntou-se então
ao camarada jocoso
e em uníssono, no gôzo
bradou: Á "G'ANDA" CUNHA!

Publicado por Zé do Telhado às 10:06 AM | Comentários (0)

*Lá Vem a Nau Catrineta (48)

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar
Bem cedo ao romper do dia
D. José se preparava
para ver se descobria
em que águas navegava
o Norte havia perdido
ia ver se o encontrava
estava pronto e decidido
a'char o que procurava

"Doce barquinha d'El-Rei
confesso do coração
juro por Deus que não sei
se é Norte ou Meridião
este mar onde navegas
sendo eu teu Capitão
tenho-te levado às cegas
sem saber a direcção

Prometi à marujada
que ia levar-te a bom porto
meti mãos à empreitada
logo a seguir ao aborto
que foi o D. Santanás
Capitão que nasceu torto
D. Burrão foi mais sagaz
fugiu antes de ser morto

Como te disse há bocado
confesso que ando à toa
bastante desnorteado
desde que deixei Lisboa
sentindo o vento zarpei
vaidoso postei-me à proa
como um príncipe sonhei
vir um dia a herdar a coroa

Mas quando os ventos cruzaram
soprando sem piedade
logo os sonhos se esfumaram
perante a realidade
dura esta em que nós'tamos
sem rumo força ou vontade
já perdidos navegamos
ai!... como é dura a verdade"

E assim gemia dolente
o Capitão D. José
olhando o mar tristemente
desde a pôpa até à ré
viu o aperto em que havia
metido toda a ralé
e a solução que não via
nem ao longe nem ao pé

"Espera aí!... que fizeram
esses bravos de "quinhentos"?
não lutaram e venceram
mares, marés, vagas e ventos?
Ora...lembra-te lá Zé
onde estão os instrumentos
que compras-te àquele monhé
numa loja dos trezentos?

Ah!... estão aqui na sacola
onde mais podiam estar?
Vamos ver se o mestre-escola
era bom a ensinar
teso e duro, pele tisnada
porque era um homem do mar
cada frase uma asneirada
que me fazia corar

Ora aqui está o sextante
vamos medir a'ltitude
que leva o sol neste instante
e aí está a longitude
e a latitude o que dá?
vamos calcular agora
depois...cruzar... e aí está
onde andamos nesta hora

Alvíssaras! Boas Novas!
acabou o triste fado
ó marujos, eis as provas
que o Norte foi encontrado
e se não creis no que falo
esperai só mais um bocado
antes do cantar do galo
estará o Cabo alcançado"

"Mas de que Cabo falais?
Capitão nosso Senhor??..."
"Ora... desse que pensais
o tal Cabo Bojador
onde um tal Bartolomeu
homem de grande valor
em noite negra de breu
enfrentou o Adamastor!"

"Quem me chama? Quem vem lá?"
- disse uma voz cavernosa -
"Olha! O jajo ainda cá está!
Ó criatura odiosa!
Salta do leme marujo
que a história é velha e famosa
vais ver esse porco-sujo
a tremer perante a Rosa"

Tomando o leme de peito
aberto à confrontação
colocou a Nau à jeito
proa virada p'rá acção
"Podes começar a cena
ó monstro da perdição
a peça até é pequena
e eu conheço o guião"

"Mas quem fala? Quem és tu?
que a história diz conhecer?"
" Ó calhau de Belzebú
então não me estás a ver?
sou D. José, o da Rosa
já estás a perceber?
filho da Pátria ditosa
que um dia te fez tremer"

"Ah! então és da terrinha
de um tal D. João segundo
esse com o qual me entretinha
a meter as Naus no fundo?
mas por ele até nutria
um respeito mui profundo
de modo que certo dia
o deixei descobrir mundo

Agora pelo que sei
reina um tal D. Cenourinha
que já nem sequer é Rei
nem a consorte Raínha
e de ti, pantomineiro
fez Capitão da barquinha
tu és tanto marinheiro
como o salmão é taínha

Estavas à espera de quê?
meu marujinho da treta?
era certo, já se vê
que a coisa virasse preta
quem marinheiro se arroga
e nunca viu uma alheta
não comanda uma piroga
quanto mais a Catrineta

Rebobino aqui a fita
volto p'rá minha caverna
um "T zero" mais catita
que essa contrução moderna
largue o leme, homem de Deus
que a Nau que você governa
presa a esses dedos seus
terá perdição eterna"

Dito isto o Adamastor
chiou três vezes baixinho
mais três vezes em redor
da Nau rodou de mansinho
e voou pelo escarpado
deixando a falar sozinho
um D. José derrotado
pelo calhau bem velhinho

"Com que então o ser arcano
que acagaçava a marinha
é um velhote bacano
mais manso que uma galinha..."
- era esta a opinião
de toda aquela maltinha
que assistira ao sermão
toda muito caladinha-

"...Capitão, largai o leme
da nobre Nau Catrineta
não vêdes como ela geme?
por favor dê à soleta
I'inda não viu que é um nabo
um Bartolomeu da treta?
Se insiste em dobrar o Cabo
pode crer q'inda se espeta!"

Publicado por Zé do Telhado às 10:05 AM | Comentários (0)

maio 01, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta ( 47)


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Andava a Nau navegando
com toda a calma do mundo
D. José ia apalpando
qual a distância do fundo
Porque a preocupação
que mais ocupava a mona
deste novo Capitão
era aguentar-se à tona

"Ó vigia, ó soldado
aí no cesto real
diz lá como vai o fado
no reino de Portugal..."
"Pelo que vejo, senhor
o país vai de carrinho
reza tudo com fervor
p'lo êxito do Mourinho...

...E até já dizem crer
que o espírito desta vez
que é santo, vai escolher
um papa que é português
Com dois Cardeais à unha
-diz o povinho em histeria-
nem que se meta uma cunha
à Santa Virgem Maria"

"Valha-me o Senhor Santíssimo
que o povo pirou por fim
como se os santos do Altíssimo
se corrompessem assim
Pois já perderam o tino
se pensam que Iavé
é igual ao Isaltino
ou ao Loureiro xé-xé!

E que mais vês tu marujo
do teu cestinho real?"
"vejo tudo muito sujo
no futebol nacional
da compra de prostitutas
para os quartos dos hoteis
às arbitragens corruptas
a troco de cinco reis

E clubes a comprar
jogos em local diferente
de onde deviam jogar
vale tudo minha gente
P'ranimar este bordel
tendo fé no que se diz
até o Penafiel
vai ter um estádio em Paris"

"Que se lixe o futebol
que com isso posso eu bem
quero é contas de outro rol
de S. Bento, de Belém..."
"Sobre isso meu Capitão
nada de novo no saco
ainda não há sim ou não
da parte de D. Cavaco

D. Santanás foi proscrito
D. Isaltino igualmente
é danado o pequenito
que o PPD pôs à frente
Já parece o Zé Stalin
a purga já levou dois
vamos lá ver qual o fim
deste filme de cowbois

"No castelo dos centristas
foi eleito D. Ribeiro
devagar, sem dar nas vistas
é o novo timoneiro
D. Telmo, tal como o santo
seu homónimo, coitadinho
ardeu perdido num canto
qual fogacho mijadinho

Há ainda a novidade
na Câmara da Capital
a esquerda desta cidade
deu à'liança um final
O Carrilho veio à tona
mas p'ra dizer a verdade
quem se ri é o Carmona
que vai ganhar à vontade"

"Salta daí marujinho
já tenho a cabeça à nora
vamos lá ao almocinho
porque já é uma hora
Vamos encher a barriga
que com ela aconchegada
pode ser que se consiga
resolver tanta embrulhada

Aqui p'ra nós amigão
que ninguém nos pode ouvir
tendo esta oposição
logo a seguir vou dormir
Os deuses nos acompanham
os postos estão garantidos
enquanto os gatos se arranham
nos sacos que estão metidos

Autor: Zecatelhado, in: www.tadechuva.weblog.com.pt

Publicado por Zé do Telhado às 01:25 AM

abril 20, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta ( 46 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Ia a Nau de vento em popa
e D. José almoçava
uma posta de garopa
que com azeite regava
O resto da sua gente
assava a bela sardinha
acompanhada igualmente
com a dita batatinha

Estava um dia assaz bonito
o sol brilhava feliz
o mar-chão muito quietito
quando falou D. Assis:
"Sobe à gávea ó vigia
vê se alguém quer perturbar
a quietude do dia
e o nosso almoço estragar"

"Nada vejo senhor meu
só um iate à distância
ali junto ao mar Egeu
não terá grande importância
Vejo dois homens deitados
a tisnar a pele ao sol
serão gregos abastados,
é gente com carcanhol"

"É só isso bom vigia
que avistas de certeza?
se assim é, porque é meio-dia
desce e vai sentar-te à mesa"
"Talvez o que vou dizer
ainda nosso almoço empate
sabeis quem vêm a ser
os marmelos do iate?"

"Mau Maria, mau maria!
-diz D. José chateado-
já tenho a garoupa fria,
posso almoçar descansado?
Diz lá depressa quem são
afinal esses marmelos
que estão a pôr em questão
a temperatura dos grelos"

"Não são dois, meu capitão
gregos há apenas um
o outro é D. Burrão
esse cabeça de atum"
"D. Burrão?! Que disparate!...
pode lá ser esse abrolho?
sofreste uma insolação
ou então já estás zarolho

Desce já, meu papa-açorda
sobe tu, meu bom Assis
agarra-te bem à corda
não vás quebrar o nariz
D. Costa, o dever chama
põe-me o rádio já em escuta
quero saber o que trama
esse filho da... cicuta"

E assim se passou o dia
D. Assis d'óculo na mão
espiava o que podia
informando o Capitão
D. Costa por sua vez
escutava e traduzia
de inglês p'ra português
tudo o que lá se dizia

Após horas de espianço
qual CIA ou KGB
D. Assis toma balanço
descendo p'lo póprio pé
D. Costa pára cansado
já nada há p'ra escutar
dobra as folhas com cuidado
está na hora do jantar

"-Meu Capitão bem amado
-diz D. Assis com olheiras-
podeis estar descansado
qual abade entre freiras
afinal o D. Burroso
só é o que sempre foi
um perú grande e vaidoso
pachorrento como um boi

Anda a fazer umas férias
com um helénico amigo
a mais as suas galdérias
e portanto não há perigo
Não vi nada de anormal
só pança estendida ao sol
um ou outro bacanal
por debaixo do lençol"

"No que à escuta diz respeito
-atalhou D. Costa então -
não há nada de suspeito
tudo normal, Capitão
entre risos e gemidos,
que é no que dão estas coisas,
e uns pratos bem servidos
nas mais finíssimas loiças"

"E perdemos nós o dia
e um almoço que era um gôzo
porque o parvo do vigia
descobriu o D. Burroso
Lá se foi a garoupinha
as batatas e os grelinho
e mais a vossa sardinha
bem regada com tintinho

Ó cozinheiro da Nau
amanhã p'ró almocinho
vais preparar bacalhau
asa branca bem grossinho
volta a cozer os grelinhos
e as batatinhas ao lado
e p'ra fechar uns copinhos
de um tintol bem encorpado


Publicado por Zé do Telhado às 10:00 PM

abril 09, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta ( 45 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Andava a Nau bolinando
junto à Cova do Vapor
a tarde estava acabando
já o sol se estava a pôr
"Ó santíssima acalmia!"
-exclamava D. José-
nem uma agulha bulia
desde a pôpa até à ré

"E como se chama então
este deleitoso estado?"
-perguntou o Capitão
ao marujo ali ao lado
" A este estado dolente
de calmaria bacana
chamam-lhe lá p'ró Oriente
o estado de Nirvana"

"Qual Nirvana, que pensais?
isto aqui é Ocidente
temos dos Orientais
uma cultura diferente
Cá não chamamos Nirvana
na rua, vilória ou praça
desde o Coura ao Guadiana
chamamos "estado de graça"

"Se o dizeis, Capitão meu
vós sois mais inteligente
só sei que está limpo o céu
e o vento mal se sente
A marujada está piana
a populaça calada
passou mais uma semana
sem acontecer mais nada...

A malta está mais contente
a tanga virou roupão
pobre é certo, mas diferente
da parra do pai Adão
Cobre o tronco, e a cintura
sem esquecer coxas e cú
dá p'ra esquecer a'margura
da gente se sentir nú

E com aquelas promessas
que o meu capitão fez
não tarda pedimos "meças"
a qualquer lord inglês
Hão-de andar os marinheiros
sem sequer olhar a custos
com fatinhos domingueiros
fabricados no Augustus!"

"Que é lá isso afinal?
calma lá, seu tagarelas
que eu não sou o Pai Natal
nem o bruxo de Odivelas
os duendes da magia
ou as varas de condão
são filhos da fantasia
ou da mais pura ilusão...

Pés na terra com firmeza
embora o sonho subsista
tenho ambição, com certeza
mas quero ser realista
Se durante este mandato
não gastarmos quais camelos
talvez compremos um fato
na feira de Carcavelos

E olaré! marinheiro
vai dar muito trabalhinho
para o baú ter dinheiro
p'ra compra do tal fatinho
Não restou nada no saco
não há dinheiro p'rá sopa
para o pão e p'ró tabaco
quanto mais p'ra comprar roupa"

Autor: Zecatelhado - in: Tadechuva II - www.tadechuva.weblog.com.pt

Publicado por Zé do Telhado às 11:40 PM

março 31, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta ( 44 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Havia já mais de um mês
que a Nau com estas figuras
tinha zarpado de vez
rumo a novas aventuras
Tinham ficado p'ra trás
os maus tempos, felizmente
os tempos de Santanás
que tanto mal fez à gente

Brilhava o sol radioso
num dia primaveril
que começara chuvoso
já anunciando Abril
quando esta história se deu
a qual aqui vou narrar
tal como ela aconteceu
assim, sem pôr nem tirar

Estando D. José à pôpa
olhando para o convés
reparou que que toda a roupa
da cabeça até aos pés
que a marinhagem vestia
dentro da barca real
estava gasta em demasia
e até rôta, por sinal

Chamai já o Mestre-Linha
ordenou a D. Alberto
que venha cá depressinha
que o caminho é bom e perto
quero saber o motivo
pelo qual as fatiotas
já parecem mais um crivo
estando assim todas tão rôtas!

Chamasteis-me Capitão?
chamei sim mestre alfaiate
posso saber a razão
de tão tosco disparate?
Já viste o que p'raí vai?
Qual disparate senhor?!
Não notasteis? pois olhai,
explicai-me lá, por favôr...

Porque andam os marinheiros
dessa forma desgraçada
tal qual uns pingonheiros
com a roupa toda rasgada!?
Era só o que faltava!
isto é barco de Corsário?
julgasteis que eu não topava
ou pensais que sou otário?

Por favor, meu Capitão
ó mui nobre senhor meu
ouvi agora a razão
porque tal aconteceu
Ninguém tem culpa, Jesus!
que os seus bravos marinheiros
andem rôtos, quase nús
mais parecendo pingonheiros...

O quê? Não há culpado?
que estais vós a afirmar?
por acaso haveis fumado
ou andais a snifar?
Então estes desgraçados
estão num estado que só visto
e depois não há culpados
de se ter chegado a isto?

Quer dizer, há culpado,
mas não é da Catrineta...
Já estou a ficar "passado"
ó mestre-linha da treta!
Explicai lá tudo, sim?
diga o que tem a dizer
tudo tim-tim por tim-tim
que é para eu entender

Ó meu Capitão amado
a culpa deste "caroço"
é do impasse criado
por defender o que é nosso
Há muito foi ordenado
concurso p'rá_quisição
do tal tecido indicado
para as roupas em questão

Só que os malditos chineses
também quiseram entrar
e os texteis portugueses
ficaram logo a berrar
E se o preço oriental
é mais baixo na contenda
que o preço de Portugal
a quem faço a encomenda?

Ora enquanto ia pensando
sem saber o que fazer
foi-se a roupa desgastando
até onde estais a ver
Se devo dar afinal
prioridade absoluta
ao que é feito em Portugal
como é que "descasco a fruta"?

Mestre-linha...muito bem
eu já vos entendo agora
mais: digo-vos que também
teria ficado à nora
Iremos então taxar
o paninho aos idiotas
para o podermos comprar
aos nossos compatriotas!

Autor: Zecatelhado - in: www.tadechuva.weblog.com.pt - Blogue: Tadechuva II

Publicado por Zé do Telhado às 04:30 PM

março 24, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta ( 43)


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Sobe à gávea sem demora
meu marujinho real
e diz-me aqui nesta hora
que se passa Portugal
Assenta bem a luneta
e abre-me esses radares
quero a descrição correta
de tudo o que lobrigares

-...Lobrigo meu capitão
muitas bandeiras vermelhas
e uma grande multidão
de gentes novas e velhas
dão vivas não sei a quem
são para aí seis milhões
vejo mas não ouço bem
qualquer coisa...campeões

Isso são os do Benfica
Já a fazer o "festum"
vendo o final da larica
de dez anos de jejum
Esperemos que essa cegada
não lhes possa dar pr'ó torto
e a marcha vire azulada
nas avenidas do Porto

Mas que vês mais marujinho
que mais ouves, diz-me lá
-...Vejo que chove fininho
e muito pouco por lá
Nem rezas, choros e prantos
Parecem querer convencer
Sáo Pedro e os outros santos
de mandar chuva a valer

Ó gente da Catrineta
mas que seca mais danada
quando abrirmos a agulheta
e não virmos correr nada
Quando o calor fôr tamanho
e a malta suar em bica
água para tomar banho
só se fôr na Caparica

Mas que mais ouves e vês
nesse nosso Portugal?
-...Já entendi de uma vez
porque estou a ouvir mal
Chamai a vós o D. Costa
não me pergunteis a mim
contar-vos-à a marosca
toda tim-tim por tim-tim

Marosca!? Mas qual marosca?
não há som nesse radar?
mas que se passa D. Costa
porque é que o som foi ao ar?
-Foi há algum tempo atrás
meu mui nobre capitão
no mando de Santanás
esse valente aldrabão

Para pagar uns favores
a um Sanches não sei quantos
e uns outros doutores
do altar dos mesmos santos
Trataram de abrir concurso
com mais três fornecedores
p'ra fazer figura de urso
cobrindo a trampa com flores

Acontece que eu, D. Costa
descobri a sacanada
tirei as flores da bosta
e vi a trampa engendrada
Dei logo ordens na hora
p'ra limpar o abcesso
e tratei mesmo 'inda agora
de encetar novo processo

Por isso ó minha gente
vamos ter que aguentar
-...Fizeste bem meu tenente
limpinho se deve andar
Antes surdos que cagados
antes mudos que corruptos
não queremos ser acusados
de sujos pelos Abrupto(s)

D. Pedro, vinde até cá
algo vos quero ditar
D. Augusto anunciará
o que vais escrevinhar:
Quero esta Nau a brilhar
desde a proa até à ré
ai de quem a emporcalhar
que é corrido a pontapé.

Autor: Zecatelhado-in: www.tadechuva.weblog.com.pt - Blogue: Tadechuva II

Publicado por Zé do Telhado às 09:15 PM

março 17, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta - (40 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

-Sobre à gávea marujinho
da nobre Nau Catrineta
põe-te dentro do cestinho
e aponta-me essa luneta
noventa graus para leste
porque estou desconfiado
que devido a um cafajeste
vai haver caldo entornado

-D. José, meu Capitão
e senhor da ordem rosa
tendes vós muita razão
há barracada da grossa
O castelo de Lisboa
ficou em vias de herdar
dois Alcaides, essa é boa
p'ra cidade governar

Nunca tal vi meu Senhor
só mesmo D. Santanás
o douto trapalhão-mór
seria disto capaz
Após as broncas constantes
ao leme da Catrineta
dava era corda aos calcantes
e punha-se de vez na alheta!

- Concordo plenamente
assim deveria ser
mas depois ó minha gente
de que iria ele viver?
Nunca fez ponta de um corno
a não ser de trapalhão
de mulheres foi um adorno
útil na ocasião

Há quem alegue contudo
que se safava a preceito
porque possui um canudo
dado à área do direito
Penso que apesar da fama
morria há fome num mês
com um nabo desta rama
quem queria ser seu freguês?

...Mas diz-me meu marujinho
conta-me mais do que vês!


Vejo e ouço muita gente
gente humilde e gente fina
à Porta do Continente
para comprar aspirina
E dão vivas a valer
por vós terdes ordenado
que se podiam vender
em qualquer Hipermercado

Mas também sois contestado
as farmácias já se alinham
por lhes ver ser retirado
o monopólio que tinham...
-...Ai sim? pois deixa-os berrar
eu sou cego, surdo e mudo
direi mais: Deixa-os pousar
que ainda não ouviram tudo

Fica a saber essa gente
que não só os Hipermercados
podem vender livremente
remédios não receitados
desde o Control ao Durex
do melhoral à aspirina
vai ser tudo à "vontadex"
nas bombas de gasolina

.
- Autor: Zecatelhado-in: www.tadechuva.weblog.com.pt - Blogue: Tadechuva II-

Publicado por Zé do Telhado às 10:01 PM

março 10, 2005

- Lá Vem a Nau Catrineta ( 39 )


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar


Era tempo de ocupar
camarotes e beliches
eram novos, a estrear
bem confortáveis, bem fixes
É claro que os tenentes
ocupavam camarotes
o resto das outras gentes
os beliches, mais fracotes

O grosso da marujada
toda ao monte, pois então?
pelo convés espalhada
com os costados no chão
Há séculos que assim era
sempre assim fôra vivido
a vida dura e austera
tinham há muito assumido

"...Falta muito para zarpar?
ó piloto do inferno?
eu quero é fazer-me ao mar
que em terra não me governo
o Banco levou-me a casa
o fisco o meu carrinho
a mulher bateu a asa
deixou-me a falar sozinho"...

"...Foi bem feito,meu sacrista!
quem te mandou ser otário?
querias ser galo de crista
foste frango de aviário
elegeste um trapalhão
D. Burroso, essa vedeta
para ser ele o Capitão
da bela Nau Catrineta...

...Em vez da prata e do oiro
que dizia ir trazer
afundou foi o tesoiro
e deu à sola a correr
Depois foi D. Santanás
com ele foi um fartote
já percebes porque estás
não de tanga, mas pelote?"...

Calou, seus fala-barato
vós sois piores que peixeiras
e toca a dar ao sapato
acabar com as brincadeiras
uma encomenda selada
vai chegar via postal
vem do Caldas enviada
p´ra D. Diogo Amaral

Assim que ela cá chegar
quero ser logo avisado
aquele que a entregar
vai levar outro recado
D. José me confiou
esta tarefa importante
escusado dizer que estou
bem por demais radiante

Irei dizer ao carteiro
que diga de uma assentada
ao marmelo que primeiro
no Caldas vir à entrada:
De D. José venho a rogo
informar-vos em geral
que o quadro de D. Diogo
de Freitas do Amaral
foi com prazer recebido
logo,logo colocado
no local que lhe é devido
prontamente preparado

D. Paulinho a sua acção
foi a de um puto de escola
ou você é parvalhão
ou não bate bem da bola
mas pode ficar ciente
depois desta brincadeira
pode haver na sua gente
quem espete o seu na lixeira
Autor: Zé do Telhado - in: www.tadechuva.weblog.com.pt - Blogue: Tadechuva II

Publicado por Zé do Telhado às 01:16 PM

março 05, 2005

-Lá Vem a Nau Catrineta ( 39 )


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
conta os dias a ampulheta
para que possa zarpar
vestida de novas cores
se fará de novo ao mar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Só faltava uma semana
p'ra nobre real
buscar nova Taprobana
em nome de Portugal
Era grande a confusão
que por ali imperava
os jornais, a televisão
vendo a gente que chegava

Olha o gajeiro e o calafate
o capelão, o tanoeiro
o farreiro, o alfaiate
ena tanto marinheiro!
Mas o que os escribas queriam
nem de longe nem de perto
por mais que olhassem não viam
o que queriam ver ao certo

Surgindo ao fundo da praça
montado em branco alazão
D. José, de sua graça
eis o novo Capitão
Mas... vem só?- pergunta um
dos escribas do inferno-
então não trazeis nenhum
comandante subalterno?

Ficai pois vós a saber
ó D. José da Rosinha
que exigimos conhecer
quanto antes, depressinha
quem são os vossos tenentes
queremos fazer o jornal
nem que nos diga entre-dentes
que não levamos a mal

Caros senhores jornalistas
aí estão eles, todinhos
tevês, jornais e revistas
esperem só um bocadinho
Primeiro vou eu falar
duas perguntas a meio
a seguir ponho-me a andar
vão a correr ao correio

Um... dois... três... e TCHAM!
cairam nas redações
do Correio da Manhã
à Rádio e Televisões
o fax mais aguardado
pelos escribas da treta
quem é que foi nomeado
tenente da Catrineta

Correm todos em tropel
perante o pasmo das gentes
para agarrar o papel
com os nomes dos tenentes
queriam ser os primeiros
a poder comunicar
já tinham os paineleiros
prontinhos a comentar

Ficou então a saber
a populaça na altura
como passaria a ser
o princípio da aventura
Como iriam começar
os versos na narração
quedou-se pronta a escutar
o arauto da nação:

Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito

D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro

D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem

D. Pedro estará à ré
transmitindo à populaça
aquilo que D. José
vai ordenar que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão

A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão

É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Autor: Zecatelhado- in: www.jachove.weblog.com.pt - Blogue: Tadechuva

Publicado por Zecatelhado às 02:00 PM

fevereiro 26, 2005

-Lá Vem a Nau Catrineta...( 38)


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
conta os dias a ampulheta
para que possa zarpar
vestida de novas cores
se fará de novo ao mar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Era certa a previsão
a turba quiz afinal
D. José, p'ra Capitão
da sua barca real
Da boca da populaça
lá vem o velho ditado
Vale mais cair em graça
do que parecer engraçado

Apesar da rasteirice
do jogo sujo e nojento
e da vil ordinarice
ao arrôto mais sebento
Do populismo barato
e da falsa beatice
dos arraiais de aparato
e da mais pura cretinice

O povo que não é burro
viu o que a casa gastava
a coisa cheirava a esturro
e a mentira imperava
Vai daí sem mais demora
Disse BASTA a Santanás
pegue a troxa e vá-se embora
leve D. Paulinho atrás

Mas havia outra questão
que também transparecia
era mostrar a razão
que a El-Rei assitia
quando lhe deu na veneta
e ordenou a Santanás
que encostasse a Catrineta
e fizesse marcha atrás

Quão bonita foi a festa
voltou a sorrir o povo
se a sorte lhe foi funesta
nascia agora de novo
Uma esperança maior
colocava com doçura
na nau de El-Rei seu senhor
que ia de novo à ventura

Na praça junto a uma esquina
sentado no seu banquinho
agarrado à concertina
cantava assim um ceguinho:

Ó povo da Catrineta
mas quem te entende afinal?
quando te dá na corneta
armas cada vendaval
Já deitaste a rosa fora
e a laranja escolheste
vês qual foi o preço agora
da merda que então fizeste?

Agora toma cautela
vê se aprendeste a lição
não caias mais na esparrela
de escolher um Capitão
Da casa da laranjeira
seja qual fôr o escolhido
repetindo a brincadeira
estás outra vez bem f.....!

Autor: Zecatelhado in: www.jachove.weblog.com.pt -Blogue: Tadechuva

Publicado por Zecatelhado às 02:20 PM

fevereiro 19, 2005

-Lá Vem a Nau Catrineta...( 37)


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
conta os dias a ampulheta
para que possa zarpar
vestida de novas cores
se fará de novo ao mar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Dando crédito à sondagem
todos criam que a ralé
com uma larga vantagem
escolheria D. José
assim mandaria o povo
que a sua barca real
se fizesse ao mar de novo
em nome de Portugal

Perante a fé côr de rosa
que em todo o porto imperava
de uma vitória estrondosa
que já ninguém duvidava
D. José extasiado
olhos pregados no mar
sonha aventura acordado
não vendo hora de zarpar

E já se vê Capitão
ordenando aos seus tenentes
e a toda a tripulação
de marinheiros valentes:
"Vamos a isto cambada
rizem velas, ferrem panos
e nem que seja à chapada
vou navegar quatro anos
Findos os quais quero ter
o baú a abarrotar
oiro e prata hei-de trazer
num tesoiro de encantar

Não sou outro Santanás
nem tão pouco outro Burrão
e muito menos Paulinho
o tal sub-capitão
Que passado duas léguas
logo a rabiar ficavam
como duas ratas cegas
sem saber por onde andavam

Eu D. José vos garanto
que sei onde fica o Norte
debaixo do meu comando
haveremos de ter sorte
Tenho olhos de falcão
e nariz de perdigueiro
topo e cheiro um galeão
a léguas se traz dinheiro"

Era pois este o sermão
que trazia engatilhado
o futuro Capitão
da barca do nosso fado
Mas embora não pensasse
ainda havia um senão
e se a ralé obrigasse
a haver sub-capitão?

Quem escolheria afinal?
o avôzinho ou o neto?
D. Jerónimo Cunhal
ou o D. Anacleto?
A hipótese era remota
mas podia acontecer
p'ra descalçar essa bota
que iria ele fazer?

Era melhor não pensar
depois logo se veria
algo se iria arranjar
se falhasse a maioria
Tem lá calma D. José
e não penses nisso agora
tu és um homem de fé
não te borres nesta hora

Já esqueceste o companheiro
que naquele dado momento
comprou alguém sem dinheiro
e aprovou o orçamento?
Com um queijo aflamengado
a ética que se lixe
viu o orçamento aprovado
com uma simples sanduíche

Portanto se não tiveres
maioria absoluta
repete o que fez Guterres
não vires a cara à luta
Quem sabe se na Madeira
não haverá um sacana
que repita a brincadeira
a troco de uma banana?

Autor: Zecatelhado - www.Jachove.weblog.com.pt - Blog: Tadechuva

Publicado por Zecatelhado às 09:30 AM

fevereiro 12, 2005

-Lá Vem a Nau Catrineta...( 36)


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
conta os dias a ampulheta
para que possa zarpar
vestida de novas cores
se fará de novo ao mar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Redobrou a animação
às portas do Carnaval
ó patego olha o balão
sobe ao céu de Portugal
Quem vai ser o Capitão
da nossa barquinha amada?
é grande a agitação
pula a gente extasiada

De D. José a Louçã
de Portas a D. Jerónimo
de Santanás, o galã
à Pereira e seu homónimo
cheios de alma e fulgor
lá vão percorrendo a feira
com um sorriso sedutor
desde o Algarve à Madeira

Mas como agem então
estes cromos afinal
que querem deitar a mão
à nobre barca real?
Desfilam entre bandeiras
e o ribombar dos tambores
dizem graçolas foleiras
p'ra seduzir eleitores

Chegam a todas as ruas
a vielas e travessas
trazendo mundos e luas
nas mãos cheias de promessas
Mas numa visão mais lata
o que é que vemos em suma?
uma mão cheia de nada
outra de coisa nenhuma

Mas que haja festa afinal
e morra a tristeza vil
seja sempre Carnaval
viva o primeiro de Abril
siga o corso minha gente
que a malta quer é festança
andar alegre e contente
caminhar como quem dança

O pior é o depois
quando a festa terminar
quando um daqueles dois
em capitão se arvorar
será dia de finados
e de rabinho pró ar
dos foguetes rebentados
muita cana há prá'panhar
Mas tereis que ter cautela
porque esta gente é maluca
tendes que estar à tabela
ou pôr um olho na nuca

Quando as festas terminarem
vais valer menos que nada
quando já não precisarem
de ti servindo de escada
se te apanham no terreiro
espetam-te sem hesitar
uma cana no traseiro
qual foguete p'ra estoirar

Autor: Zecatelhado in: Tadechuva - www.jachove.weblog.com.pt

Publicado por Zecatelhado às 08:04 AM

fevereiro 05, 2005

-Lá Vem a Nau Catrineta...(35 )


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
conta os dias a ampulheta
para que possa zarpar
vestida de novas cores
se fará de novo ao mar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Fez-se a turba encaminhar
para a praça engalanada
prontinha a ouvir cantar
um fadinho à desgarrada
à esquerda do guitarrista
o D. José da rosinha
à direita o outro artista
D. Santanás laranjinha

Treinados os vocalizos
com os gasganetes bem quentes
foram feitos os avisos
aos dois artistas presentes
Cada um diz duas quadras
e a seguir cala o pio
são as regras estipuladas
p'ra cantar ao desafio

Pediu-se ainda maneiras
decôro e elevação
nada de bocas foleiras
essas trampas é que não
após a aceitação
de um e de outro lado
foi dado início à sessão
silêncio, canta-se o fado

E a populaça escutava
o cantar destes fadistas
e a guitarra acompanhava
com doçura os dois artistas
Quando... ó espanto dos espantos
ainda os acordes soavam
ouviram-se em alguns cantos
vozes de uns que protestavam

Ó D. José, por favor
essa letra é bué velha
todos a sabem de cor
inda'temos na orelha
já D. António a cantou
já conhecemos o fado
que você plagiou
por isso esteja calado

Quanto a vós, D. Santanás
que estais aqui a fazer?
nem de cantar sois capaz
que havemos mais de dizer?
Deveis meter-vos na alheta
do que cantais ninguém gosta
sois um fadista da treta
e o que cantais vira bosta

Autor: Zecatelhado - em www.jachove.weblog.com.pt - Blog: Tadechuva

Publicado por Zecatelhado às 12:00 AM

janeiro 29, 2005

-Lá Vem a Nau Catrineta ( 34 )


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
conta os dias a ampulheta
para que possa zarpar
vestida de novas cores
se fará de novo ao mar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Estando a Nau a receber
já os retoques finais
chamou-se a turba a escolher
capitão e generais
foi dada ordem real
p'ró começo da contenda
e montou-se o arraial
cada qual com sua tenda

Fui esfaqueado por trás
morto na incubadora
berrava D. Santanás
com voz cava e sedutora
Dai-me outra oportunidade
prometo-vos prata e oiro
esmeraldas, rubis e jade
dar-vos-ei grande tesouro

Não escuteis D. Santanás
belo contador de petas
não é mais que um incapaz
é o grão-mestre das tretas
Escutai-me a mim, D. José
capitão da casa rosa
que vos promete bué
de vida alegre e faustosa

Eu é que sou o melhor
não escuteis esses trafulhas
votai Portas por favor
deixai-os com suas bulhas
comigo ao leme da Nau
voltaremos com certeza
a comer bom bacalhau
e iscas à portuguesa

Mas que diferença os define?
escutai-me a mim, D. Jerónimo
um seguidor de Estaline
e do índio meu homónimo
prometo dar-vos o oiro
pôr a prata em vossos braços
sacando-os ao tesoiro
dos galeões dos ricaços

Eu cá prometo 'inda mais
olhai cá para o chavalo
prometo "pedra" geral
mas em dose de cavalo
livrar lésbicas e gays
o aborto nos Hospitais
cá com o Louçã podereis
casar homoxessuais

Sentado no seu banquinho
lata da esmola na mão
dizia assim um ceguinho
tocando acordeão

Pobre de ti barca bela
e a mais os teus marinheiros
quando tu doares a vela
a um destes timoneiros
após mais uma aventura
regressará tudo nú
pelas ruas da amargura
sem um tostão no baú

Autor: Zecatelhado, in: www.jachove.weblog.com.pt - Blogue: Tadechuva

Publicado por Zecatelhado às 07:30 PM

janeiro 22, 2005

-Lá Vem a Nau Catrineta (33 )


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar...
conta os dias a aumpulheta
para que possa zarpar
Dizem que em fins de Fevereiro
se fará de novo ao mar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar...

Primeiro foi D. Burroso
depois foi D. Santanás
a este par lastimoso
se deve o estado em que estás
Já mandaram vir ferreiros
calafates e pintores
entalhadores, tanoeiros
e outros reparadores

E também chegados são
mestres de obra com cartel
que afirmam com convicção
e sapiência a granel
Pôr-te de novo no mar
sem sinal de quebradura
prontinha a recomeçar
a tua nova aventura

Já toda a gente aclama
o capitão que será
D. José, assim se chama
o que te comandará
Que promete dia a dia
a quem o quiser escutar
sem medo nem cobardia
outro Bojador dobrar

E outras Índias descobrir
de pimentas e canelas
de novos rumos abrir
com a cruz de Cristo nas velas
Se for Capitão-Real
porá fim às tuas mágoas
qual nau de Gama ou Cabral
hás-de voar sobre as águas

Alegra-te ó Catrineta
Ó nau de El-Rei D. Sampaio
que hás-de ficar repleta
de oiro, barca de um raio
Só de pedras preciosas
encherás o teu porão
e a perfume de rosas
cheirarás até mais não

E virá o Cardeal
com ladaínha e incensos
e as damas de Portugal
a acenar com seus lenços
Pois nem El-Rei faltará
ao glorioso zarpar
e a lágrima lá estará
marota pronta a saltar

Olha os velhos do Restelo
que ousam interrogar
cobardes, há que dizê-lo
não são dignos de embarcar
Na demanda gloriosa
que não tarda a começar
a da irmandade rosa
com D. José a mandar

Ficarão sós a olhar
a ver a barca partir
com os marujos a cantar
e a plebe a aplaudir
exorcisando o agoiro
contra ventos e marés
para que a prata e o oiro
caiam do céu a seus pés

Já poetas se adiantam
a escrever novas glórias
com aqueles versos que cantam
as indómitas vitórias
nas demandas da mourama
nos mares do Adamastor
que nos trouxeram a fama
de ser povo sem temor

Mas ó poetas, cautela
terá sempre o mesmo fim
p'ra não perder a chancela
só pode acabar assim:
"...Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar..."

Autor: Zecatelhado - in: www.jachove.weblog.com.pt

Publicado por Zecatelhado às 10:00 PM

janeiro 15, 2005

-Lá Vem a Nau Catrineta (32 )


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar...

Ancorada a Nau ao porto
até meios de Fevereiro
nos arredores do estaleiro
sentado no seu banquinho
assentou praça um ceguinho
com a guitarra na mão
entoando uma canção
da fazer chorar um morto

A gente que labutava
na nobre barca real
de El-Rei de Portugal
pararam p'ra ouvir o fado
que o ceguinho desgraçado
entoava em tom dolente
e com letra tão pungente
que todo o mundo chorava

Mas o que dizia o cego
nos seus versos afinal?
dizia que Portugal
era um reino desgraçado
que fora amaldiçoado
por alguma bruxa tonta
estava um reino "faz de conta"
com todos os bens no prego

Tinha chegado a tal estado
de pobreza franciscana
que ainda esta semana
houvera quem alvitrasse
que a velhada se preparasse
p'ra bulir mais cinco aninhos
toca a mexer os rabinhos
até cairem p'ró lado

E enquanto o povo se amola
por não saber que enfiar
na panela do jantar
pois já está a marcar passo
anda aí gente do Paço
em mergulhos tropicais
e passeatas orientais
com cem marmanjos na cola

Vejam ao que isto chegou
filhos de uma cabra velha
sou cego mas não azelha
que não sinta a vilania
hei-de ver chegar o dia
em que tereis de saldar
tudo o que estais a roubar
a quem em vós confiou

Ouvi ó gentes do mar
calafates e ferreiros
marujos e cozinheiros
deitai fora as ferramentas
ou dai com elas nas ventas
dos donos da Catrineta
senhores de muita palheta
que vos querem enganar

Se vos vierem perguntar
quem quereis p'ra Capitão
respondam todos que não
que para vós tanto faz
Sócrtates ou Santanás
o boby ou o tareco
ou qualquer outro boneco
que eles queiram arvorar

Publicado por Zecatelhado às 07:08 AM

janeiro 02, 2005

-Lá Vem a Nau Catrineta...(31 )


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar...

( Aqui, o Velho do Restelo interrompe o Zecatelhado)

Estava a Nau já no estaleiro
prontinha a ser reparada
depois de ser escavacada
primeiro por D. Burrão
esse "Cherne" capitão
que ao ver o rabo a arder
sem saber mais que fazer
deu à sola p'ró estrangeiro

Depois p'ra mal dos pecados
da ralé da Catrineta
um novo mestre da treta
foi armado capitão
sendo bronco até mais não
pior que um tijolo burro
este pedante casmurro
desfez o resto em bocados

Mas aqui amigos meus
a culpa vai para El-Rei
eu nunca perceberei
que raio lhe deu na cuca
pôs toda a ralé maluca
ao dar a um incompetente
os destinos da sua gente
foi pois de bradar aos céus!

Santanás, o Brilhantinas
foi rei momo em Portugal
vivemos em Carnaval
quatro meses de virada
nem no Brasil a tourada
chega a um tal aparato
agora é pagar o pato
destas pestes cabotinas

Foi deitar dinheiro ao vento
foi gastar à vara larga
a crise vai ser amarga
vamos chorar baba e ranho
e vai ser de tal tamanho
que vamos ter que importar
uns baldes tipo-alguidar
p'ra caber toda lá dentro

Ó gentes da Catrineta
ó povinho desgraçado
será sina? será fado?
será má sorte, condão?
aturas cada aldrabão
que sem pejo nem vergonha
te vende a sua peçonha
e tu compras, qual cegueta!

Não te deixes enganar
pela canalha outra vêz
são sempre os mesmos, não vês,
a dar-te a banha da cobra?
não conheces já de sobra
os malditos vendilhões
que te prometem milhões
mas nada têm p'ra dar?

( Fim do discurso do Velho do Restelo - Recomeça o Zecatelhado )

... Depois de tudo o que ouvi
que mais posso acrescentar?
nada mais há p'ra lembrar
a não ser a poesia
que o poeta certo dia
num poema rematou:
NÃO SEI POR ONDE VOU
MAS SEI QUE NÃO VOU POR AÍ!

Autor: Zecatelhado - Tadechuva - in: www.jachove.weblog.com.pt

Publicado por Zecatelhado às 12:47 AM

dezembro 18, 2004

-Lá Vem a Nau Catrineta ( 30 )


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar


Estava a Nau já atracada
por ordem de El-Rei Sampaio
depois de ser escavacada
por essa corja de um raio
que quase a havia afundado
nos tempos de D. Durão
e ainda mais arrombado
por Santanás capitão

Pondo fim aos disparates
fez D. Sampaio avançar
ferreiros e calafates
para a poderem reparar
desde rombos a fracturas
no casco e nos mastaréus
que após estas aventuras
estavam de bradar aos céus

Até a arca do saque
sofrera de um rombo tal
que ia dando um ataque
a El-Rei de Portugal

Fora o pilim quase todo
p'ra luxos e mordomias
tinha sido mais que um bodo
de folguedos e folias
desde carros a acessores
secretárias, secretários
gabinetes p'rós doutores
buracos rodoviários

Tendo os bichos do demónio
chegado ao fundo do saco
toca a vender patromónio
para tapar o buraco
Agora, está bom de ver
que o que se segue, sabeis:
os dedos ter que vender
após venda dos anéis

E a pobre marujada?
quando o escorbuto atacou
na despensa esvaziada
nem um limão encontrou
Todo o dinheiro servia
p'rá desbunda dos tratantes
p'rá festança e prá folia
dos sinistros comandantes

E a escola da marinhagem
também ela achincalhada!
foi um fartar vilanagem
deixaram-na desgraçada
sem rumo foi navegar
um seja o que Deus quizer
sem mestres para ensinar
sem alunos p'ráprender

Neste estado degradante
entrou a Nau no estaleiro
virá novo Comandante
em meados de Fevereiro
Pra não correres novo risco
tem cuidado, Catrineta
não se vire só o disco
e se toque a mesma treta

Autor: Zecatelhado - in: www.jachove.weblog.com.pt

Publicado por Zecatelhado às 04:32 PM

dezembro 11, 2004

-Lá Vem a Nau Catrineta! ( 29 )


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

Eis que a nossa Nau entrava
no pontão sul de Belém
a viagem terminava
ordem directa de El-Rei

D. Sampaio ordenava
ao pessoal do estaleiro
que a Catrineta encostava
p'ra obras até Fevereiro

Chancelou o documento
com o sinete real
e a partir daquele momento
no meio do maralhal

disse p'ró estafeta-mor
"levai-o a D. Santanás"
que o leia, por favor
e que faça marcha atrás

Finalmente era ordenado
sem piedade nem dó
o fim deste triste fado
o fim do forrobodó

D. Santanás furioso
ao ler o tal "papelinho"
vociferou em tom raivoso:
"chamai-me já D. Paulinho"

"Que foi, Senhor Capitão,
porque estais tão furibundo?
vem aí algum tufão
ou a Nau bateu no fundo?"...

"Deixai-vos de armar aos cucos
e dessas bocas foleiras
travai os gestos malucos
veja lá se tem maneiras!

Estamos todos demitidos
Santanás, Capitão Gay...
fomos todos despedidos
por ordem expressa de El-Rei

E ordena sem mais demora
que a Nau seja encostada
no real estaleiro,AGORA!
p'ra que seja reparada

Como vêdes D. Paulinho
aventura terminada!
contra isto, meu santinho
não podemos fazer nada!

Ó que pobre sorte a minha
porque larguei eu Lisboa?
a Figueira, a bola e a Cinha...
a vidinha era tão boa..."

"Calma, calma Capitão
que algo se há-de arranjar
a arte da confusão
sou eu mestre a preparar..."

"Mas não há nada a fazer,
chegou ao fim o caminho..."
"Isso é o que vamos ver...
..onde é que está o livrinho?..."

"O livrinho?! Qual livrinho?!...
que estais vós a magicar?
A Bíblia?! D. Paulinho?
que ides vós arranjar?!"

"Um, dois, três...vamos a isto!
Vejamos onde calhou
Àh! calhou na Paixão de Cristo
quando o galaró cantou!

Eu não disse, Capitão,
que este truque nunca falha?
encontrei a solução
toca a'frontar a canalha!"...

"Macacos me mordam todo
se vos entendo na hora..."
Meu Capitão, é o engodo
que vamos lançar agora!..."

"Engodo?! Mas qual engodo
que vamos lançar agora?!
estais é maluco de todo
vou deitar-vos borda-fora!"

"CALMA AÍ, D. Santanás
começemos o ensaio
veremos do que é capaz
para afrontar D. Sampaio..."

"Afrontar? Isso é que eu queria!
e derrubar, afinal!
quem sabe, pudesse um dia
ser o Rei de Portugal...

Foi por crer que isso era um meio
que aceitei comandar
esta Nau que agora odeio,
para lá poder chegar..."

"Está a ver, Capitãozinho?
tende fé e confiai
aqui no amigo Paulinho
que um amigo nunca trai

Sereis rei, queiram ou não
os reviralhos da treta
e eu vosso Capitão
da bela Nau Carineta

Mas voltando à vaca fria:
como o livro santo indica
logo ao despontar do dia
direis de El-Rei com genica:

Ele é um grande aldrabilhas
e um hereje, que eu bem sei
porque apontou p'ra Cacilhas
jurando por Cristo Rei

Três vezes ousou gritar
fosse qual fosse a razão
nunca me iria tirar
o posto de Capitão

Ora de um Rei aldrabão
que podeis vós esperar?
não quero ser Capitão
nem esta Nau comandar

Prefiro ser desterrado
para os confins do universo
que aturar este chalado
deste Rei mau e perverso

Vereis como o povo "papa"
este tipo de lamentos
vós saireis à sucapa
esperando novos ventos

E quando a hora soar
digo-vos eu, que bem sei
alguém vos virá buscar
para serdes o novo Rei

Autor: Zecatelhado in: Tadechuva, em www.jachove.weblog.com.pt

Publicado por Zecatelhado às 04:33 PM

dezembro 01, 2004

-Lá Vem a Nau Catrineta (Especial )


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Andava a nau bolinando
Tejo abaixo sem destino
D. Santanás besuntando
seu ralo cabelo fino
D. Portas mudo e calado
olhos fixos no além
espera nervoso e sentado
por notícias de Belém

E eis que então de repente
sol a pino, era meio-dia
D. Santanás pára o pente
e berra para o vigia
Sobe à gávea meu marujo
sei que a borrasca me aguarda
e como à sina não fujo
então que venha a bernarda

Vê se topas de luneta
quem me quer fazer a cama
além desse El-Rei da treta
os autores de toda a trama
embora p'ra ser sincero
eu já os conheça bem
desde o Mendes ao Marcelo
e ao candidato a Belém

E ainda a Manuela
e o filho de uma rameira
que deitava p'la janela
o DVD do Vieira
foram muitos os traidores
devia ter estado a pau
malditos conspiradores
contra o comando da Nau

Da parte que toca a nós
sempre vos fomos leais
nunca criámos torós
borrascas ou temporais
Digo eu, D. Paulo Portas
e é a verdade acabada
se as coisas sairam tortas
foi a laranja a culpada

Cale-se lá um bocado
que isso é conversa fiada
Marujo: estás tão calado
ainda não viste nada?

Meu Capitão, vejo sim
vejo El-Rei muito animado
com os homens do pilim
e D. Soares a seu lado
e também o D. Aníbal
e ainda o Cardeal
perguntando se é possível
fazerem-lhe o funeral

A si e a D. Paulinho
e à tralha que vos seguiu
vão mandar-vos de fininho
p'rá p... piiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuu!!!
dizem que estão liquidados
e que a partir desta altura
estão mortos e enterrados
bem fundo na sepultura

Àh,ah,ah! deixa-me rir
bem enterrado uma ova
pois saibam que hão-de assistir
ao morto a sair da cova

Digo-vos eu Santanás
as vezes que for preciso
que ainda hei-de voltar
p'ra vos chagar o juízo

Autor: Zecatelhado in: Tadechuva - www.jachove.weblog.com.pt

Publicado por Zecatelhado às 11:54 PM

novembro 06, 2004

-Lá Vem A Nau Catrineta - Nov.I


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Razando o Cabo Espichel
eram três da madrugada
armou-se um bruto granel
num canto junto à amurada

Mas o que é que motivara
toda aquela confusão?
O que fôra que gerara
gritaria até mais não?

O calafate-arquiteto
que ordenara proibir
passar por baixo de um teto
que ameaçava ruir

Era o teto da passagem
de um corredor estreitinho
usado p'la marinhagem
para encurtr o caminho
que desde o convés levava
bem ao fundo do porão
vejam o transtorno que dava
fechá-lo do pé para a mão!

..."Ide chamar D. Mexia...
-vociferava a orda irada -
...queremos esta porcaria
quanto antes arranjada!"

..."Quanto antes? Ora essa!
que pescam disto vocês?
fazendo bem e depressa
no mínimo demora um mês!"

..."Que ninguém tente passar
se houver quem desobedeça
está sujeito a levar
com o teto na cabeça!"

"...A culpa de tal estado
foi do nosso Capitão
que ali no salão ao lado
fez um buraco no chão
quando uma certa vez
teve uma ideia bué estranha:
ligar o salão Marquês
com a saleta Saldanha...

...Ao desatar à mocada
no duro chão de carvalho
a vibração provocada
fez este belo trabalho!...

...Não escutou o engenheiro
tal a sua obsessão
e foi mais um sapateiro
a querer tocar rabecão!...

...Aqui o vosso parceiro
só vê uma solução:
usar a sala Areeiro
que tem escada p'ró porão!"

Após nova gritaria
e apupos a Santanás
eis que surge D. Mexia
e o capitão logo atrás

"...Ora vamos lá a saber
o que se passa afinal!
falai que quero entender
a causa do cagaçal!...

...Triste sina a que me segue
"encosto" um bocado e záz!
Já um homem não consegue
dormir uma sesta em paz?...

Mais uma vez vos pergunto:
Qual é então a razão
qual o motivo, o assunto
de mais esta confusão?"

"...D. Santanás, Senhor Nosso
-exclama um na molhada -
a razão deste alvoroço
é que a malta está lixada!

O que vos deu, capitão?
p'ra sacardes da marreta
e fazer um buracão
no chão da Nau Catrineta?

O que fosteis arranjar!
Vós só fazeis é cagada!
agora temos que dar
volta e meia na amurada!"

"...Se fossem inteligentes
conseguiam alcançar
mas como são uns dementes
lá vou ter que explicar!

Representas os canalhas
agitador comunista?
Pensarás que és o Carvalhas
ou o Louçã Bloquista?

Sabede que antes de El-Rei
fazer de mim Capitão
nos sítios onde passei
em tudo o que puz a mão
No Sporting, na Figueira,
na Câmara da Capital
arranjei sempre maneira
de deixar o meu sinal

Se prestassem atenção
seus marujinhos da treta
achariam a razão
porque agarrei na marreta
é a sina que eu abraço
p'ra lá de outras desgraças
meter tudo onde passo
num buraco do caraças!

Publicado por Zectelhado em www.jachove.weblog.com.pt

Publicado por Zecatelhado às 09:48 AM

outubro 30, 2004

-Lá vem a Nau Catrineta - Out.IV


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Rumava a Nau certo dia
Tejo abaixo até Belém
passando por Santa Iria
já perto de Sacavém
quando esta história se deu
e a qual passo a contar
tal e qual aconteceu
assim sem pôr nem tirar

Ia ao leme o capitão
D. Pedro de Santanás
com o sextante na mão
a ver se era capaz
de medir correctamente
a'ltura do astro rei
poder dizer finalmente
"até que enfim, acertei!"

Nas aulas de marear
fôra uma nódoa pegada
na arte de calcular
a'ltura que o sol levava
Cem vezes fôra a exame
e por cem vezes chumbara
sendo alvo do vexame
de todos com quem cursara

Tantava agora sozinho
sem ninguém em seu redor
com calma, devagarinho
sempre dando o seu melhor
Mas logo voltou a ver
que o seu cálculo falhara
e que não podia ser
verdade o que calculara

Fizera tudo certinho
como manda o manual
lera todo aquele livrinho
desde o início ao final
Só que aquilo que extraía
ao fazer a medição
é que em vez de Santa Iria
estava era perto de Olhão

"Que me valha S. Vicente
padroeiro da marinha
já fiz merda novamente
mas que triste sina a minha
mas porque é que não atino
com o raio da medição?
será obra do destino
será praga ou maldição?"

Ao drama de toda a cena
bem escondido num cantinho
junto à vela da mezena
assistia D. Paulinho
"Pobre do meu capitão
por todo o bem deste mundo
daixa-me dar-lhe uma mão
ou espeta a barca no fundo!"

"Senhor meu, não reparais?
trocasteis direita e esquerda
perdesteis os cardeais
por isso a conta deu merda!
O Oeste é à canhota
sendo que o Sul fica atrás
tomando o Norte por rota
é sempre assim que se faz!"

"Ai troquei os cardeais
sua bichola maluca?
por acaso vós pensais
que já estou xéxé da cuca?
sei bem onde fica o Norte
não fiquei desnorteado
tive foi a pouca sorte
do sextante estar marado!"

Temendo desmascarar
a desculpa esfarrapada
e do acto resultar
ver a barca escaqueirada
com um sorriso postiço
disse p'ró seu capitão:
"Então se calhar é isso...
deveis ter toda a razão!"

Vendo que D. Santanás
papara linha e anzol
qual raposinho sagáz
apontou então p'ró sol
"Ou é aquele mariola
que anda sempre a brincar
querendo lixar-lhe a carola
anda a mudar de lugar!"

Vós Senhor meu capitão
tendes um ar tão cansado
escutai minha opinião
ide dormir um bocado
podereis ter a certeza
e confiança também
que atracarei em beleza
a Nau chegando a Belém!"

"Acabasteis o sermão?
pois então ouvi agora
seu boiola quarentão
antes que vá borda-fora
ou que lhe ponha na mão
a esfregona e a vassoura
o balde, a pá e o sabão
e a tal cabeleira loura...

Como explicava a El-Rei
minha bichona cegueta
ter posto o Capitão Gay
ao leme da Catrineta?
mandava-me fuzilar
ou punha-me a pão e sopa
ao ver a Nau atracar
não de bordo, mas de pôpa!"

Autor: Zecatelhado, em www.jachove.weblog.com.pt

Publicado por Zecatelhado às 12:44 AM

outubro 22, 2004

-Lá Vem a Nau Catrineta - Out.III


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Andava a Nau navegando
pelo Tejo, cá e lá
umas vezes bolinado
e outras ao " Deus-dará"

há uma semana atrás
fora grande a'gitação
ninguém via Santanás
seu ilustre capitão

Pobre Nau desgovernada
navegava sem ter lei
murmurava a marujada:
"saberá disto El-Rei?"

Às tantas um marinheiro
sem poder aguentar mais
ver a Nau sem timoneiro
disse assim para os demais:

Chamemos lá D. Sarmento
o seu camareiro-mor
saberá esse jumento
onde pára o seu senhor?

Queremos que nos diga agora
tudo o que ele souber
se o homem foi "borda-fora"
ou se fugiu num escaler

Brada outro em ar gozado:
"Não deve ser coisa séria;
deve estar todo enrolado
na cama de uma galdéria!"

Outro ainda:" Nada disso...
não há fuga nem amores
está a endireitar o toutiço
escavacado nos Açores"!

E quando a turba opinava
meio a brincar meio a sério
eis que surgem na amurada
três valetes do império

D. Bagão fora de si
gesticulava furioso
e berrava aqui e ali
"gamaram o glorioso!"
"Já viram aquele artista
que não viu a bola entrar?...
levem-no já ao oculista
nem que seja eu a pagar!"

D. Paulinho que também
era adepto lampião
respondia: " Muito bem!...
devia ir p'rá prisão!"
E só saía de lá
isso vos garanto eu
quando o Benfica, olálá!
fosse campeão europeu!

D. Sarmento que os seguia
não ligava ao futebol
pensava era no que diria
à turba esperando ao sol

Já trazia engatilhada
uma boa explicação
à plebe que aguardava
novas do seu capitão

Dobrado no varandim
da proa da nossa Nau
lá abriu a boca enfim
fazendo cara de mau

Calai lá a cloaca
com a merda do futebol
essa gentinha de caca
que não vale um caracol

Tudo artistas de primeira
do Pintinho ao Valentim
Cunhas, Veigas e Vieiras
nunca se viu trampa assim

Quem vomita a toda a hora
bostas ao metro e ao quilo
tem é que ser sem demora
internado num asilo

Deixai pois essa merdice
que não dá pão a ninguém
já me chega esta chatice
de a plebe ouvir também

Que se passa seus coirões ,
já visteis o chavascal?
digam lá quais as razões
de tamanho carnaval!

"Senhor camareiro-mor...
-diz um marujo de trás-
diga-nos lá por favor
onde está D. Santanás!"
Nunca mais ninguém o viu
anda a Nau sem Capitão
se não zarou nem caiu
por onde andará então?

Ó seus cabeças de nabo
já com a rama amarela
que vos carregue o diabo
e vos coza na panela
É então por causa disso
que armais este arraial?
seus miolos de chouriço
já podre e a cheirar mal!

Voltai lá p'ró trabalhinho
que o capitão desta Nau
não se pirou de fininho
nem está a afiar o pau

Ficai todos a saber
p'rácabar com o alvoroço:
está simplesmente a bater
a sesta depois do almoço!

Publicado por Zecatelhado às 08:07 PM

outubro 16, 2004

-Lá Vem a Nau Catrineta - Out.III


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Navegava a Catrineta
por esses mares sem fim
rumo aos Açores do Pauleta
e à Madeira do Jardim

Não queriam perder de vista
essa batalha naval
entre a tropa Socratista
e a tropa do laranjal

Até ali na Madeira
nunca a rosa houvera achar
forma, feitio ou maneira
da Jardim-frota afundar

Nem dava para aquecer
mal o jogo começava
era ver a rosa a arder
e a frota que se afundava

Havia quem afirmasse
fosse qual fosse o bailinho
enquanto o Jardim bailasse
ganhava sempre o joguinho

Quando Alberto disparava
desfazia a rosa em pó
e a pobre só acertava
tiros em "H2o"

Ria o boçal desbragado
da inépcia da rosinha
pois com o jogo viciado
a vitória era certinha

Durante anos e anos
ensinara a sua gente
a gritar morte aos "cuban's"
que moram no "Cont'nente"

De comunas a fascistas
Pides ou K.G.B's
de poltrões a Socialistas
cada qual de sua vêz
tudo servira ao Bokassa
p'ra baralhar sua gente
que lhe acha muita graça
e bate as palmas contente

Tendo mais barcos à mão
quando dispõe sua frota
afundará sem perdão
quem entrar na sua rota

Na terra nas nove ilhas
que a pique emergem do mar
os laranjas e os rosinhas
outra luta vão travar

Joga do lado da rosa
um César bem confiante
numa vitória estrondosa
num jogo emocionante

Do lado da laranjinha
um senhor "de Cruz" chamado
joga esta partidinha
com um ar bem animado

Mas aqui, dizemos nós
ao contrário da Madeira
a roca com menos nós
fia dum'outra maneira

Em tempos de D. João
ou melhor, Mota Amaral
com mais ou menos canhão
era a laranja imperial

D. João Bosco reinava
tremendo a gente de cá
sempre que ele empunhava
a bandeira da F.L.A.

P'ra calar o dirigente
os laranjinhas de então
trouxeram-no p'ró continente
sentaram-no num cadeirão

Aceitando o rendez-vous
como que exorcisado
assim que sentou lá o cú
ficou quieto e calado

Mas se a laranja pensava
que pondo um outro a jogar
nada na terra mudava
e continuava a ganhar
não foi preciso esperar
muito tempo p'ra saber
que a teta estava a secar
e o leite a desaparecer

E a primeira derrota
aí estava num repente
afundada a sua frota
derrotada a sua gente

Arrastada e pesarosa
foi perguntar ao Jardim
como derrotar a rosa
fazê-la perder por fim

Seus nabos "cont'nentais"
"imbora" eu dançe o bailinho
por acaso vós "pinsais"
que eu sou o José Mourinho?

Porque não quero "cum'nistas"
nem rosas na ilha irmã
vou abrir-vos essas vistas
seus meninos da mamã

Arranjai um bom palhaço
que cante e saiba dançar
que toque caixa a compasso
e nas marchas possa entrar

Porque o povo, meus senhores
está-se a cagar p'ró discurso
gosta é de ver os doutores
a fazer figura de urso

Autor: Zecatelhado, em www.jachove.weblog.com.pt

Publicado por Zecatelhado às 11:17 PM

outubro 09, 2004

-Lá Vem a Nau Catrineta - Out. II


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Seis dias idos de Outubro
mais uma bronca estalava
deixando esta Nau ao rubro
tal o caldo que entornava

Foi tamanha a confusão
na Nau de El-Rei instalada
que mais parecia o Bulhão
às cinco da madrugada

Mas que tinha acontecido
dentro da barca real?
o que é que teria havido
p'ra tão grande cagaçal?

Tinha sido D. Rebelo
a pôr um ponto final
na conversa de carmelo
em casa do Amaral

Logo a notícia correu
veloz que nem uma bala
toda a barcaça tremeu
ao vê-lo fazer a mala

Calaram o D. Marcelo!
já voltaram os censores
derrubemos seu castelo
às armas pois, meus senhores!

E logo ali assaltaram
o armeiro real
trazendo o que encontraram
desde a pistola ao punhal

Puseram olhares fatais
gritaram todos ao monte:
matai os novos Cabrais
Viva a Maria da Fonte!

D.Santanás ao escutar
o granel que se instalava
acordou a resmungar
sem saber que se passava

Que raio de cagarim
vem a ser este afinal?
quem ousa acordar assim
o Capitão General?

Comenta um seu acessor
um beto mal encarado:
sabei que há bronca, senhor
e D. Gomes é culpado

Agarrou no seu punhal
p'ra esgrimir com D. Rebelo,
que é espadachim real...
fiou sem couro e cabelo

D. Santanás percebendo
o que se estava passando
tratou logo de correr
para a ponte de comando

E com a tal voz de santinho
que todo o mundo enganava
pigarreando fininho,
disse à plebe que escutava:

Marujos da Catrineta
juro-vos eu, meus senhores
que quem inventou a treta
do regresso dos censores
não mais fez do que enganar-vos
e ao manobrar-vos assim
o que fez foi de vós parvos
para atingir outro fim

E ao falar apontava
para um canto do porão
D. Rebelo rebolava
a rir no meio do chão

Falando com os seus botões
dizia assim bem baixinho:
caíram que nem morcões
qual rato vendo o toucinho

Vão dar cabo do canastro
ao triste do Capitão
vão pendurá-lo no mastro
a trinta metros do chão

O mais que pode ao descer
é voltar a ter Lisboa
porque assim que El-Rei morrer
só eu é que agarro a coroa

Vede lá como ganhei
em beleza esta batalha
não tarda serei o rei
de toda esta escumalha

Autor: Zecatelhado, em www.jachove.weblog.com.pt

Publicado por Zecatelhado às 12:27 AM

outubro 02, 2004

-Lá Vem a Nau Catrineta - Out. I


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Andava a nau navegando
p'rós lados do mar da palha
navegava bolinando
p'ra descanso da canalha

Estavam a recuperar
de uma semana inteirinha
mortinhos a trabalhar
por causa da Seabrinha

Não é que aquela remela
amiga do Capitão
com ar de corça ou gazela
os fez refazer à mão

As escalas de trabalho
mais as listas e não só
deixando tudo encravado
em estado de meter dó?

Ele foi a Nau encalhada
em perigo de naufragar
mas Seabra castigada
por Santanás?... Nem pensar!

Podia lá Valentino
o charmoso Capitão
ter com a dama um desatino
ou cravar-lhe um chapadão!

O lema deste boboca
no que respeita à mulher
É que: numa dama não se toca
nem com uma flôr sequer

Assim travou a ralé
que quiz mesmo nessa hora
prender a tia p'lo pé
a atirá-la borda-fora

Satisfariam além do mais
suas nobres intenções
como amigos dos animais
davam papa aos tubarões

Enquanto calavam fundo
toda a raiva que sentiam
eis que não parando o mundo
outros factos se seguiam

Com sua voz de falsete
irrompia D. Bagão
seguido de um mandarete
berrando p'lo Capitão

Santanás atarantado
por todo aquele burburinho
estando na proa sentado
ficou de pé num instantinho

Mas que tem este fulano?
que tendes vós D. Bagão?
disse a bruxa que este ano
o Benfica é campeão?

É que a mim essa maluca
disse-me à pouco em segredo
que só dia de São Nunca
numa manhã muito cedo!

Não falo de futebóis
ó Senhor meu Capitão
falo é de mais carcanhóis
p'ró tesouro, pois então!

Fala, fala Bagãozinho
ninguém é melhor que tu
a arranjar pilinzinho
p'ra reforçar o baú

Tens pinta de mafarrico
e um jeitão dos diabos
p'ra dar dinheiro ao mais rico
fanando os mais desgraçados

Apostei ainda há bocado
que quando fores p'ró eternum
nomear-te-à o diabo
tesoureiro do Inferno!

Vá de rectro Capitão!!!
ainda sou bem novinho
já me quereis ver num caixão
para o Inferno a caminho?

É que por falar em massas
sabei que fui inventar
mais duas leis do caraças
para o tesouro aumentar

Atirai lá isso então
explicai-me aqui e agora
que engendrasteis D. Bagão
deitai tudo cá p'ra fora!

Pois bem, então cá vai
a primeira é uma taxa
se alguém doente cai
apertamos-lhe a tarraxa

Se ninguém pode fugir
à tosse ou constipação
vai pagar mais sem tugir
no preço da medicação

Vai ser sempre a facturar
ao senhor e à senhora
a isto vamos chamar
de taxa moderadora

A outra lei que inventei
para sacar mais dinheirinho
adivinha?... pois sabei
vai cair sobre o carrinho

Como o bom do português
nunca o deixa na garagem
vai já comer outra vez
com uma nova portagem

As SCUD ainda estavam
sem portagem, pois então?
sem pagar por lá rolavam
automóvel, camião...

Mas aqui o D. Bagão
vai-lhes dar o tratamento
ora vá... estendei a mão
fazei lá o pagamento

Com a massa arrecadada
garanto eu sem favores
pagamos de uma assentada
a mais uns trinta acessores

Publicado por Zecatelhado às 04:16 PM

setembro 25, 2004

-Lá Vem a Nau Catrineta - Set II


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Andava a nau navegando
junto à barra de Leixões
suavemente embalando
o sono destes ladrões

Vai sonhando D. Bagão
qual a forma mais cuidada
de arranjar mais um milhão
pr'ó baú da piratada

A forma foi encontrada
passe-se à acção depressinha
a taxa diferenciada
vai render muita massinha

Mas quando tudo dormia
algo os sobressaltou
mesmo ao romper do dia
A Catrineta encalhou

Ó mãezinha! Que se passa?
-grita a voz de D. Paulinho-
que aconteceu à barcaça?
ai o meu rico barquinho!

Acudi-nos Capitão,
venha cá já depressinha
já há água no porão
já se inundou a cozinha!

-Achei, D. Paulo, achei!...
-Achou o quê, D. Bagão?!
Achei depois que sonhei
como gamar um milhão!...

Calem-se suas araras,
parou a cacafonia!
mas que belo par de jarras
me tocou na lotaria!

Assim com esta firmeza
no seu real vozeirão
surge sua realeza
Santanás, o Capitão

Quem conduzia esta Nau
quando ela bateu no fundo?
vou dar nesse carapau
um castido d'outro mundo!

Como ninguém se acusava
diz Santanás novamente:
o homem que a Nau guiava
que dê já um passo em frente

Como nem um avançou
o tal passo ordenado
D. Santanás imperou
ao marujo ali ao lado:

Quero o nome e a função
que cada um ocupava
quero a lista aqui na mão
quero saber quem lá estava

Mas... meu senhor é por isso
que esta Nau encalhou
essa lista de serviço
ainda ninguém a topou

E como ninguém sabia
onde era colocado
o barco foi à deriva
e acabou encalhado

D. Santanás furioso
perante esta afirmação
com aquele olhar charmoso
soltou esta exclamação:

Chamai lá a Seabrinha
esse belo bibelot
essa linda tiazinha
que este caldinho arranjou

E dei-lhe eu duzentos mil
do baú, que prejuízo
Ai Santanás estás senil
perdeste todo o juízo

Quando me veio falar
dessa informatização
eu devia ripostar:
faça o trabalhinho à mão

Mas que querem, sou assim
por um rabinho de saia
eu digo a tudo que sim
seja Seabra ou Soraya

Deveria estar lembrado
da Torloni, qual xereta
que me levou trinta mil
por uma peça de treta

Mas a veia Valentina
ficou p'ra sempre gravada
e dei com aquela menina
a queca mais onerada

Ó Capitão... por favor
já chega de divagar
dê lá ordens, meu senhor
porque a Nau está-se a afundar!

Ai está?... que afunde então!
que se afunde de uma vêz!
refazer listas à mão
só lá para o fim do mês

Querem ver o calafate
a trabalhar na vigia
ou o nosso alfaiate
tratando a cordoaria?

Se calhar quereis o ferreiro
de esfregona no porão
ou então o timoneiro
a apontar o canhão?

São as listas que cordenam
não há remédio nenhum
são elas que mais ordenam
o que fará cada um

E enquanto a Seabrinha
à mão, pé, ou cabeçada
não nos trouxer a listinha
ninguém pode fazer nada

Vâo-se entretendo a escoar
no porão e no convés
a água que está a entrar
e nos cobre já os pés

Quando a lista aparecer
temos que recuperar
pois não há tempo a perder
temos que nos apressar

Cada um fará dois turnos
seguidinhos de empreitada
matutinos e nocturnos
não recebendo mais nada

Que o tempo que se perdeu
aqui com a Nau encalhada
não o irei pagar eu
nem a Seabra, coitada

Ela tadinha só queria
dar um ar arzinho moderno
à ralé desta enxovia,
a esta Nau do Inferno

E até estou a pensar
se a esta bela Dona
não a poderei reformar
tipo Celeste Cardona

Publicado por Zecatelhado às 05:16 PM

setembro 11, 2004

-Lá Vem a Nau Catrineta - Set II


Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Andava a Nau navegando
à bolina calmamente
a proa as águas sulcando
do mar-chão, suavemente

Mas a doce calmaria
que durava até então
foi quebrada com a histeria
de um berro, por D. Bagão

O homenzito coitado
ja chorava baba e ranho
estava tão descontrolado
que mais parecia o "dianho"

Perante tal burburinho
a um marujo agarrado
eis que surge D. Paulinho
com um ar preocupado

Que se passa D. Bagão?
porque estais tão exaltado?
e porque tendes na mão
um papel amarrotado?

E os mais de cem ouvidos
lá iam esperando em vão
pois só saíam grunhidos
da boca de B. Bagão

Quando já era esperada
a macacua fulminante
eis que vem descendo a escada
Santanás, o Comandante

Estais ligado a alguma ficha?...
o que se está a passar?
mais pareceis uma rabicha
ou bicha de rabear!

Bicha?... isso é comigo?
diz D. Paulinho corado...
Ninguém está a falar consigo...
diz Santanás já irado

Não borre mais a pintura
mantenha a boca calada
não notais que essa postura
é gozo p'rá marujada?

E a turba amontoada
ria à farta de fininho,
de seguida à gargalhada
com a frase de D. Paulinho

Vermelho como um pimento
vendo como era gozado
rápido como um pé-de-vento
retirou-se envergonhado

Fechai lá essas bocarras
acabou-se a reinação
a hora não está p'ra farras
acudamos ao Bagão

Um pouco mais compostinho
do axaque que tivera
aprumou-se o homenzinho
vendo toda a gente à espera

Meu senhor D. Santanás
nosso ilustre capitão
adivinhe se é capaz
o que tenho aqui na mão?

Em qual delas homenzinho?
aquilo que estou a ver...
na direita um papelinho
e na esquerda um fecho eclair

Um fecho?!... ai! não me diga!...
tal foi a raiva, que acho
que se me encheu a bexiga
e mijei calças abaixo!

Perante esta calinada
proferida por D. Bagão
a turba descontrolada
rebolou a rir no chão

Tomai tino pequenote
medi bem o que dizeis
quanto mais abris "o pote"
mais andais vós aos papeis

Ora por exclusão de partes
é então o papelinho
por engenhos e por artes
a origem do "caldinho"

É isso, meu Capitão
então não é que a cambada
de labregos que aí estão
ficou bem mais que "passada"?

Ousaram reivindicar
cinco por cento de aumento!
Pois bem, vou ripostar:
só vos dou meio por cento!

Dinheiro neste batel,
o que resta no baú
nem chega para o papel
com que limpamos o ..!

Protesto, meu Capitão!...
(grita o marujo Carvalho)
meio por cento é que não
isso é gozar com o trabalho

Despeça senhor e já
essa tola de chicharro
meio por cento nem dá
para comprar um cigarro!

CALADOS!...p'ra começar
vamos lá baixar a bola
e aquele que protestar
leva um soco na carola!

Mas que bandalheira é esta?
não sou eu o Capitão?
decreto o fim desta festa
acabou-se a discussão

Pois se achais que não é bom
o meio por cento, então...
digo-vos alto e de bom som
não levais nem um tostão!

E mais, para terminar
acaba aqui o sarilho
vós marujos quereis fumar?
arranjem barbas de milho

In:"Tadechuva"- Autor:Zecatelhado, em www.jachove.weblog.com.pt

Publicado por Zecatelhado às 03:03 AM

setembro 04, 2004

-Lá vem a Nau Catrineta - Set. I

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Andando a Nau navegando
junto à Figueira da Foz
eis que o vigia alertando
faz ouvir a sua voz

"Aí está ele! Barco à vista,
a dois qulómetros à proa,
deve ser o abortista
que falavam em Lisboa!"

"Chamai já o capitão,
chamai também D.Paulinho
e ainda o capelão
que venham cá num instantinho!"

Instalou-se o pandemónio
com toda a gente a bradar
contra a barca do demónio
que iriam enfrentar

Trajando a puro rigor
de cavaleiro cruzado
qual "Geraldo Sem Pavor"
espada de gume aguçado

Surge D. Paulo gritando:
"Lembrai-vos de Aljubarrota!!!
do que é que estais esperando?
manobrem cortando a rota!"

Apontem já os canhões
preparem a abordagem
ganhem força de leões
aspirem toda a coragem

Se a história desta nação
é de heróis povoada
se se quebrar o facão
vão-se a eles à chapada

"...Alto e pára o baile aí!
que raio de coisa é esta?
mas que é que se passa aqui?
quem me interrompeu a sesta?..."

Toda a turba se virou
ali mesmo nesse instante
p'ráquele que assim falou,
Santanás, O Comandante

"...Querem ver que fiz asneira?!...
pensei que estáveis na praia
à sombra duma palmeira
com um rabinho de saia!"

Ai D. Paulo, D. Paulinho
valha-me Santa Maria!
qual foi agora o "caldinho"
que desteis à maioria?

Qual "caldinho", Capitão?
estou a falar do aborto
não fez a coligação
um acordo? ou já está morto?

Aborto?... ora deixe ver...
isso foi com D. Burrão
vou já tratar de saber
o que acordaram então

Vai...vai tratar de saber?!!!
mas então vós não sabeis?
o acordo é p'ra valer
não p'ró cesto dos papéis!

Acalmai-vos lá primeiro
não entreis logo ao ataque
pareceis o Nuno Rogeiro
quando fala do Iraque

Ora bem, pois leio aqui
que o que foi acordado
pelo Burrão e por si
com a benção do papado

Foi que nisto do aborto
não ia haver mais referendo
cumpra-se então o acordo
está resolvido! Estais vendo?

Sois um senhor, Santanás
meu honrado Capitão
mas agora o que se faz
ao barco da maldição?

Ficam ao largo a boiar
vereis então que é possível
que partam vendo a acabar
a água e o combustível

Bela ideia Capitão
deixá-los lá a secar!
e para a oposição
que ireis argumentar?

Lançarei a confusão
e a raiva sobre você,
cumpro acordos do Burrão
e "...eu, depois...logo se vê!

Resolvo tudo num instante
com este passo de lesma
imitando o de gigante...
FICARÁ TUDO NA MESMA!

In:"Tadechuva"- Autor:Zecatelhado, em www.jachove.weblog.com.pt

Publicado por Zecatelhado às 02:29 PM

agosto 28, 2004

-Lá vem a Nau Catrineta - Ago V

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros


Andava a Nau à bolina
e o mar estava encrespado
pela costa vicentina
seguia o bando danado

Um marujinho entoava
uma canção do Zé Cabra
um outro o acompanhava
sem falhar uma palavra

No meio de toda esta paz
que nem o céu possuia
alguém de forma mordaz
disse à malta que o ouvia

...companheiros destas rotas
se Santanás sem pudores
tem dezasseis guarda-costas
tem mais de vinte acessores...

Se Santanás e Bagão
o Portas e o Morais
O Guedes e o João
e todos os outros mais...

Quiseram meia centena
de Audis topo de gama
então a tropa pequena
em que teta é que ela mama?

Nós que somos da pandilha
também queremos gozar
dizei pois ó da quadrilha
que vamos reivindicar?

Eu quero três secretárias
altas, loiras,à maneira
e com glandes mamárias
do tipo Isabel Figueira

Olhem-me este rapa-tachos...!
com cara de porco sujo!
p'ra que querias três borrachos
se és um reles marujo?

Para quê, perguntas tu?
meu atrasado mental...
ouve bem meu gabirú
miolos de Neanderthal

Com o nabo desse maltêz
que nos está a comandar
mais semana menos mês
vai esta Nau naufragar

E se qualquer deles sabe
que isto é sol que dura pouco
antes que o bodo se acabe
é gozar que nem um louco !

Sendo assim, quando chegar
o dia do afundanço
vou tratar de me safar
pois não sou parvo nem tanso!

Mas qual é a relação,
explica lá se puderes
entre a tua salvação
e as três ditas mulheres?

Ó triste homem do mar
para que queres tu a cachola?
se nem sequer sabes pensar
que andaste a fazer na escola?

Quando esse dia chegar
Vou-me agarrar às três jóias
e nunca me irei afogar
se me prender a seis bóias
!

Publicado por Zecatelhado às 12:44 PM

agosto 21, 2004

-Lá vem a Nau Catrineta- Ago.IV

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Vai se não quando rebenta
no convés tal peixeirada
que põe a Nau em tormenta
com os gritos da marujada

E tal era a berraria
que nem mesmo no Bolhão
nunca se vira algum dia
semelhante confusão

Neste Dantesco cenário
eis que surge de roupão
côr amarelo-canário
Santanás, o Capitão

Mas que raio de chinfrim
vem a ser este afinal?
pergunta ao Morais delfim
o da branca que é fatal

Vos juro meu Capitão
que não conheço o motivo
nem sei qual é razão
para tamanho alarido

Trazendo "A Bola" na mão
de ceroulas encarnadas
surge a seguir D. Bagão
descendo o lance de escadas

Também D. Portas arriba
com um marujo p'la mão
que pela surra se esquiva
para o meio da confusão

Olham os quatro espantados
o serrabulho total
os ânimos estão exaltados
ninguém se entende afinal

Alto e pára o chavascal!
berra então o Comandante
a razão deste arraial
quero saber neste instante

De uma simples penada
a algazarra cessou
e do meio da molhada
um marujo murmurou

A causa da confusão
vou eu dizer-vos sem medo
sabei senhor Capitão
foi por causa de um segredo

-De que segredo falais?
explicai-vos, não entendo...
-Aquele que vem nos jornais...
diz o marujo tremendo

Mau Maria, Mau Maria!
que história é essa afinal?
fazem esta berraria
só por causa de um jornal?

...As cassetes que voaram
nosso senhor Capitão...
metade diz que as roubaram
outro meio diz que não

Como ninguém se entendia
com toda esta xarada
a razão foi pela pia
desatou tudo à chapada

Seus cabeças de melão
seus tarolos de hortaliça
quem pensam vocês que são
p'ra entender a justiça?

Que mania a do povinho
discutem o que não devem
voltem lá ao trabalhinho
que é para isso que servem

Vamos lá a destroçar
e a acabar com o escarcéu
toca lá a trabalhar
que prá pensar estou cá eu

Mas como sou um bonzão
vou desvendar o segredo
que causou a discussão
sobre todo este enredo

As cassetes em questão
qual magia maravilha
não foram roubadas,não
passaram de pai para filha

Como é que o pai as comprou
nunca ninguém vai saber
nem quanto ele pagou
para as conseguir ter

Agora que já cumpriram
o plano combinado
dizem que as destruiram
e pronto, acaba-se o fado

Publicado por Zecatelhado às 03:10 AM

agosto 14, 2004

-Lá vem a Nau Catrineta - Ago III

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Eis senão quando é chegada
mais uma bronca fatal
que põe toda a piratada
em alvoroço total

D. Portas muito aflito
agarrado ao namorado
cala a ralé dando um grito
SILÊNCIO, canta-se o fado...

fado?... qual fado pôrra!
já estou a ficar xéxé
S. Vicente me socorra
Ai valha-me S. José

O que eu queria gritar
há bocado ali atrás
era... SILÊNCIO...CALAR!
Vem aí D. Santanás!

E eis que surge altaneiro
o comandante na Nau
dizendo ao pagode inteiro
"rapazes... isto está mau!"

Chegou-me vindo da fonte
de fonte bem informada
por outra fonte da fonte
que a coisa vai dar tourada

Eu tentei tudo, de facto
para evitar a borrasca
até lhes propuz um pacto
por estarmos todos à rasca

Mas não é que uma atrevida
cagando-se para o segredo
vai querer lixar-nos a vida
com bronca de meter medo?

Chamem lá os estupores
que foram nessa cantiga
não sabem que os gravadores
já são uma coisa antiga?

Ó seus tótós enfezados
seus miolos de girino
não sabiam estar calados
sobre um plano tão fino?

P'ra sair da confusão
o que vamos nós dizer?
arranjai lá solução
pois não sei o que fazer

E de um silêncio de morte
ficou a Nau possuída
Olhou-se a Sul e Norte
procurando uma saída

Já sei, senhor Capitão
gritou então D. Paulinho
penso ter a solução
p'ra sairmos de fininho

Esses miolos de alpista
vão negar a gravação
processam o jornalista
dizem que é tudo invenção...

Parai lá com as bacoradas
mas não estais a recordar
que há cassetes gravadas
para o poderem provar?

Mas não estais a entender
meu capitão general
como vamos nós torcer
toda a verdade afinal?

Enfiamos-lhes o barrete
e com a nossa distinta lata
dizemos que essas cassetes
eram cassetes pirata

Publicado por Zecatelhado às 02:01 AM

agosto 07, 2004

- Lá Vem a Nau Catrineta-Agosto I

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

Andando a Nau à bolina
Ali junto ao mar da palha
grita às armas o fachina
pondo em sentido a maralha

E eis que surge altaneiro
com o mesmo olhar pedante
e aquele ar de rafeiro
Santanás, o comandante

A marujada da Nau
que o topa já de ginjeira
pensa consigo:"mau,mau...
vai sair daqui asneira..."

Pigarreia finamente
endireita a costelada
e dando um passo em frente
fala assim pr'á piratada

Ouvi o que vou dizer
sua cambada de azelhas
quero fazer-me entender
abram bem essas orelhas

Nesta nau daqui p’rá frente
o centralismo acabou
fique a saber toda a gente
o que esta tola pensou

Nem D. Durão, o Burroso
o sonhou um só instante
e eu vou ficar famoso
por esta ideia brilhante

Decerto que falais sério
exclama D. Bagão
terminai lá com o mistério
explicai-vos capitão!

Acabar com o centralismo?!!!
juro por Nossa Senhora
e sobre o meu catecismo
que estou a ficar à nora!

Ouvi então marujada
e também vós D. Bagão
o que pensei de madrugada
fazer nesta embarcação

Cada comando adjunto
passa a ficar instalado
num local que fique junto
ao que lhe é destinado

Começando em vós D. Bagão
digo-vos que será assim:
ireis viver no porão
junto ao baú do pilim

E os outros sem excepções
também vão ter que mudar
mandarei aos tubarões
aquele que recusar

Logo D. Portas se abeira
de Santanás na amurada
grasnando e de que maneira
com sua voz esganiçada

Longe de mim, capitão
afrontar a ordem sua
tendo um marujinho à mão
até comando na rua

Só uma coisa entretanto
nos poderá entravar
com um de nós em cada canto
como vamos comunicar?

Para vos ter que aturar
peço a Deus muita paciência
então nunca ouviu falar
do que é vídeo-conferência?

Mas na Nau, meu Capitão
como se pode instalar?
se ninguém tem formação
como é que a vamos montar?

Ó seu cérebro de retrete
Ó seu cabeça de nabo
Requisitando Internet
E chamando a T.V.Cabo

Publicado por Zecatelhado às 02:30 AM

julho 24, 2004

Lá Vem a Nau Catrineta! Julho II

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros


Berra então o Santanás
Alguém me chama a Teresa?
Vamos ver se ela é capaz
De ajudar na defesa

Na defesa?!!!, urra a pandilha
Isso é coisa p'ra macho!
Por favor, meu comandante
Arranjai-lhe um outro tacho!

Mas eu já lhe prometi
Que chegava a general
Na última noite em que vi
Comigo na Kapital

Ela é tão loira, tão IN
Põe qualquer um a ganir
Como uma beldade assim
Só sinto a braguilha a abrir

Até vocês, seus coirões
Trabalhavam a dobrar
Com uma força de leões
Sentindo a vossa a inchar

Mas como devem ser gays
Vou arranjar outro macho
E para a minha Teresinha
Vou arranjar outro tacho

Vai-vos tratar da Cultura
Ó corja de rufiões
Deitar fora esta docura
Que destroça corações?

Nem pensar, ouvides bem?
Pois quem é que manda aqui?
Já agora, quero tmbém
Uma sala oval para mim

Ó carpinteiro de escala!
Berra Santana a valer
Constroi-me já essa sala
Que já tenho a pele a arder

E a vós, que sois uns machões
Eu dito o ponto final
Façam sózinhos, coirões
O trabalho manual

Publicado por Zecatelhado às 12:42 PM

julho 18, 2004

Lá Vem a Nau Catrineta! JUL.I

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar
São Paulo Portas à Proa
Santanás a comandar
Ouvi agora senhores
uma história de pasmar

D. Bagão conta o pilim
D. Morais trata das velas
D. Guedes limpa com VIM
tachos pratos e panelas
D. Pereira na enfermaria
conta pensos e emplastros
E o D. António Mexia
põe vaselina nos mastros

D. Durão deu à soleta
Enjoou de andar à vela
e Santa Manuela Forreta
largou-os sem lhes dar trela

Aflito El-Rei Sampaio
com estas novas tão más
disse aos bobos de soslaio
Chamai lá o Santanás

Aqui estou meu Senhor
vós mandasteis-me chamar?
soube agora desse horror
D. Durão vai desertar?

Cala-te lá meu charmoso
Não me lixes mais a vida
Troco um cherne mal-cheiroso
Por um carapau de corrida?

Pobre da Nau Catrineta
Já lamento a tua sorte
Esta marinhagem da treta
Nem sabe onde fica o Norte

Parece que já estou vendo
Em vez de descobrir mundo
Ao primeiro pé de vento
Espetam com o barco no fundo

Ou então este matraque
Com pinta de Valentino
Gasta -me a massa do saque
Nas boites do caminho

Não se aflija meu Rei
Que agora vou assentar
Pois depois do que penei
Cheguei onde quiz chegar

E por aquilo que passei
Aqui que ningém nos escuta
Eu quero mesmo é ser Rei
E vamos embora à luta

Publicado por Zecatelhado às 10:00 PM

abril 24, 2004

Lá Vem a Nau Catrineta! Abril I

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar
ouvi agora senhores
esta história de pasmar

S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta pandilha
pronta a passar "ao ataque!"

Sobe à gávea Arnaultzinho
meu marinheiro maçon
diz-me o que é que em Portugal
não anda em caminho bom

É para já meu capitão
que para subir é comigo
com este ar de campeão
sou melhor que o Luís Figo

Deixa-te lá de ser vaidoso
para Narciso basto eu
esconde lá esse ar charmoso
e sobe-me o escadaréu

Já comecei a espreitar
e à vista da minha lente
vejo ali p'ra Gondomar
uma catrefa de gente

Povo simples, jornalistas
da rádio e da televisão
dos jornais e das revistas
do Amaral e Balsemão

Falam todos de um apito
a quem chamam de dourado
está meio mundo aflito
muito ilustre engavetado

Até o tio Valentim
foi parar ao Xilindró
nunca se viu nada assim
que grande forrobodó

Dizem que para a limpeza
do mundo do futebol
vão precisar com certeza
de toneis de sonasol

E também de raticida
tal é a praga instalada
e ainda insecticida
para as melgas da molhada

Mas... ó Santíssima Trindade
não é que falam de mim?
mas isso não é verdade
eu metido no chinfrim?

Eu sou filho do Grão Mestre
do Oriente Lusitano
e um Maçon nunca desce
a merdas deste plano

Já foram longe de mais
os brincalhões da justiça
há Majores e Generais
que estão metidos à liça

Ponham um ponto final
nesta peça p'rós dementes
não façam tão natural
não sejam tão convincentes

Convém que se vá dando um ar
de que a justiça funciona
mas não convém abusar
Ouvis-te, amiga Cardona?

Pára lá com esse béu-béu
ó maçonzinho charmoso
agora pergunto eu
o teu senhor D. Barroso

Não houve em tempos um Cunha
que levantou o problema?
não falava da "tremunha"?
não falava do "sistema"?

E toda a gente gozava
e lhe chamava gágá?
afinal o que afirmava
parece que existe, pá!

O homenzinho é vivaço
tem miolos e nariz
não seria um bom passo
convidá-lo para o S.I.S.?

Mas o homem é do P.S.
ó meu senhor D. Durão
por isso veja se esqueçe
essa triste conclusão

Acho que tendes razão
meu pequeno maçonzito
pois não podia ser, não
havia de ser bonito

Em podendo o sacaninha
acabava com a barbuda
descascava a laranjinha
e era um Deus-nos-Acuda

Publicado por Zecatelhado às 03:32 PM

março 21, 2004

Lá Vem a Nau Catrineta! Mar.II

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
ouvi agora senhores
esta história de pasmar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar

S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta pandilha
pronta a passar "ao ataque!"

Sobe à gávea periquito
grita o Barroso ao Bagão
e não fiques aflito
marinheiro lampião

Só te faltam as peninhas
p'ra pareceres um passarinho
és o perfeito lingrinhas
minorca e muito magrinho

Enganas bem quem te escuta
pois se prestar atenção
vê em ti a massa bruta
de que é feito um passarão

Tens um nariz de doninha
olhos de burro mal morto
trepa lá pela escadinha
toca a praticar desporto

Mas meu senhor Capitão
essas ordens me afligem
tenho quebras de tensão
sabei que sofro vertigem

Mas ao subir as escadinhas
se tu puseres mal os pés
É só abrires as asinhas
a aterras no convés

E foi assim pouco a pouco
com o coração na mão
que subiu o passaroco
ao topo da embarcação

Abriu o olho direito
e a seguir o canhoto
endireitou logo o peito
pôz um sorriso maroto

E disse p'ra D. Durão
que paisagem, Ai Jesus!
sabeis ó meu Capitão
que vejo o Estádio da Luz?

E vejo o Camacho irritado
como bom espanhol que é
com o sovaco suado
e sempre, sempre de pé

Se calhar é da tensão
calai já esse camelo
o pobre do D. Bagão
virou um Jorge Perestrelo

É o que dá ter marujos
que só querem futebóis
ou são cegos ou sabujos
ou são uns grandes cowboys

Publicado por Zecatelhado às 01:06 AM

março 13, 2004

Lá Vem a Nau Catrineta! Mar -I


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
ouvi agora senhores
esta história de pasmar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar

S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta pandilha
pronta a passar "ao ataque!"

Sobe à gávea Figueiredo
meu ministro da polícia
trepa p'la escada sem medo
mostra lá essa perícia

Mas leva os óculos na mão
não caiam pelo caminho
e se desfaçam no chão
q'ainda ficas mais ceguinho

Se com óculos já és fraco
e sempre a fazer asneira
com eles feitos num caco
serias uma toupeira

Podeis ficar em descanso
meu capitão general
que desta vez afianço
nada me irá correr mal

Já tomei os meu cuidados
para que nada aconteça
levo os óculos amarrados
com um cordel à cabeça

Diz-me então curto de vistas
se está seguro Portugal
contra bombas e bombistas
e o terrorismo em geral

Vê se vês alguém com fronha
que pareça um suicida
e que não tenha vergonha
de assim pôr termo à vida

Olha sempre para a cintura
que é aí que as bombas estão
e vê bem o que segura
por entre os dedos da mão

Mas quando chegar à altura...
ai que grande confusão
é à mão ou à cintura
que devo dar atenção?

Ó minha cabeça dura
minha minhoca da terra
tens que olhar bem p'rá cintura
e para o que a mão encerra

Á cinta vão as bombinhas
o detonador na mão
atenta nessas coisinhas
presta bem toda a atenção

Agora já entendi
meu capitão general
e já estou a ver um
eu sou mesmo bestial

Querem ver que este artista
afinal não é ceguinho?
prendamos esse bombista
já estamos no bom caminho

Diz-me lá ó Figueiredo
como é que ele é?
tem cara de meter medo
vem de carro ou vai a pé?

Vem de avião, meu senhor
e aperta algo na mão
deve ser o detonador
de que falasteis então

E a cintura até espanta
parece um pneu inchado
traja um túnica branca
e vem bem acompanhado

Trás um magote de gente
e vocifera impropérios
fala de guerra ao continente
e de outros casos mais sérios

Diz que rebenta com tudo
nos valha Santa Maria
e diz que é rei no Entrudo
sempe pronto pr'á folia

Ouve lá meu caramelo!
- grita o senhor D. Durão-
tu não vês que esse marmelo
é o Alberto João?

Tem a cintura do Buda
e um charuto na mão
Nosso Senhor nos acuda
lá se vai mais um milhão

Antes viesse o Osama
que a esse sem ter dó
fazíamos nós a cama
e ia pró Xilindró

Salta daí meu cegueta
nem com quatro olhos vês
e pega lá a agulheta
vai lavar esse convés

Ó que sorte tão bardina
descobri mais um cegueta
que só serve p'ra fachina
dentro da Nau Catrineta

Publicado por Zecatelhado às 03:33 PM

fevereiro 29, 2004

Lá vem a Nau Catrineta! Fev.II


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
ouvi agora senhores
esta história de pasmar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar

S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta pandilha
pronta a passar "ao ataque!"

Sobe à gávea Luizinho
meu enfermeiro real
mas sobe devagarinho
não te aconteça algum mal

Põe o pé, depois a mão
não vás cair de cabeça
valha-me Santo Adrião
que tal coisa te aconteça

Pois lá de cima para o chão
nem um osso se aproveita
olha bem toma atenção
não faças essa desfeita

Podeis ficar descansado
ó meu senhor Dom Durão
tomarei eu bom cuidado
para não malhar no chão

Diz-me então meu marujinho
dos hospícios cá da terra
como vai o serviçinho
como vai a tua guerra

Estou a tratar a saúde
com o máximo desvelo
assim o Senhor me ajude
está sendo um belo modelo

Nomei administradores
daqueles que cobram milhões
e conduzem seus valores
em bons e altos carrões

E secretárias catitas
que dão um toque de beleza
e umas cores mais bonitas
àqueles antros de tristeza

Mas ouve lá minha besta!
interrompe D. Barroso
quanto vai custar a festa
desse cortejo faustoso?

Vais levar umas palmadas
eu já te vou dar o bodo
levas trinta chicotadas
que até te borras todo

E tu ó da molina
com cara de pudin flan
trás-me lá uma aspirina
e também um compensant

Que já me dói a cachola
e o estômago azedou
olhem só para o estarola
que em saúde nos tocou

Publicado por Zecatelhado às 09:08 PM

fevereiro 14, 2004

Lá vem a Nau Catrineta - Fev.II


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
ouvi agora senhores
esta história de pasmar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar

S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta pandilha
pronta a passar "ao ataque!"

Sobe à gávea Marques Mendes
que és pequeno mas geitoso
E diz-me do que se fala
nas terras de D. Barroso

Subir eu meu capitão?
Tenho medo das alturas
Eu sofro do coração
E ainda mais de tonturas

Já prá gávea seu minorca
Não chore como criança
nem guinche como uma porca
vendo a hora da matança

Mas com a altura que tenho
e por mais que seja lesto
um homem do meu tamanho
entra inteirinho no cesto

E sendo eu pé de coentro
chamado minorca-mor
Entro inteirinho lá dentro
não vejo nada ao redor

Levai convosco um banquinho
desses que estão no convés
já ficais mais subidinho
p'ra ver tudo lés a lés

Ora bem seu porta-chaves
agora que já lá mora
dizei-me quais os entraves
do meu reino nesta hora

A cena que se desenrola
meu capitão general
é o novo tema da escola
a educação sexual

Ai valha-me Santo António
meu santinho milagroso
sexo é obra do demónio
afirmo-o eu, D, Barroso

Não ouviram pois vocês
que a Santa Igreja Romana
o disse mais que uma vêz
vinte vezes por semana?

O sexo é uma chatiçe
só inquina a mente sã
deve ser outra parvoiçe
saída de um tal Louçã

Esse tipo é um rafeiro
pois ainda esta semana
tentou pôr Portugal inteiro
a fumar marijuana

É a encarnação do diabo
que é cada vez mais arguto
não demorava um bocado
andava tudo no chuto

Publicado por Zecatelhado às 10:30 AM

fevereiro 07, 2004

Lá Vem a Nau Catrineta! Fev.I


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
ouvi agora senhores
esta história de pasmar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar

S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta quadrilha
pronta a passar "ao ataque!"

Sobe à gávea Sevinate
meu soldadinho guerreiro
mas não digas disparate
não te armes em bombeiro

Já me pergunta a Nação
porque é que não há pescada
vê lá se vês a razão
porque não pescamos nada

É que há semanas a fio
que só pescamos taínha
Não se vê pargo ou safio
Nem na rede nem na linha

Essa razão tão estranha
meu capitão general
é que andam barcos de Espanha
a pescar em Portugal

Vejo suas redes e linhas
apanhando o peixe grosso
só nos deixam as taínhas
e os chicharros pró almoço

Mas quem deu a permissão
para que eles entrassem
nos mares da nossa nação
e à vontade pescassem?

Se descobrir o culpado
vou gritar em altos berros
que o quero chicoteado
e a seguir posto a ferros

Ficará a pão e água
durante um mês, pois então!
penará com dor e mágoa
vos garante D. Durão

Mas não foi o meu capitão
com vontade de agradar
que fez o acordo então
com o seu amigo Aznar?

Ai minha pobre cachola
pois claro que fui eu!
só já não lembro a esmola
que tal acordo rendeu

Fosse qual fosse a esmolinha
que o dito acordo rendeu
estamos feitos à taínha
ai que asneira que fiz eu

Agora p'ra compensar
a falta do peixe grosso
vamos a correr comprar
conservas pró nosso almoço

Publicado por Zecatelhado às 11:20 AM

janeiro 31, 2004

Lá vem a Nau Catrineta! Jan IV


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
ouvi agora senhores
esta história de pasmar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar

S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta quadrilha
pronta a passar "ao ataque!"

Sobe à gávea Marques Mendes
És pequeno por isso estável
E diz-me lá o que entendes
Por ministra inimputável

Pr'a não passar por otário
Meu capitão general
Vou ver ao dicionário
O que consta sobre tal

Despachai-vos lá então
Que estou morto por saber
Qual o sentido e a razão
Que a palvra possa ter

Diz aqui que o inimputável
Goza a inocência total
Seja por menor-idade
Ou por demência mental

Ai então o malandreco
Desse Louçã de uma figa
Decidiu sem estopa ou prego
Acusar a rapariga?

Menor é que ela não é
Já passa dos cinquenta
Portanto por esse pé
Essa razão não assenta

E quanto à outra razão
A da demência mental
Afirmo eu D. Durão
O dono de Portugal

Que se suspitasse um dia
Daquela límpida mona
Nunca a Justiça daria
À Tia Celeste Cardona

Sendo eu um iluminado
E de vós senhor soberano
Nego que tenha falhado
Sabem que nunca me engano

Ordeno que esse esquerdalho
Seja culpado e punido
E o exemplo seja dado
A quem se meter comigo

Amarrem-no já ao mastro
Dai-lhe vinte chicotadas
E vereis que esse emplastro
Não dirá mais bacoradas

Publicado por Zecatelhado às 02:17 PM

janeiro 24, 2004

Lá vem a Nau Catrineta! Jan III


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar
S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta quadrilha
pronta a passar "ao ataque!"

Subi à gávea Paulinho
mas tirai a cabeleira
que mais pareceis um "gayzinho"
de novela brasileira

E se já não podeis ocultar
quem por baixo dela mora
porque teimais continuar
com o seu uso a toda a hora?

Que vergonha para quem ouve
que até em França se ri
e comenta que p´ra Deneuve
Só faltava o bikini

Não ouvisteis o que disse?
parai com essa cegada
tirai pois essa "merdice"
que já chega de tourada

Manuela, vamos criar,
inventar já um imposto
Para todo aquele que ousar
fingir-se do sexo oposto

D. Burroso, isso é comigo
pois para encher o baú
não olho a meios, amigo
Até ponho tudo nú

Isso não D.Nélinha
estar tudo pronto e a postos
a despir toda a roupinha
P´ra nos pagar os impostos?

Soltarei, meu capitão
O grito do Ipiranga!
Não dissesteis vós então
Que o país estava de tanga?

E esse grito será
tão lacinante e agudo
que o povo se despirá
e vereis que tiram tudo

Haverá bichas tremendas
para doar calças, calções,
casacos, camisas, rendas
que nos renderão milhões

Depois com outros "à partes"
À laia de brincadeira
cobriremos suas "partes"
Com folhinhas de figueira

E os padres no seu sermão
explicarão se fôr preciso
que era assim que Eva e Adão
andavam no paraíso

D.Manuela isso é belo!...
mas não ficarão doentes?
É que sem roupa no pêlo
Como podem ficar quentes?

E os transportes, como é?
esse aumento ninguém esquece
comecem a andar a pé
porque andar a pé aquece

Publicado por Zecatelhado às 01:43 PM

janeiro 17, 2004

Lá vem a Nau Catrineta! Jan.III


Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar
S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta quadrilha
pronta a passar "ao ataque!"

Sobe à gávea meu marujo
Meu marujinho real
Diz-me lá o que é que vês
No meu querido Portugal

Está cada vez mais opaco
Cada vez mais pantanoso
Estais metido num buraco
Diz o marujo ao Burroso

Ai valha-me Santo Antoninho
Mas o que é que eu faço agora?
Chegai a mim D. Paulinho
acudi-me nesta hora

Assim do pé para a mão
Para fintar o destino
Só vejo uma solução
Fujamos num submarino

Aportemos à Madeira
Até o banzé parar
D. Jardim terá maneira
de nos poder abrigar

Prá Madeira não vou não
tira daí o sentido
Que o D. Alberto João
Ainda me rouba o partido

Mas que fazemos então?
diz D. Paulinho aflito
Chama cá o D. Bagão
Ordena Burrão com um grito

D. Bagão, meu camarada
Tendes vós alguma ideia
De acalmar essa cambada
de calar a verborreia?

Se ideias tivesse um dia
Que me valha Santa Anica
Há muito tempo seria
Presidente do Benfica

Chamai lá D. Manuela
Essa santinha querida
Ai senhores se não fôr ela
É desta que eu vou à vida

D, Manuela salvai-me
cada vez estou mais fraco
Uma outra vez ensinai-me
a sair deste buraco

Acho que existe uma forma...
Diz ela em tom vagaroso
despachai-vos lá então!
grita o capitão Burroso

Criai espectáculos diferentes
Anjos que virem bandidos
Coisas que façam as gentes
Virar pr'á aí os sentidos

E enquanto a populaça
Chafurda nessa nojeira
deixa de haver arruaça
E vós estareis à maneira

Publicado por Zecatelhado às 04:27 AM

janeiro 10, 2004

Lá Vem a Nau Catrineta! Jan II

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar
S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta quadrilha
pronta a passar "ao ataque!"


Sobe à gávea meu marujo
Abre-me bem essas vistas
Vê lá se ainda se veem
ao largo alguns taxistas

Taxistas já não se veem
nem ouvem em nenhum lado
Já foram todos embora
podeis ficar descansado

Ainda bem que assim é
Já terminou esse fado
Livrámo-nos dessa ralé
Sacamos por outro lado

Vê lá se topas Manuela
uma maneira diferente
de sacar-mos o dinheiro
que perdemos dessa gente

Acho que já descobri
meu capitão general
uma forma subtil
de reaver o capital

Ai disso eu não duvido
minha leal marinheira
diz-me então qual o plano
que tens na mente matreira

Se o PEC dos fogareiros
não vai entrar no baú
Vamos recriar a taxa
de rádio e TV, vê lá tu!

E ninguém se vai baldar
pois para lhes cortar o pé
faço a cobrança directa
nos recibos da E.D.P.

Publicado por Zecatelhado às 12:47 PM

janeiro 04, 2004

Lá Vem a Nau Catrineta - Jan I

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar
S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta quadrilha
pronta a passar "ao ataque!"

Grita o Burroso ao da gávea
marujinho vê lá tu
se consegues vislumbrar
mais dinheiro pró baú

Sim, vejo um navio mas não,
não trás dinheiro guardado
Só farinha e massa-pão
Não se rouba que é pecado

Que sabes tu marujinho
Sobre o que é pecado ou não?
Acaso já foste padre
frei, prior ou capelão?

Nunca na vida tal fui
senhor e meu capitão
apenas algumas vezes
ajudei um sacristão

Pois então cala a boquinha
e aprontem-se pró saque
roubemos pois a farinha
tudo pronto pró ataque

E o saque foi consumado,
a carga deitada ao mar
o barco foi afundado
e a turbe a perguntar

Diga-nos lá capitão
Explicai-nos já agora
p´ró que isto serviu então
Se o saque foi borda-fora?

Ó homem de vistas curtas
Que disto não pescas nada
Tu não vês que assim o preço
do pão vai subir à brava?

E novos barcos virão
Carregados de dinheiro
Para ir comprar o pão
A um país do estrangeiro?

Quando isso suceder
Nós estaremos esperando
Assaltamos um a um
e o baú vai inchando

Publicado por Zecatelhado às 02:53 PM

dezembro 19, 2003

Lá vem a Nau Catrineta

Independentemente da minha Vaquinha Que Ri, passarei semanalmente a publicar as venturas e desventuras passadas a bordo desta Nau. Espero que se divirtam. Abaixo, o "Logo" da mesma. Para aguçar o apetite, vai um cheirinho...

Lá vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
S. Paulo Portas à proa
D. Burroso a comandar
S. Bagão trata do pré
Santa Manuela do saque
o resto desta quadrilha
pronta a passar "ao ataque!"

Sobe à gávea meu marujo
meu marujinho "à maneira"
grita o Capitão Burroso
ao marujinho Vieira
Vê se vês um novo poiso
vê se vês um novo porto
p'ra ver se a gente se livra
desta treta do aborto

Um porto ou sítio não vejo
meu capitão general
só vejo algumas mulheres
à porta do tribunal
mas nenhuma é sua filha
podeis ficar sossegado
são só filhas da ralé
gire o leme, passe ao lado

Fiquem todos a saber
ó marujada real
que nesta merda do Aborto
quero pôr ponto final
Se alguém desobedecer
e tentar ser atrevido
é condenado "ad eternum"
a porteiro do partido


Até para a semana a bordo da Nau.

Publicado por Zecatelhado às 10:15 PM